A Volvo Buses apresenta na Lat.Bus 2026 uma nova solução para ampliar a descarbonização do transporte coletivo brasileiro. Trata-se do B320R 6×2 B100 Flex, chassi urbano desenvolvido para carrocerias de até 15 metros e capacidade para transportar até 120 passageiros, combinando elevada capacidade operacional com flexibilidade no uso de combustíveis.
O principal diferencial do novo modelo está justamente na possibilidade de utilização de diesel ou B100 em qualquer proporção, característica inédita entre os ônibus disponíveis no mercado brasileiro. Quando abastecido exclusivamente com B100, um biocombustível puro, o veículo pode proporcionar redução de até 90% nas emissões, segundo a fabricante.

A novidade será um dos destaques da Volvo durante a Lat.Bus, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, em São Paulo, e chega como alternativa para cidades que buscam acelerar a redução de emissões sem depender exclusivamente da implantação imediata de infraestrutura para ônibus elétricos.
B100 amplia caminhos para a descarbonização do transporte
A estratégia da Volvo é posicionar o novo B320R 6×2 B100 Flex como uma solução complementar à eletrificação.
Segundo André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina, o modelo permite que operadores e gestores públicos avancem rapidamente em suas metas de redução de emissões sem necessidade de investimentos complexos em novas estruturas de abastecimento.

A principal vantagem, segundo a empresa, está na disponibilidade do B100 no mercado brasileiro. Como o país possui ampla produção desse biocombustível, os operadores podem adaptar a infraestrutura já existente nas garagens, segregando um dos tanques para abastecimento dedicado.
Dessa forma, a transição pode acontecer com maior rapidez e menor complexidade operacional.
Flexibilidade entre diesel e B100 protege o valor do veículo
Outro ponto destacado pela Volvo é a flexibilidade energética.
O novo chassi pode operar tanto com diesel convencional quanto com B100, inclusive em misturas intermediárias. Para os operadores, isso oferece maior liberdade de abastecimento e reduz a dependência de uma única fonte energética.
Segundo Ricardo Seixas, diretor comercial de ônibus da Volvo, essa flexibilidade também ajuda a preservar a liquidez do veículo ao longo do tempo.
Como o ônibus pode utilizar diesel convencional, o operador mantém mais possibilidades de comercialização do ativo no mercado de usados, mesmo em regiões onde o B100 ainda não esteja plenamente disponível.
Capacidade próxima à de um articulado
O B320R 6×2 foi desenvolvido para operações urbanas de alta demanda e pode receber carrocerias de até 15 metros, com capacidade para até 120 passageiros.
Segundo a Volvo, o modelo oferece uma capacidade de transporte próxima à de alguns ônibus articulados, mas com custos de aquisição e manutenção inferiores por passageiro transportado.

A proposta é ampliar a oferta de veículos de alta capacidade para corredores BRT e outros sistemas de transporte coletivo que precisam combinar volume de passageiros, eficiência operacional e menor custo.
Terceiro eixo direcional melhora manobrabilidade
Para manter boa dirigibilidade mesmo com os 15 metros de comprimento, o novo chassi utiliza terceiro eixo direcional.
A tecnologia adota um sistema eletro-hidráulico lançado inicialmente pela Volvo em seus chassis rodoviários e agora aplicado também ao segmento urbano.
O recurso reduz o raio de giro e facilita manobras em terminais, corredores e vias de menor espaço, contribuindo para uma operação mais simples em ambientes urbanos densos.
Segundo Jackson Oaida, gerente de produto ônibus da Volvo, o eixo traseiro direcional oferece ganhos importantes especialmente em locais onde a circulação de veículos longos exige maior precisão.
Piso alto ou entrada baixa ampliam versatilidade
O novo B320R 6×2 B100 Flex estará disponível em duas configurações: piso alto e entrada baixa.
Essa variedade permite adaptar o chassi às características de diferentes sistemas de transporte e projetos de carroceria.
A proposta é atender desde corredores estruturados até operações convencionais, oferecendo maior flexibilidade para gestores e operadores.
Motor D8K entrega 320 cv
O conjunto mecânico utiliza o motor Volvo D8K, com 320 cv de potência e 1.200 Nm de torque.
O propulsor compartilha uma arquitetura de engenharia baseada na linha de caminhões Volvo VM, estratégia que aumenta a disponibilidade de componentes e facilita o suporte técnico.
Para os operadores, essa sinergia com uma plataforma já consolidada pode representar redução de custos de manutenção, maior disponibilidade de peças e facilidade de atendimento em toda a rede de concessionárias da marca.
Novo chassi complementa linha elétrica da Volvo
A chegada do B320R 6×2 B100 Flex não substitui a estratégia elétrica da fabricante. Pelo contrário, faz parte de uma abordagem de transição energética que busca oferecer diferentes tecnologias para diferentes realidades operacionais.
A Volvo já disponibiliza uma ampla gama de chassis elétricos urbanos, entre eles BZL, BZR 4×2, BZR 6×2, BZRT articulado e BZRT biarticulado.

Com o novo modelo movido a B100, a fabricante amplia as opções para operadores que desejam avançar na redução de emissões enquanto estruturam seus sistemas para futuras etapas de eletrificação.
Meta é zerar emissões fósseis até 2040
A Volvo mantém como objetivo global eliminar as emissões de origem fóssil de seus veículos até 2040.
Dentro dessa estratégia, o uso de biocombustíveis é tratado como uma ferramenta importante para acelerar a transição energética em mercados onde a infraestrutura elétrica ainda está em desenvolvimento.
O novo ônibus será produzido na fábrica da Volvo em Curitiba (PR) e integra o ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões entre 2026 e 2028.
Grande parte desses recursos será direcionada à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, especialmente soluções relacionadas à descarbonização.
BRT ganha nova alternativa para reduzir emissões
A chegada do B320R 6×2 B100 Flex amplia a presença da Volvo em um segmento no qual a marca possui longa tradição: os sistemas BRT.
Com capacidade para até 120 passageiros, terceiro eixo direcional e possibilidade de operar com B100, o modelo busca oferecer uma solução de alta capacidade com implantação mais rápida que outras tecnologias de descarbonização.
Para cidades que precisam reduzir emissões sem interromper a operação ou realizar grandes investimentos imediatos em infraestrutura energética, o novo chassi surge como uma alternativa intermediária entre o diesel tradicional e a eletrificação total.













