Sertran inicia testes com Volare Fly 10 GV a biometano e GNV no fretamento corporativo

Novo micro-ônibus opera em projeto com cliente na região de Presidente Prudente e amplia estratégia da transportadora para reduzir emissões no setor agroindustrial; modelo pode alcançar até 450 ...
Volare

A Sertran Transportes deu mais um passo em sua estratégia de diversificação energética e descarbonização da frota ao incorporar sua primeira unidade do Volare Fly 10 GV, modelo desenvolvido para operar com biometano e GNV. O veículo já está em fase de testes em uma operação de fretamento para um cliente da transportadora na região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

A iniciativa coloca uma nova alternativa energética à prova em um dos ambientes mais importantes para a Sertran: o transporte corporativo ligado ao setor agroindustrial. Segundo os dados divulgados pelas empresas, a utilização do Fly 10 GV pode proporcionar redução de até 84% nas emissões de gases de efeito estufa e de aproximadamente 96% de material particulado, em comparação com veículos convencionais a diesel.

Além dos ganhos ambientais, o projeto permitirá à operadora avaliar na prática aspectos como autonomia, desempenho, abastecimento, disponibilidade e eficiência operacional, elementos determinantes para a adoção de uma nova tecnologia em larga escala.

A chegada do Fly 10 GV também ocorre em paralelo a outro projeto experimental conduzido pela Sertran: o Volare Attack 10 Híbrido, que está sendo testado desde junho em Dourados, Mato Grosso do Sul. As duas iniciativas demonstram a busca da companhia por diferentes alternativas para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.

Biometano ganha espaço na estratégia de descarbonização

O Volare Fly 10 GV foi desenvolvido para utilização de combustíveis gasosos, permitindo que operadores explorem alternativas ao diesel em aplicações de transporte de passageiros.

Entre elas está o biometano, combustível renovável que pode ser obtido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de matéria orgânica.

Para a Sertran, a solução apresenta uma característica particularmente relevante. A empresa possui forte presença no setor sucroenergético, justamente um ambiente empresarial no qual resíduos e subprodutos das atividades agroindustriais podem fazer parte das cadeias de produção de biogás e biometano.

A possibilidade de aproximar geração de combustível renovável e consumo no transporte corporativo cria uma perspectiva estratégica que vai além da simples substituição de um tipo de motorização.

“Neste momento de nossa história, a Sertran busca diversas alternativas tecnológicas investindo em conhecimento e parceiros que possam somar à nossa visão estratégica sobre o futuro do transporte de pessoas no setor agroindustrial brasileiro”, explica Daniel Felício, diretor de Novos Negócios e Tecnologias da Sertran.

Segundo o executivo, a presença da empresa na Fenasucro & Agrocana 2026 e os projetos com o Fly 10 GV e Attack 10 Híbrido fazem parte do movimento para ampliar a utilização de combustíveis renováveis, considerando aspectos logísticos e ambientais, especialmente dentro da cadeia produtiva dos clientes atendidos.

Volare aponta redução de até 84% dos gases de efeito estufa

De acordo com a Volare, a utilização do Fly 10 GV pode representar redução de até 84% na emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa e de aproximadamente 96% do material particulado.

Os resultados ambientais, entretanto, estão relacionados ao combustível e às condições da aplicação. O próprio desempenho operacional e a autonomia podem variar conforme fatores como trajeto, carregamento e características da operação.

Volare

Para Sidnei Vargas, gerente executivo da Volare, a incorporação do veículo contribui para a descarbonização e acompanha as estratégias ESG adotadas pelas empresas.

“A adoção de um modelo 100% movido a biometano e GNV introduz uma tecnologia de menor impacto ambiental no segmento de fretamento”, destaca Vargas.

A fabricante vê justamente no fretamento corporativo uma das aplicações com potencial para a tecnologia, uma vez que esse tipo de serviço costuma possuir rotas, quilometragens e pontos de abastecimento previamente definidos.

Fly 10 GV tem autonomia de até 450 quilômetros

A unidade incorporada pela Sertran possui 10.145 milímetros de comprimento e três cilindros destinados ao armazenamento do combustível, com capacidade total informada de 360 litros.

Segundo a Volare, a configuração permite alcançar autonomia de até 450 quilômetros, dependendo das características da aplicação.

Esse alcance será um dos fatores importantes a serem observados durante a operação experimental.

No fretamento corporativo, a autonomia precisa ser analisada em conjunto com a infraestrutura disponível para abastecimento, quilometragem diária, localização das garagens, horários das viagens e tempo de permanência do veículo fora da base.

Por isso, o teste em uma operação real permite gerar informações que dificilmente seriam obtidas apenas em ensaios controlados.

31 poltronas Executiva e ar-condicionado equipam o veículo

O Volare Fly 10 GV da Sertran possui capacidade para 31 passageiros em poltronas Executiva, configuração voltada ao conforto no deslocamento de trabalhadores.

As poltronas contam com tomadas USB, permitindo o carregamento de dispositivos eletrônicos durante as viagens.

O veículo também dispõe de sistema de ar-condicionado, item relevante para operações corporativas realizadas diariamente e em diferentes condições climáticas.

A configuração demonstra que a busca pela redução das emissões não foi tratada isoladamente. O modelo também precisa atender aos requisitos de conforto e qualidade esperados pelos clientes do fretamento empresarial.

Sistemas eletrônicos ampliam recursos de segurança

A configuração inclui ainda câmeras de monitoramento e sensor traseiro de estacionamento, auxiliando tanto no acompanhamento do salão quanto durante manobras.

Entre os recursos eletrônicos estão os sistemas de controle de tração e estabilidade, desenvolvidos para auxiliar o motorista na manutenção do controle do veículo em determinadas condições de condução.

Outro equipamento é o bloqueio automático do veículo com a porta aberta, mecanismo que impede sua movimentação enquanto a porta permanece nessa condição.

Esses dispositivos assumem importância adicional no transporte corporativo, segmento em que empresas contratantes estabelecem padrões cada vez mais rigorosos de segurança operacional para os prestadores responsáveis pelo deslocamento de seus funcionários.

Teste em Presidente Prudente vai avaliar tecnologia em operação real

O novo Volare está sendo utilizado com um cliente relevante da Sertran na região de Presidente Prudente, no oeste paulista.

A fase experimental permitirá avaliar como a tecnologia se comporta dentro da rotina operacional da transportadora.

Para uma companhia que possui uma frota superior a 1.600 veículos e percorre mais de 80 milhões de quilômetros por ano, a introdução de uma nova matriz energética exige avaliação criteriosa antes de uma eventual expansão.

Consumo, disponibilidade, infraestrutura para abastecimento, manutenção, autonomia e custo por quilômetro estão entre os fatores que podem influenciar a viabilidade de uma solução alternativa ao diesel.

Nesse sentido, o teste representa uma oportunidade de reunir dados em condições efetivas de trabalho.

Modelo já passou por avaliações em diferentes cidades brasileiras

Antes de chegar à operação da Sertran, o Volare Fly 10 GV passou por testes em diferentes regiões do Brasil.

Segundo a fabricante, o modelo já foi avaliado em Guarulhos (SP), Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), Salvador (BA) e Londrina (PR).

Essas experiências permitiram colocar o veículo em diferentes condições de tráfego, topografia e operação.

De acordo com a Volare, os testes demonstraram capacidade técnica, competitividade econômica e desempenho ambiental superior em relação aos modelos convencionais movidos a diesel.

Agora, a utilização pela Sertran acrescenta uma aplicação diretamente relacionada ao fretamento agroindustrial, segmento estratégico tanto pela elevada intensidade operacional quanto pelo potencial de utilização de combustíveis renováveis.

Sertran também testa Volare Attack 10 Híbrido

A chegada do Fly 10 GV não representa uma iniciativa isolada.

Desde o início de junho, a Sertran mantém em Dourados (MS) um projeto-piloto com o Volare Attack 10 Híbrido, outra tecnologia desenvolvida para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e as emissões associadas ao transporte.

O Attack 10 Híbrido utiliza motorização elétrica para tração, enquanto um motor a combustão funciona como gerador para recarregar as baterias.

Segundo a Volare, trata-se do primeiro micro-ônibus desenvolvido no mundo com essa configuração.

O projeto amplia a estratégia da Sertran ao permitir que a empresa avalie tecnologias distintas simultaneamente: de um lado, o biometano e o GNV; de outro, a eletrificação associada a um gerador a combustão.

Parceria com Marcopolo resultou em cerca de 200 veículos no último ano

Os projetos experimentais também são reflexo da relação comercial entre a Sertran e a Marcopolo, grupo responsável pela Volare.

De acordo com Mauro Picinato, CEO da Sertran, aproximadamente 200 veículos novos foram adquiridos pela transportadora no último ano.

“A aquisição do Volare Fly 10 GV demonstra a estreita parceria entre a Sertran e a Marcopolo”, afirma o executivo.

Para Picinato, tanto o novo modelo movido a biometano e GNV quanto o projeto-piloto com o Attack 10 Híbrido reforçam a busca da companhia por soluções inovadoras para suas operações.

A escala da frota da Sertran torna essas experiências particularmente relevantes. Uma tecnologia que demonstre viabilidade técnica e econômica pode, futuramente, encontrar espaço em uma operação formada por milhares de veículos e dezenas de bases.

Fretamento agroindustrial pode favorecer utilização de combustíveis renováveis

O perfil operacional da Sertran ajuda a explicar o interesse em diferentes tecnologias de propulsão.

Fundada em 1996, em Sertãozinho (SP), a companhia construiu forte presença no transporte de trabalhadores para empresas do setor agroindustrial.

Atualmente, segundo dados da própria empresa, a Sertran participa do transporte de passageiros de mais de 20% do setor sucroenergético brasileiro.

A operadora possui mais de 50 unidades operacionais, frota superior a 1.600 veículos e aproximadamente 3.500 colaboradores.

Sua presença alcança São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Tocantins, com mais de 80 milhões de quilômetros percorridos anualmente.

Essa escala transforma consumo de combustível e emissões em variáveis relevantes tanto do ponto de vista financeiro quanto ambiental.

ESG dos clientes também influencia renovação das frotas

No transporte corporativo, a transição energética não depende exclusivamente das metas estabelecidas pelas transportadoras.

Grandes empresas contratantes passaram a estabelecer seus próprios compromissos de ESG, redução de emissões e descarbonização das cadeias produtivas.

O transporte de funcionários integra essa cadeia.

Consequentemente, substituir ônibus convencionais por veículos movidos a combustíveis de menor impacto ambiental pode contribuir também para os objetivos ambientais das empresas que contratam o serviço.

É justamente essa relação que amplia o potencial de tecnologias como o biometano no fretamento.

A operação possui trajetos previsíveis e normalmente retorna a bases conhecidas, características que podem facilitar o planejamento da infraestrutura de abastecimento quando comparadas a serviços rodoviários de longa distância com itinerários muito mais extensos.

Biometano e híbrido fazem parte de estratégia de múltiplas tecnologias

A movimentação da Sertran demonstra ainda que a transição energética no transporte de passageiros não precisa ocorrer por meio de uma única tecnologia.

A empresa está avaliando simultaneamente biometano, GNV e solução híbrida com tração elétrica, observando como cada alternativa se comporta nas aplicações para as quais foi projetada.

Essa estratégia permite comparar resultados antes de decidir quais tecnologias podem ser ampliadas para diferentes contratos e regiões.

No setor agroindustrial, a proximidade com cadeias capazes de produzir combustíveis renováveis acrescenta uma variável importante à equação.

A viabilidade, entretanto, dependerá não apenas dos benefícios ambientais, mas também de infraestrutura, disponibilidade energética, autonomia, custo operacional, manutenção e confiabilidade.

Volare amplia portfólio de soluções para transição energética

O desenvolvimento do Fly 10 GV faz parte da estratégia da Volare e da Marcopolo de ampliar a oferta de tecnologias destinadas à redução das emissões no transporte de passageiros.

A Volare atua nos segmentos escolar, fretamento, turismo, urbano, rural e mineração, produzindo veículos em diferentes configurações e faixas de peso entre 6 e 12 toneladas.

A marca possui unidades industriais em Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES), além de uma rede com mais de 40 pontos de atendimento no Brasil e 20 no exterior.

A ampliação das opções de propulsão permite à fabricante atender operadores que buscam alternativas ao diesel sem necessariamente depender de uma única solução tecnológica.

Projeto pode indicar novos caminhos para descarbonização do fretamento

A entrada do Volare Fly 10 GV na frota da Sertran representa, sobretudo, um teste prático sobre a utilização do biometano no transporte corporativo.

A combinação entre uma grande operadora de fretamento, clientes ligados ao setor agroindustrial e uma tecnologia capaz de utilizar combustível renovável cria condições interessantes para avaliar a solução em escala operacional.

Com 31 lugares, autonomia de até 450 quilômetros, climatização e recursos eletrônicos de segurança, o veículo precisa agora demonstrar no cotidiano se consegue combinar os benefícios ambientais anunciados com os níveis de disponibilidade e eficiência exigidos pelo fretamento.

Ao mesmo tempo, a experiência com o Fly 10 GV e o projeto paralelo com o Attack 10 Híbrido mostram que a Sertran não está concentrando sua estratégia de descarbonização em apenas uma alternativa.

O resultado desses testes poderá ajudar a definir quais tecnologias terão maior espaço na próxima etapa de renovação de uma das maiores operações de transporte corporativo do setor agroindustrial brasileiro.

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