A estreia de uma nova opção de ônibus entre Rio de Janeiro e São Paulo a partir do Terminal Metropolitano, no Trevo das Margaridas, em Irajá, abriu uma discussão sobre a utilização de terminais urbanos e metropolitanos para operações interestaduais de longa distância na capital fluminense.
O novo serviço, inicialmente operado com exclusividade pela Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha, começa nesta sexta-feira (4) e terá partidas de domingo a sexta-feira, às 22h, de Irajá para o Terminal Rodoviário do Tietê, na capital paulista.
A novidade, porém, provocou questionamentos da concessionária responsável pela Rodoviária Novo Rio e de empresas do setor rodoviário. Entre as preocupações apresentadas estão a estrutura necessária para receber ônibus de longa distância, os impactos sobre o trânsito e a mobilidade urbana e a organização dos fluxos de passageiros e veículos.
Ao mesmo tempo, a operação já desperta o interesse de outra transportadora. A Viação Águia Branca, que também atua na ligação Rio–São Paulo, informou que analisa a possibilidade de pleitear partidas pelo Terminal Metropolitano de Irajá.
Penha estreia ligação entre Irajá e São Paulo
A nova operação cria uma alternativa de embarque para passageiros da Zona Norte do Rio de Janeiro que viajam para São Paulo.
As partidas ocorrerão de domingo a sexta-feira, sempre às 22h, com embarque no Terminal Metropolitano, localizado no Trevo das Margaridas, em Irajá, e destino ao Terminal Tietê.
A localização do novo ponto é um dos aspectos que diferenciam o serviço. Situado próximo a importantes eixos viários da região, o terminal oferece uma possibilidade de embarque fora da área central da capital para passageiros que vivem em Irajá e em outros bairros da Zona Norte.

A entrada de uma operação interestadual regular no local, entretanto, colocou em discussão uma questão mais ampla: até que ponto estruturas originalmente relacionadas ao transporte urbano e metropolitano devem receber serviços rodoviários de longa distância.
Rodoviária Novo Rio questiona operação interestadual em terminal urbano
A concessionária responsável pela Rodoviária Novo Rio afirmou que acompanha com atenção a utilização do Terminal Metropolitano para viagens interestaduais.
Segundo a empresa, uma eventual ampliação desse modelo deveria ser precedida por estudos que considerem seus possíveis efeitos sobre a cidade.
“Uma eventual ampliação desse tipo de operação deve ser precedida de um estudo amplo de impacto, incluindo avaliação viária e de mobilidade urbana, considerando os efeitos da circulação e operação de ônibus de longa distância nos diferentes pontos da cidade”, afirmou a concessionária.
O posicionamento não se limita, portanto, à partida que começa a ser realizada pela Auto Viação Penha. A preocupação apresentada pela administradora envolve principalmente uma eventual expansão do número de empresas, destinos e horários interestaduais utilizando terminais com características urbanas.
Regulação interestadual é diferente do transporte metropolitano
Outro argumento apresentado pela concessionária envolve as diferenças regulatórias entre os serviços.
O transporte rodoviário interestadual de passageiros está sujeito à regulação federal da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), enquanto os sistemas urbanos e metropolitanos seguem outras estruturas regulatórias.
“As linhas interestaduais são reguladas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e possuem características distintas do transporte urbano e metropolitano, o que reforça a importância de avaliar a estrutura necessária para a operação e a organização dos fluxos de passageiros e veículos”, informou a concessionária.
O debate envolve, dessa forma, não apenas a existência física de espaço para embarques e desembarques, mas as necessidades específicas associadas a uma operação rodoviária de longa distância.
Concessionária defende concentração das viagens na Rodoviária Novo Rio
A administradora da Rodoviária Novo Rio também defendeu a manutenção da concentração das operações regulares de longa distância no terminal central.
Entre os argumentos apresentados está a localização da rodoviária e sua conexão com diferentes meios de transporte e corredores viários da Região Metropolitana.
A concessionária destacou a integração com o VLT e o Terminal Gentileza, além da proximidade com acessos importantes, como a Ponte Rio-Niterói e as linhas Vermelha e Amarela.
“A Rodoviária do Rio está situada em região central, integrada ao VLT e ao Terminal Gentileza e próxima a importantes eixos de deslocamento, como a Ponte Rio-Niterói e as Linhas Amarela e Vermelha. Essa localização facilita o acesso de passageiros de diferentes regiões, moradores e turistas que chegam à cidade”, argumentou.
Novo Rio cita estrutura dedicada às viagens de longa distância
A concessionária acrescentou que a Rodoviária Novo Rio possui conexões para mais de 2 mil destinos nacionais, além de serviços internacionais e diferentes empresas atuando especificamente na ligação entre Rio e São Paulo.
Na avaliação da administradora, concentrar as operações regulares de longa distância em uma estrutura preparada especificamente para essa finalidade contribui para organizar a movimentação dos ônibus e passageiros.
“Nesse contexto, reforçamos a importância de concentrar as operações regulares de transporte rodoviário de longa distância em uma estrutura preparada para esse tipo de serviço, contribuindo para a organização dos fluxos de passageiros, ônibus e demais modais de transporte”, declarou.
Apesar dos questionamentos, a concessionária informou estar aberta ao diálogo e colocou-se à disposição das autoridades para discutir o tema.
Embarque em Irajá pode mudar dinâmica para passageiros da Zona Norte
Do ponto de vista dos passageiros, a descentralização dos embarques pode criar uma nova dinâmica de acesso aos serviços rodoviários.
Quem vive em bairros da Zona Norte e em determinados municípios da Baixada Fluminense pode encontrar no Trevo das Margaridas uma alternativa geograficamente diferente da Rodoviária Novo Rio.
O Terminal Metropolitano está localizado em uma região próxima a importantes ligações viárias, o que pode influenciar a escolha do ponto de embarque dependendo da origem do passageiro.
Essa conveniência, entretanto, passa a ser contraposta às questões levantadas pela concessionária da Novo Rio sobre infraestrutura, organização operacional e impactos da eventual multiplicação de serviços interestaduais em diferentes pontos da cidade.
A experiência da nova linha da Penha poderá, dessa maneira, tornar-se uma referência importante para o debate sobre a descentralização das partidas rodoviárias na capital.
Águia Branca avalia pedir autorização para operar em Irajá
O movimento pode não ficar restrito à Penha.
A Viação Águia Branca, uma das empresas que também opera a ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo, confirmou que acompanha a implantação do novo serviço e avalia a possibilidade de utilizar o Terminal Metropolitano.
“A Viação Águia Branca informa que está avaliando a nova operação anunciada para o Terminal Metropolitano, no Trevo das Margaridas, em Irajá, e a possibilidade de pleitear partidas a partir do local”, informou a empresa.
A manifestação é relevante porque indica que o terminal poderá despertar interesse de outras transportadoras caso a nova operação apresente demanda e condições adequadas.
Até o momento, entretanto, trata-se apenas de uma avaliação da Águia Branca. A empresa não anunciou novas partidas pelo terminal nem confirmou que já tenha obtido autorização para utilizá-lo.
Outras empresas da rota Rio–São Paulo ainda não se manifestaram
A ligação rodoviária entre Rio de Janeiro e São Paulo possui diferentes empresas em operação, tornando qualquer alteração nos locais de embarque uma questão de interesse comercial e operacional para o setor.
Segundo as informações divulgadas originalmente pelo jornal O DIA, foram procuradas Viação Cometa, Catarinense, Auto Viação 1001, Nova Itapemirim e Expresso do Sul, mas as transportadoras não haviam respondido até a publicação da reportagem.
A ausência de manifestação não significa oposição ou apoio das empresas à nova operação. Até que haja posicionamento formal, não é possível determinar se outras transportadoras também pretendem solicitar partidas pelo terminal de Irajá.
Nova operação abre debate sobre descentralização dos terminais rodoviários
Mais do que a criação de uma nova partida para São Paulo, a operação que começa nesta sexta-feira coloca em discussão o modelo de embarque para viagens interestaduais no Rio de Janeiro.
De um lado, a utilização de terminais localizados fora da região central pode oferecer novas alternativas aos passageiros e aproximar o ponto de embarque de diferentes áreas da cidade.
Do outro, a concessionária da Rodoviária Novo Rio sustenta que a expansão desse modelo precisa considerar questões regulatórias, viárias e operacionais, além da necessidade de infraestrutura apropriada para ônibus e passageiros de serviços de longa distância.
A possível entrada da Águia Branca amplia a dimensão da discussão. Caso outras transportadoras também demonstrem interesse, o Terminal Metropolitano de Irajá poderá deixar de representar apenas um novo ponto da Auto Viação Penha e passar a integrar um debate mais amplo sobre a distribuição das operações rodoviárias pela capital fluminense.
Por enquanto, a mudança concreta começa com a Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha, que inaugura nesta sexta-feira a nova ligação entre Irajá e o Terminal Tietê, abrindo uma alternativa para quem pretende viajar de ônibus entre as duas maiores metrópoles brasileiras.
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