Grupo Guanabara usa inteligência artificial para definir preços de passagens de ônibus

Plataforma desenvolvida pela Arara Tech e pela Thoughtworks combina previsão de ocupação e análise da demanda para ajustar tarifas. Projeto busca aumentar a receita por quilômetro rodado.
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O Grupo Guanabara implantou uma plataforma própria de precificação dinâmica de passagens rodoviárias que usa aprendizado de máquina para estimar a ocupação dos ônibus e ajustar os preços conforme a demanda. Desenvolvida pela Arara Tech, unidade de tecnologia do grupo, em parceria com a consultoria Thoughtworks, a ferramenta substituiu rotinas manuais que dependiam de três sistemas e planilhas.

Segundo o grupo, a tecnologia atende a uma rede com mais de 850 ônibus, presente em 21 estados e no Distrito Federal. A operação transporta cerca de 27 mil passageiros por dia e percorre aproximadamente 440 mil quilômetros diariamente.

A empresa busca equilibrar o preenchimento dos veículos com a receita por quilômetro rodado. O grupo não informou o percentual de aumento de receita projetado nem o ganho financeiro obtido com a implantação.

Por que as paradas intermediárias influenciam o preço

Em uma viagem rodoviária com várias paradas, um mesmo assento pode ser vendido para o percurso inteiro ou ocupado por passageiros diferentes em trechos sucessivos. A venda de uma passagem para uma seção da rota, portanto, afeta a disponibilidade em outras seções que passam pelo mesmo trecho.

É essa relação que a plataforma procura administrar ao analisar milhões de combinações de origem, destino, classe de serviço, horário e antecedência de compra. O sistema considera um horizonte de até 180 dias antes da partida.

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O modelo trabalha em quatro etapas. Primeiro, agrupa serviços com padrões de demanda semelhantes, o que ajuda a estimar preços para linhas com pouco histórico de vendas. Em seguida, atualiza a previsão de ocupação conforme a data da viagem se aproxima e calcula como a procura tende a reagir a mudanças de preço, medida conhecida como elasticidade-preço.

Na última etapa, um otimizador combina essas informações para ajustar a oferta dentro das faixas tarifárias previstas para cada serviço. Os valores são organizados em degraus de preço, de modo que o sistema possa considerar tanto a ocupação prevista quanto a receita esperada.

Teste alternou períodos com preços automatizados e tabelas convencionais

Para avaliar o desempenho comercial da ferramenta, a equipe adotou um teste por alternância temporal. Em cada eixo de operação avaliado, o grupo intercalou ciclos de cinco dias com preços definidos pelo modelo e ciclos com as tabelas convencionais.

Segundo o Guanabara, a metodologia foi escolhida para respeitar as exigências da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aplicáveis à oferta de preços para o mesmo serviço. A alternância também buscou reduzir a influência da migração de passageiros entre horários sobre os resultados. Assim, a comparação foi feita entre períodos de operação, em vez de dividir os passageiros de uma mesma partida em grupos com preços diferentes.

Analistas acompanham exceções apontadas pelo sistema

A plataforma automatiza a maior parte das decisões de preço e sinaliza os casos que precisam de revisão. Rafael Morelo, líder de Dados da Arara Tech e diretor sênior de Dados, IA e Analytics do Grupo Guanabara, afirma que os analistas intervêm nas exceções identificadas pela ferramenta. A supervisão humana fica concentrada nessas situações.

A infraestrutura usa uma arquitetura Lakehouse, que reúne o armazenamento e a análise dos dados em um mesmo ambiente. O sistema recebe informações em lotes e em fluxo contínuo, usa formatos abertos e aplica regras centralizadas de governança, incluindo o mascaramento de dados sensíveis.

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A equipe também adotou práticas de MLOps, usadas para desenvolver, testar e colocar modelos de aprendizado de máquina em produção. A computação distribuída dá suporte aos ambientes de teste e de operação, enquanto o registro das versões dos modelos permite identificar qual algoritmo foi usado em cada etapa e manter um histórico para auditoria.

Projeto integra modernização da bilhetagem e do monitoramento da frota

A apresentação do projeto foi programada para 5 de novembro, na XConf Americas 2026, conferência promovida pela Thoughtworks no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. O painel reuniu na programação Rafael Morelo e Thuany Junqueira, cientista de dados líder da consultoria.

A precificação automatizada faz parte de uma frente mais ampla de modernização digital do Grupo Guanabara. Segundo a empresa, o volume do canal de bilhetagem on-line dobrou em um ano. A companhia também vem adotando telemetria preditiva na frota, com recursos de monitoramento de fadiga em tempo real.

Com mais de 60 anos de atuação, o Grupo Guanabara reúne mais de 30 empresas. Além do transporte de passageiros, o conglomerado atua nos setores financeiro, imobiliário e de tecnologia, no desenvolvimento de software e na comercialização de veículos comerciais por meio de concessionárias Mercedes-Benz.

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