Viação Itapemirim: a história da gigante que revolucionou o transporte rodoviário brasileiro completa mais um aniversário

Fundada em 4 de julho de 1953, empresa transformou inovação, pioneirismo e visão empresarial em um legado que marcou gerações de passageiros e ajudou a construir a história do transporte rodoviário no ...
Itapemirim

Poucas empresas conseguiram escrever um capítulo tão importante na história do transporte rodoviário de passageiros quanto a Viação Itapemirim. Neste 4 de julho, data em que celebra seu aniversário de fundação, a empresa é lembrada não apenas por sua dimensão operacional, mas principalmente pelo legado de inovação, empreendedorismo e transformação que deixou para todo o setor.

Ao longo de décadas, a marca tornou-se sinônimo de viagens rodoviárias de longa distância, conectando cidades, aproximando famílias e estabelecendo padrões que mais tarde seriam adotados por praticamente todo o mercado brasileiro.

Muito além de uma empresa de ônibus, a Itapemirim foi responsável por introduzir conceitos operacionais, tecnológicos e administrativos que mudaram definitivamente a forma de fazer transporte no país.

Uma história que começou antes mesmo da fundação da empresa

A origem da Viação Itapemirim remonta aos primeiros anos da década de 1940, muito antes da empresa existir oficialmente.

Seu fundador, Camilo Cola, então um jovem morador de Venda Nova dos Imigrantes (ES), tomou uma decisão que mudaria sua própria vida e, futuramente, a história do transporte brasileiro: alistou-se voluntariamente na Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Filho de descendentes de italianos, Camilo decidiu participar da guerra por convicções pessoais e ideológicas, permanecendo na campanha até o fim do conflito, em 1945.

Durante o período no Exército, começou a desenvolver uma característica que marcaria toda sua trajetória empresarial: a capacidade de enxergar oportunidades.

Mesmo sem ser fumante, passou a vender suas cotas de cigarros distribuídas pelo Exército aos companheiros de tropa e, posteriormente, comprava também as cotas dos colegas que não fumavam para revendê-las aos soldados interessados. O pequeno negócio permitiu acumular recursos que seriam fundamentais para seus primeiros investimentos ao retornar ao Brasil.

Dos caminhões nasceu o sonho do transporte de passageiros

Ao retornar ao Espírito Santo, Camilo Cola utilizou o dinheiro economizado durante a guerra para ingressar no comércio de caminhões.

Graças ao benefício concedido pelo governo aos ex-combatentes — que permitia importar caminhões sem pagamento de impostos —, iniciou um próspero negócio de compra e venda desses veículos, expandindo rapidamente sua atuação.

Itapemirim

Sua experiência anterior em uma concessionária Ford, onde trabalhou ainda adolescente em Cachoeiro de Itapemirim, também contribuiu para o desenvolvimento de seu conhecimento sobre veículos e transporte.

Mas seria apenas alguns anos depois que surgiria o projeto que mudaria definitivamente sua vida.

O nascimento da Viação Itapemirim

Em 1948, Camilo Cola participou da criação da Empresa de Transportes Autos Ltda. (ETA), que iniciou suas atividades com apenas um ônibus.

O crescimento foi rápido e, após fusões com outras transportadoras da região, surgiu oficialmente, em 4 de julho de 1953, a Viação Itapemirim, nome escolhido em homenagem ao município onde ficava sua sede.

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Acervo Inbus Transport

Pouco tempo depois, decisões estratégicas moldariam o futuro da companhia.

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Ao reorganizar a sociedade, Camilo optou por permanecer com as linhas que ligavam Cachoeiro de Itapemirim, Vitória, Colatina, Guarapari e Marataízes, regiões que apresentavam maior potencial de crescimento econômico e operacional.

A expansão pelas estradas brasileiras

Ainda na década de 1950, a empresa iniciou sua expansão para além do Espírito Santo.

Primeiro vieram as linhas para o Rio de Janeiro, enfrentando longos trechos de estrada de terra, travessias por balsas e uma infraestrutura extremamente limitada.

Mesmo nessas condições, as viagens de ônibus já conseguiam ser mais rápidas do que o transporte ferroviário em diversos percursos, fator que impulsionou o crescimento da empresa.

A frota evoluiu rapidamente, passando por modelos Chevrolet, Aclo, White, Alfa Romeo e, posteriormente, Mercedes-Benz, acompanhando a evolução da indústria nacional.

Da liderança regional ao protagonismo nacional

Na década de 1960 começou a transformação definitiva da empresa em uma potência nacional.

A conquista da linha Vitória–Belo Horizonte, seguida pela aquisição da Expresso Salvador, abriu caminho para a operação entre Rio de Janeiro e Salvador, consolidando a presença da empresa no Nordeste.

Itapemirim

Vieram depois importantes ligações para Brasília, São Paulo, Porto Alegre, além de sucessivas incorporações de linhas de empresas como Planalto, Nordestina, Nossa Senhora de Fátima, Nacional de Luxo, Caririense, Princesa do Agreste, Expresso Teresina, Expresso Fortaleza e diversas outras.

Ao final desse processo, a Itapemirim já era responsável por ligar o Sudeste, o Nordeste e o Sul do Brasil por meio de uma das maiores malhas rodoviárias do país.

Uma empresa que criou tendências para todo o setor

A importância da Itapemirim vai muito além de sua expansão territorial.

Ao longo dos anos, a empresa implantou soluções que posteriormente passaram a fazer parte da rotina das principais transportadoras brasileiras.

Entre elas destacam-se:

  • Pontos de apoio operacionais, que inspiraram a regulamentação posterior do antigo DNER;
  • Pontos de troca de motoristas, permitindo jornadas mais seguras e melhor qualidade de vida para os profissionais;
  • Treinamento específico para motoristas do serviço leito, priorizando conforto e suavidade na condução;
  • Controle individualizado da manutenção dos veículos, utilizando fichas técnicas semelhantes às empregadas na aviação;
  • Padronização da frota, reduzindo custos e aumentando a eficiência operacional;
  • Implantação de uma ampla rede própria de radiocomunicação, conectando praticamente toda sua operação nacional em uma época em que as telecomunicações brasileiras ainda eram extremamente precárias.

Essas iniciativas consolidaram a empresa como referência nacional em gestão operacional.

A encarroçadora própria e o nascimento dos lendários Tribus

Outra demonstração do espírito inovador da empresa foi a criação da própria fábrica de carrocerias.

Instalada em Cachoeiro de Itapemirim, a unidade passou a produzir aproximadamente 200 ônibus por ano, destinados exclusivamente à operação da empresa.

Foi ali que nasceram alguns dos modelos mais icônicos do transporte rodoviário brasileiro, especialmente a consagrada família Tribus, veículos que marcaram época e permanecem até hoje na memória de milhares de apaixonados por ônibus.

“A Itapemirim faz carrocerias para uso próprio. Produzimos um ônibus que hoje já temos a segurança de que será fabricado pelas encarroçadoras dentro do padrão que sempre desejamos, com todas as dimensões permitidas pelo regulamento e utilizando três eixos. Atualmente, a Mercedes-Benz já oferece definitivamente um ônibus de três eixos com potência adequada. A Scania também dispõe dessa solução, assim como a Volvo. A Itapemirim fez um enorme esforço durante todos esses anos produzindo seus próprios ônibus, longe dos grandes centros de fabricação de peças, fabricando praticamente tudo em Cachoeiro de Itapemirim. Acredito que já não há mais necessidade de continuarmos fazendo esse esforço. Nossa contribuição foi expressiva: chegamos a fabricar cerca de 200 ônibus por ano, todos veículos de grande porte.”
— Camilo Cola, fundador da Viação Itapemirim

No início de 2000, a indústria encarroçadora nacional havia criado todas as condições para atender às necessidades das transportadoras de longo curso e a encarroçadora da Itapemirim começou a ser desativada.

Muito além dos ônibus: um patrimônio da memória nacional

Ao completar mais um aniversário, a Viação Itapemirim continua ocupando um lugar especial na história do transporte brasileiro.

Sua trajetória se confunde com a evolução das rodovias nacionais, da indústria de ônibus e da profissionalização do transporte rodoviário de passageiros.

Viação Itapemirim

Milhões de brasileiros viajaram em seus veículos, conheceram novas cidades, reencontraram familiares e construíram memórias que permanecem vivas até hoje.

Mais do que transportar passageiros, a Itapemirim ajudou a integrar o Brasil, aproximando regiões e contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social de diversas cidades.

Mesmo após tantas transformações ao longo dos anos, seu nome permanece como um dos maiores símbolos da história do transporte rodoviário brasileiro, sendo lembrado com respeito por empresários, profissionais do setor, colaboradores, ex-funcionários e, principalmente, pelos milhões de passageiros que fizeram parte dessa trajetória.

Suzantur homenageia a história da Itapemirim com vídeo especial pelos 73 anos da empresa

Como parte das comemorações pelos 73 anos da Viação Itapemirim, a Suzantur, detentora da marca Nova Itapemirim, produziu um vídeo especial reunindo depoimentos de colaboradores, profissionais do setor e pessoas que tiveram suas histórias ligadas à tradicional empresa capixaba. A homenagem resgata a importância da Itapemirim para o desenvolvimento do transporte rodoviário de passageiros no Brasil e reforça o compromisso da atual gestão em preservar um dos patrimônios mais emblemáticos da mobilidade nacional, mantendo viva a memória de uma marca que marcou gerações de viajantes e apaixonados por ônibus.

Parabéns, Viação Itapemirim. Seu legado permanece vivo nas estradas e na memória de quem acredita que viajar de ônibus é muito mais do que chegar ao destino: é fazer parte da história.

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