A participação da Eletra na Lat.Bus 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, foi além da apresentação de veículos e tecnologias para a eletrificação do transporte coletivo. A fabricante brasileira aproveitou o principal encontro do setor de ônibus na América Latina para colocar em evidência os resultados ambientais da eletromobilidade, discutir os desafios para sua expansão no País e reforçar a necessidade de integração entre indústria, operadores e poder público.
Entre as novidades apresentadas esteve o Carbonômetro, ferramenta desenvolvida para calcular continuamente quanto dióxido de carbono (CO₂) deixa de ser lançado na atmosfera pela utilização dos ônibus elétricos da empresa em substituição a veículos equivalentes movidos a diesel.

O indicador, demonstrado no estande da companhia, foi concebido para atualizar os resultados a cada seis segundos, transformando dados técnicos da operação em uma informação pública e de fácil compreensão. Paralelamente, a Eletra promoveu um debate envolvendo representantes da indústria e do poder público sobre financiamento, infraestrutura, desenvolvimento tecnológico e políticas necessárias para acelerar a eletrificação.
A agenda da empresa na feira também contou com a visita do ministro das Cidades, Vladimir Lima, que conheceu as soluções desenvolvidas pela fabricante e acompanhou as discussões sobre o avanço da tecnologia nacional aplicada ao transporte público sustentável.
Carbonômetro mostra quanto CO₂ os ônibus elétricos deixam de emitir
Um dos principais objetivos do Carbonômetro da Eletra é tornar visível um benefício que, embora esteja diretamente relacionado à substituição dos ônibus a diesel, normalmente permanece restrito aos relatórios técnicos e estudos ambientais.
Para chegar ao resultado, a ferramenta considera a quantidade de ônibus elétricos em circulação, a quilometragem percorrida pela frota e uma estimativa das emissões que seriam produzidas caso os mesmos serviços fossem realizados por veículos equivalentes equipados com motores a diesel.
Esses dados são processados para calcular continuamente a quantidade de CO₂ evitada pela operação elétrica.
Segundo a metodologia utilizada pela Eletra, dependendo do modelo e das características da operação, um único ônibus elétrico pode evitar a emissão de mais de 100 toneladas de CO₂ por ano.
Para facilitar a compreensão da dimensão desse resultado, a fabricante utiliza como referência a capacidade de sequestro de carbono das árvores. Considerando uma média de 15,6 kg de CO₂ absorvidos por uma árvore anualmente, o impacto proporcionado por apenas um ônibus pode equivaler ao trabalho realizado por milhares de árvores durante o mesmo período.
Indicador pretende aproximar a eletromobilidade da população
A proposta do Carbonômetro também passa pela maneira como os resultados da descarbonização do transporte público são comunicados.
Passageiros conseguem perceber diretamente algumas diferenças proporcionadas pelos ônibus elétricos, como redução de ruído, ausência de vibrações características dos motores a combustão e inexistência de emissões locais pelo escapamento. Entretanto, a quantidade efetiva de gases que deixa de chegar à atmosfera não é facilmente percebida no cotidiano.
Ao converter esse impacto em um número atualizado continuamente, a Eletra pretende aproximar gestores, operadores e cidadãos dos resultados ambientais obtidos com a eletrificação.
“A eletrificação do transporte coletivo gera benefícios ambientais concretos todos os dias. Com o Carbonômetro, transformamos a redução de emissões em uma informação pública, acessível e atualizada em tempo real. É uma forma de mostrar, com transparência, como a eletromobilidade já contribui para cidades mais limpas e sustentáveis”, afirmou Milena Braga Romano, presidente da Eletra.
Eletra levou discussão sobre transporte sustentável para dentro da Lat.Bus
Além da apresentação da nova ferramenta, a Eletra utilizou seu espaço na Lat.Bus 2026 para promover uma discussão sobre um dos principais desafios da eletromobilidade brasileira: como transformar projetos e experiências já existentes em uma cadeia de transporte sustentável capaz de ganhar escala no País.
Participaram do encontro Iêda Oliveira, diretora da Eletra; Rubem Bisi, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (FABUS); Erwin Karl Franieck, secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação de Valinhos; e Valter Luiz Knihs, diretor Industrial e de Desenvolvimento de Sistemas da WEG.

O debate colocou em pauta questões que vão além da fabricação dos veículos, envolvendo financiamento, infraestrutura, políticas públicas, tecnologia, formação profissional e fortalecimento da indústria brasileira.
Para os participantes, a ampliação dos ônibus elétricos nas cidades depende da construção de um ecossistema capaz de acompanhar o crescimento da frota.
Desafio passa da tecnologia para o financiamento
Durante a discussão, Iêda Oliveira avaliou que uma parte importante das dúvidas técnicas existentes em torno dos ônibus elétricos começou a ser superada pela experiência prática acumulada pelos operadores.
Segundo a executiva, os veículos já demonstraram capacidade de atender às operações, deslocando parte da discussão para outro ponto determinante: como financiar a transição das frotas.
“Os ônibus elétricos já demonstraram sua eficiência, e os operadores estão satisfeitos com os resultados. O próximo desafio é financeiro, mas a eletrificação também abre oportunidades para desenvolver toda a cadeia, incluindo veículos, recarga, infraestrutura, tecnologia e serviços”, afirmou.
Essa cadeia torna a transição energética mais abrangente do que a simples troca de um ônibus a diesel por outro elétrico. Para viabilizar operações em maior escala, são necessários investimentos simultâneos em garagens, sistemas de recarga, fornecimento de energia, manutenção, treinamento e gestão operacional.
Iêda também chamou a atenção para a necessidade de associar a eletrificação à recuperação da atratividade do próprio transporte coletivo.
Na avaliação da executiva, melhorar a qualidade do serviço é essencial para reconquistar passageiros e, ao mesmo tempo, preservar conhecimento, empregos e capacidade produtiva no Brasil.
FABUS defende planejamento para preservar competitividade da indústria brasileira
O presidente da FABUS, Rubem Bisi, destacou durante o encontro que o Brasil reúne condições para assumir protagonismo no desenvolvimento da mobilidade elétrica na América Latina, mas ressaltou que isso depende de planejamento de longo prazo.
Entre os pontos considerados necessários estão incentivos à inovação, investimentos em educação, infraestrutura adequada e políticas capazes de preservar a competitividade da indústria nacional.
Bisi também chamou a atenção para a necessidade de analisar a operação como um todo. A adoção de um veículo tecnologicamente avançado não elimina problemas estruturais existentes nos sistemas de transporte.
“Não basta colocar o ônibus elétrico em circulação. É necessário oferecer corredores e infraestrutura para que ele opere com agilidade e eficiência. Também precisamos garantir condições para que a indústria brasileira continue competitiva”, afirmou.
A discussão coloca a velocidade comercial dos ônibus, a infraestrutura viária e a prioridade ao transporte coletivo entre os elementos que precisam acompanhar os investimentos realizados na frota.
WEG destaca capacidade industrial brasileira para atender à eletrificação
Outro ponto abordado durante o encontro foi a capacidade da indústria brasileira de participar diretamente da cadeia tecnológica criada pela expansão dos veículos elétricos.
Valter Luiz Knihs, da WEG, destacou a dimensão industrial já existente no País e o potencial para ampliar a produção relacionada à eletromobilidade.
Segundo o executivo, a companhia brasileira produz aproximadamente 20 milhões de motores elétricos por ano e enxerga oportunidades diante do crescimento esperado da demanda por baterias e outros componentes.
Knihs destacou como vantagens brasileiras a matriz energética de baixa intensidade de carbono, a disponibilidade de recursos minerais e a capacidade industrial instalada.
“A demanda por baterias crescerá muito nos próximos anos, e acreditamos no potencial do Brasil. Temos uma matriz energética muito limpa, grandes reservas minerais e capacidade industrial. O país precisa acelerar esse desenvolvimento e fazer em dez anos o que a China fez em trinta”, afirmou.
Para o executivo, determinadas tecnologias necessitam de escala e, para alcançá-la, políticas de incentivo e planejamento do poder público podem exercer papel decisivo.
Hidrogênio também aparece como oportunidade para o Brasil
A discussão promovida pela Eletra não ficou restrita aos ônibus elétricos a bateria.
Knihs também apontou o hidrogênio como uma área na qual o Brasil possui potencial para desenvolver novas cadeias produtivas relacionadas à economia de baixo carbono.
O tema reforçou uma visão mais ampla da transição energética, na qual diferentes tecnologias podem assumir funções específicas de acordo com as características de cada aplicação.
Nesse cenário, a disponibilidade de energia renovável pode se transformar não apenas em uma vantagem ambiental, mas também em oportunidade industrial e econômica para o País.
Municípios precisam de estratégia compatível com diferentes realidades
A perspectiva do poder público municipal também esteve presente no debate realizado no estande da Eletra.
Erwin Karl Franieck, secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação de Valinhos, defendeu a construção de uma estratégia nacional capaz de contemplar municípios de diferentes dimensões e condições financeiras.
“Precisamos construir uma estratégia que considere as diferentes realidades locais e, ao mesmo tempo, promova a cadeia produtiva nacional”, afirmou.
A questão é particularmente importante porque os desafios encontrados por grandes capitais e regiões metropolitanas não são necessariamente os mesmos enfrentados por municípios pequenos e médios.
Custos de aquisição, infraestrutura elétrica disponível, tamanho das frotas, extensão das linhas e capacidade financeira dos sistemas variam significativamente entre as cidades brasileiras. A expansão da eletromobilidade, portanto, exige modelos capazes de se adaptar a essas diferenças.
Ministro das Cidades conheceu soluções da Eletra durante a feira
A agenda institucional da fabricante na Lat.Bus 2026 também incluiu a visita do ministro das Cidades, Vladimir Lima, ao estande da empresa.
Recebido pela diretora comercial Iêda Oliveira, o ministro conheceu as soluções de eletromobilidade desenvolvidas pela Eletra e acompanhou os avanços apresentados pela fabricante brasileira para o transporte público sustentável.

A visita colocou novamente em evidência a importância da interlocução entre governo e indústria em um momento no qual municípios brasileiros discutem a substituição gradual de veículos a diesel por tecnologias de menor emissão.
Durante a passagem pelo estande, o ministro destacou a importância da inovação e das novas tecnologias para a melhoria da mobilidade urbana e da qualidade de vida da população, dois dos temas que estiveram presentes nas discussões realizadas ao longo da Lat.Bus.
Expansão exige atuação conjunta de indústria, governos e operadores
As discussões realizadas durante a feira mostraram que a eletrificação do transporte público envolve uma cadeia significativamente mais complexa do que apenas fabricantes e empresas de ônibus.
A implantação de grandes frotas elétricas demanda participação de governos, operadores, encarroçadoras, fabricantes de sistemas de propulsão, fornecedores de energia, empresas de infraestrutura de recarga, instituições financeiras e desenvolvedores de tecnologia.
Essa integração ganha importância à medida que a eletromobilidade deixa a fase dos primeiros projetos experimentais e passa a buscar escala nas cidades brasileiras.
Para os participantes do debate promovido pela Eletra, políticas públicas de longo prazo precisam combinar sustentabilidade, eficiência operacional, inovação, financiamento e fortalecimento da produção nacional.
Eletra aposta em tecnologia desenvolvida no Brasil
A discussão sobre a cadeia produtiva também dialoga diretamente com a estratégia industrial da própria Eletra.
Com mais de duas décadas de atuação, a fabricante desenvolve e integra no Brasil tecnologias destinadas à eletrificação do transporte público sobre pneus.
Seu portfólio contempla trólebus, veículos híbridos, ônibus 100% elétricos a bateria e soluções de retrofit, oferecendo diferentes alternativas para operadores interessados em reduzir as emissões de suas frotas.
A companhia mantém sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP), com capacidade instalada para produzir até 2.700 ônibus por ano.
Além do impacto direto sobre a fabricação dos veículos, a expansão dessa atividade contribui para uma cadeia que envolve engenharia, integração de sistemas, componentes eletrônicos, infraestrutura e formação de profissionais especializados.
Segundo informações da empresa baseadas no e-Bus Radar, a Eletra aparece entre os cinco principais fabricantes de ônibus elétricos acompanhados pela plataforma, sendo a única representante latino-americana nesse grupo.
Carbonômetro complementa estratégia ao medir resultados da transição
Nesse contexto, o lançamento do Carbonômetro acrescentou uma nova dimensão à participação da Eletra na Lat.Bus 2026.
Enquanto boa parte das discussões da feira esteve concentrada em como acelerar a chegada dos ônibus elétricos às cidades, a ferramenta apresentada pela empresa busca responder a uma pergunta complementar: qual é o resultado ambiental obtido depois que esses veículos começam efetivamente a operar?
Ao acompanhar continuamente as emissões evitadas, o indicador permite relacionar a expansão da frota elétrica a resultados mensuráveis de descarbonização.
Para gestores públicos, esse tipo de informação pode contribuir para demonstrar os efeitos dos investimentos realizados. Para operadores, acrescenta uma métrica ambiental à avaliação da operação. E, para os passageiros, transforma toneladas de CO₂ em uma informação mais acessível.
Participação na Lat.Bus conectou tecnologia, indústria e políticas públicas
A passagem da Eletra pela Lat.Bus 2026 acabou reunindo três dimensões diretamente relacionadas ao futuro da eletromobilidade brasileira.
De um lado, o Carbonômetro apresentou uma maneira de medir e comunicar os resultados ambientais já proporcionados pelos ônibus elétricos. De outro, o debate promovido pela fabricante colocou em discussão os obstáculos que ainda precisam ser superados para aumentar a escala dessa tecnologia. A interlocução com o Ministério das Cidades, por sua vez, evidenciou o papel das políticas públicas no processo.
O conjunto das iniciativas mostrou que a próxima etapa da eletrificação do transporte coletivo brasileiro não dependerá exclusivamente da evolução dos veículos.
Financiamento, infraestrutura de recarga, planejamento urbano, desenvolvimento industrial, qualificação do transporte público e políticas de longo prazo serão igualmente determinantes para definir a velocidade da transição.
Ao levar essas discussões para a Lat.Bus e, simultaneamente, apresentar uma ferramenta capaz de tornar os resultados ambientais mais transparentes, a Eletra buscou mostrar que a eletromobilidade passa a exigir não apenas novas tecnologias, mas um ecossistema capaz de transformar essas tecnologias em ganhos concretos e mensuráveis para as cidades.
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