A Viação Rio Tinto completa neste sábado, 26 de setembro de 2026, 60 anos de história no transporte rodoviário de passageiros da Paraíba. Fundada em 26 de setembro de 1966, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, inicialmente com a razão social Irmãos Azevedo Ltda., a empresa atravessou diferentes fases do transporte intermunicipal paraibano e se consolidou como uma das operadoras tradicionais do estado.

O que começou com as ligações João Pessoa–Mamanguape e João Pessoa–Rio Tinto cresceu ao longo de seis décadas para uma operação que passou a conectar localidades do Litoral Norte, Brejo, Agreste e Mata Paraibana. Aquisições de empresas, incorporação de linhas, mudanças administrativas e sucessivas renovações de frota ajudaram a escrever uma trajetória diretamente ligada ao desenvolvimento do transporte intermunicipal na Paraíba.
Hoje, a Rio Tinto possui uma frota superior a 50 ônibus e mantém uma presença ampla no transporte rodoviário paraibano. Entre os veículos estão 16 unidades Marcopolo Paradiso G7, equipadas com motorização traseira Mercedes-Benz, que representam uma das etapas mais recentes do processo de modernização da companhia.

A empresa chega aos 60 anos não apenas como uma marca tradicional do setor, mas também como parte da memória de gerações de passageiros que utilizaram seus ônibus para estudar, trabalhar, visitar familiares, participar de festas tradicionais ou simplesmente se deslocar entre os municípios paraibanos.
Uma história que começou em Jaguaribe
A origem da empresa remonta a 1966, quando a Irmãos Azevedo Ltda. iniciou a exploração do transporte intermunicipal de passageiros. As primeiras operações atendiam justamente dois corredores que se tornariam fundamentais para sua identidade: João Pessoa–Mamanguape e João Pessoa–Rio Tinto.
Com o crescimento da demanda, novas ligações foram incorporadas. A companhia passou a operar também entre a capital e destinos como Baía da Traição, Mataraca e Rio Tinto pelo itinerário via Sapé.

A expansão permitiu que o nome Rio Tinto deixasse de representar apenas um destino e se transformasse na própria identidade empresarial que atravessaria as décadas seguintes.
Monoblocos Mercedes-Benz e Ciferal marcaram os primeiros anos
A frota das primeiras décadas refletia o mercado brasileiro de ônibus daquele período. A empresa operou vários monoblocos Mercedes-Benz e veículos produzidos pela Ciferal, quase sempre montados sobre chassis da fabricante alemã.
Entre os modelos mais lembrados estão os Ciferal Flecha de Prata e Líder, carrocerias que marcaram época no transporte rodoviário brasileiro e foram presença frequente na frota da companhia.

A Rio Tinto também utilizou modelos da Caio, incluindo exemplares que hoje fazem parte da memória dos admiradores do transporte paraibano.
Ao longo do tempo, a empresa formou uma relação particularmente próxima com a Mercedes-Benz, embora também tenha utilizado chassis de outras fabricantes. Um capítulo curioso ocorreu em 1987, quando a empresa adquiriu um Scania K112CL com carroceria Marcopolo Viaggio G4 1100 para atividades de fretamento; outra unidade semelhante chegou em 1989.
Expresso Brasileiro Rio Tinto impulsionou primeira grande expansão
Um dos primeiros movimentos relevantes de crescimento ocorreu com a aquisição da Empresa de Transporte Expresso Brasileiro Rio Tinto Ltda.
A operação acrescentou novos mercados e fortaleceu a presença da companhia principalmente no Litoral Norte paraibano.

Entre as ligações vinculadas à Expresso Brasileiro estavam:
- João Pessoa–Baía da Traição
- João Pessoa–Rio Tinto, via Sapé
- João Pessoa–Guarabira, via Araçagi
- João Pessoa–Mataraca
- João Pessoa–Jacaraú
Posteriormente, os serviços destinados a Guarabira e Jacaraú foram repassados à Expresso Guarabirense.

A companhia também alterou sua razão social para Azevedo & Cia. Ltda., denominação utilizada durante uma longa etapa de sua trajetória. A própria empresa registra que a incorporação ampliou sua presença em localidades como Rio Tinto, Itapororoca, Araçagi, Guarabira e Baía da Traição.
Sanjotur ampliou presença no fretamento e turismo
Em 2003, outro movimento empresarial acrescentou uma nova frente de atuação: a incorporação da Auto Viação Sanjotur.









Segundo o histórico institucional da empresa, a operação tinha como objetivo fortalecer os segmentos de fretamento e turismo, complementando as linhas regulares intermunicipais.

Essa diversificação antecedeu uma das maiores transformações administrativas de toda a história da companhia.
Mudança de controle em 2006 abriu nova fase
Em 2006, após quatro décadas sob administração da família Azevedo, a empresa foi adquirida por um novo grupo controlador ligado à Madiesel, tradicional empresa do setor de peças automotivas na capital paraibana.

A companhia passou então a utilizar a denominação Viação Rio Tinto Ltda. e entrou em uma fase marcada pela reorganização operacional, ampliação de linhas e investimentos em frota. O histórico institucional da empresa também registra 2006 como o início dessa nova etapa administrativa e de expansão pelo Brejo Paraibano.

O momento coincidiu com uma profunda transformação no cenário das empresas intermunicipais da Paraíba.
Falência da Guarabirense abriu caminho para avanço no Brejo
Ainda em 2006, com o encerramento das operações da Expresso Guarabirense, a Rio Tinto assumiu parte das linhas deixadas pela tradicional empresa.








Além das ligações incorporadas, a companhia criou novos serviços, entre eles Baía da Traição–Guarabira, reforçando a conexão entre o litoral e o Brejo.
A expansão ganhou força alguns anos depois.
Em 2009, após mudanças envolvendo a Transportes Boa Viagem, dez linhas originárias da antiga Guarabirense que estavam sendo operadas pela empresa foram transferidas para a Rio Tinto.

A operação alterou significativamente o tamanho e a abrangência da companhia, que passou a ter participação ainda maior no transporte de passageiros da região do Brejo Paraibano. Esse período é apontado nos registros históricos do Ônibus & Transporte como um dos principais momentos de expansão da empresa.
Expresso Paraibano também passou a integrar a trajetória
Ainda em 2009, a Rio Tinto adquiriu a Expresso Paraibano, então pertencente ao empresário conhecido como Toinho da Guarabirense.
A negociação envolveu três ônibus anteriormente adquiridos da Guanabara pela Rio Tinto. Os veículos foram utilizados posteriormente pelo empresário na criação da Lógica Turismo.

Para atender ao crescimento da operação, a Rio Tinto realizou uma expressiva aquisição de veículos usados.
Foram incorporados 20 Marcopolo Ideale 770 sobre chassis Mercedes-Benz OF-1418/52, anteriormente pertencentes à Breda, de São Paulo, além de cinco Marcopolo Paradiso G6 1200 Mercedes-Benz O-500 RS, provenientes da Guanabara.
Cinco Ideale e um Paradiso foram inicialmente destinados à Expresso Paraibano. Posteriormente, o Paradiso identificado pelo prefixo 1450 retornou à Rio Tinto, assim como três dos Ideale, que receberam os números 1405, 1409 e 1414.
Ônibus zero quilômetro voltaram em 2011
Depois de aproximadamente cinco anos sem adquirir veículos novos, a companhia voltou ao mercado de ônibus zero quilômetro em 2011.
Foram compradas cinco unidades Marcopolo Ideale 770, montadas sobre chassis Volkswagen 17-230 EOD.
A chegada dos veículos foi comemorada com uma carreata de apresentação, mostrando o peso que a renovação da frota representava naquele momento para a empresa e para as cidades atendidas.

Em 2013, a Rio Tinto incorporou ainda um Busscar Vissta Buss HI Mercedes-Benz O-500 R, anteriormente pertencente à Viação Bonfim. O veículo recebeu o prefixo 1454.
Bela Vista e Transnorte ampliaram atuação no Agreste e na Mata
A expansão não terminou no Brejo.
Com o encerramento das atividades de outras empresas tradicionais do transporte paraibano, a Rio Tinto voltou a assumir mercados que ficaram sem seus antigos operadores, ampliando ainda mais sua área de cobertura.
Após o fim das operações da Viação Bela Vista, em 2018, linhas anteriormente atendidas pela empresa passaram a integrar a atuação da Rio Tinto. Um levantamento histórico publicado pelo Ônibus & Transporte em 2021 já registrava a incorporação desses serviços.
Situação semelhante ocorreu posteriormente com a Jonas Turismo/Transnorte. Em 2020, a Rio Tinto assumiu novos serviços que eram operados pelas empresas, entre eles diferentes itinerários ligando João Pessoa a Itabaiana e a ligação com Salgado de São Félix.
A entrada nesses mercados reforçou a presença da empresa no Agreste e na Mata Paraibana, fazendo com que sua área de atuação avançasse muito além do eixo que havia dado origem à companhia no Litoral Norte.
Itabaiana simbolizou uma nova frente de expansão
A operação em Itabaiana ilustra bem esse processo.
Com isso, uma empresa historicamente identificada com Rio Tinto, Mamanguape e o Litoral Norte passou a estar presente também em importantes corredores da Mata e do Agreste.
Atualmente, plataformas de comercialização de passagens mostram serviços da companhia ligando João Pessoa a cidades como Mamanguape, Guarabira, Sapé, Baía da Traição, Itabaiana, Areia e Araruna, entre outras localidades.
Modernização colocou ar-condicionado e motor traseiro em destaque
Uma das transformações mais visíveis da Viação Rio Tinto nos últimos anos ocorreu na frota.
A companhia passou a ampliar progressivamente a presença de ônibus climatizados, elevando o padrão de conforto oferecido principalmente nas viagens de maior duração.
Paralelamente, cresceu a utilização de veículos com motorização traseira, configuração tradicionalmente associada a ônibus rodoviários de padrão superior por proporcionar características diferentes de conforto acústico e distribuição mecânica em relação aos modelos com motor dianteiro.
Os Marcopolo Paradiso G7 ganharam papel de destaque nesse processo.
Paradiso G7 tornou-se símbolo da frota atual
Em 2020, a Rio Tinto incorporou três Marcopolo Paradiso G7 1200 Mercedes-Benz O-500 R BlueTec 5, provenientes da UTIL. Na ocasião, os ônibus foram destinados especialmente a linhas de maior demanda.

Novas unidades foram incorporadas posteriormente.
Em janeiro de 2025, o Ônibus & Transporte noticiou a chegada de mais três Paradiso G7 1200, equipados com chassis Mercedes-Benz O-500 RS BlueTec 5, motor OM 460 LA de 354 cv e motorização traseira.

O processo continuou, e atualmente a empresa conta com 16 ônibus Marcopolo Paradiso G7 com motorização traseira Mercedes-Benz, dentro de uma frota total superior a 50 veículos.
A presença dessa quantidade de rodoviários representa uma mudança significativa quando comparada aos períodos em que a maior parte da operação era realizada por veículos de motor dianteiro.
O laranja que se tornou identidade da Rio Tinto
Poucas empresas paraibanas possuem uma identidade visual tão facilmente reconhecida quanto a Rio Tinto.
Embora diferentes pinturas tenham sido utilizadas ao longo de seis décadas, uma das mais lembradas surgiu entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980. O esquema combinava fundo creme com faixas em formato de ondas em diferentes tons de laranja, desenho que se tornou marcante e chegou a inspirar ou coincidir com padrões utilizados por outras empresas brasileiras.
Com o passar do tempo, o laranja ganhou ainda mais protagonismo até se tornar praticamente sinônimo dos ônibus da empresa.
Hoje, mesmo com veículos de diferentes gerações e configurações, a identidade cromática permite reconhecer um ônibus da Rio Tinto a distância.
A antiga fábrica que virou garagem
A história da empresa também se mistura à própria história da cidade de Rio Tinto.
Durante seus primeiros anos, a companhia não tinha garagem nem terminal estruturado no município. Os ônibus faziam ponto final diante da antiga fábrica de tecidos de Rio Tinto, na Rua da Mangueira, e permaneciam ali durante a noite para iniciar as viagens no dia seguinte.
Com o declínio da atividade industrial, no fim dos anos 1980, um antigo depósito de tecidos da fábrica foi arrendado para a transportadora.
O imóvel passou então a funcionar como garagem e terminal da Rio Tinto, tornando-se um dos espaços mais simbólicos da empresa. Em 2008, a estrutura recebeu uma reforma e foi caracterizada com as cores da companhia.
O curioso caso do ônibus 1402
Entre as histórias que atravessaram gerações de funcionários e admiradores da empresa está a do carro 1402.

O ônibus foi negociado juntamente com os prefixos 1429, 1430 e 1434 para a Princesa do Longá, do Piauí.
O 1402 chegou a receber a pintura da empresa piauiense, mas um problema relacionado à regularização do bloco do motor impediu sua transferência.

Sem a possibilidade de concluir a negociação, o veículo retornou à Rio Tinto e ainda circulou durante determinado período usando a identidade visual da Princesa do Longá, tornando-se uma das curiosidades mais lembradas da frota.
Qualidade, meio ambiente e atendimento também entraram na agenda
A modernização da empresa não ficou restrita aos ônibus.
A Rio Tinto passou a adotar programas de gestão e atendimento e mantém referências à NBR ISO 9001:2015 em seus canais institucionais. A companhia também informa participar desde 2012 de iniciativas vinculadas ao Programa Ambiental do Transporte Despoluir, além de manter projetos como Jovem Aprendiz e 5S.
A transformação digital também passou a fazer parte da operação.
Desde 2019, a empresa disponibiliza venda online de passagens, inicialmente integrada ao Guichê Virtual. Atualmente, a Rio Tinto também possui aplicativo próprio para consulta de horários e compra de bilhetes, disponível para Android e iOS. A versão Android registra mais de 10 mil downloads na Google Play.
Do Litoral Norte a diferentes regiões da Paraíba
Se em 1966 a Rio Tinto nasceu essencialmente para unir a capital a Mamanguape e Rio Tinto, seis décadas depois a geografia da operação é muito mais ampla.
O crescimento pelo Litoral Norte foi acompanhado pela expansão no Brejo, com destinos como Guarabira, Solânea, Araruna, Cacimba de Dentro, Dona Inês, Serraria e outras localidades.
A incorporação de mercados deixados por empresas como Guarabirense, Bela Vista e Transnorte/Jonas Turismo permitiu avançar também sobre corredores do Agreste e da Mata Paraibana.
Em 2024, uma tabela oficial de tarifas divulgada em João Pessoa listava serviços da Rio Tinto para destinos como Mamanguape, Rio Tinto, Guarabira, Solânea, Bananeiras, Areia e Sapé, evidenciando a diversidade geográfica da operação.
60 anos transportando histórias
A história da Viação Rio Tinto ajuda a contar parte da própria evolução do transporte rodoviário intermunicipal na Paraíba.

Ao longo de seis décadas, a companhia viu os antigos monoblocos e Ciferal dividirem espaço com novas gerações de ônibus, acompanhou o desaparecimento e o surgimento de empresas, incorporou linhas, atravessou mudanças de administração, avançou sobre novas regiões e transformou sua frota.
Dos ônibus que dormiam diante da antiga fábrica de tecidos aos atuais Paradiso G7 climatizados e com motor traseiro, muita coisa mudou.
O papel da empresa, porém, permanece essencialmente o mesmo: ligar pessoas e cidades.

Neste 26 de setembro de 2026, os 60 anos da Rio Tinto representam mais do que uma data empresarial. São seis décadas de presença diária nas estradas paraibanas e de participação na rotina de passageiros do litoral ao interior.
Uma trajetória que começou em 1966 com poucas linhas e que chega aos 60 anos com mais de 50 ônibus, uma operação regional diversificada e uma das marcas mais reconhecidas do transporte intermunicipal da Paraíba.
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