O ônibus está mudando. E o comercial das empresas de transporte rodoviário também precisa mudar

Após acompanhar as inovações apresentadas na Lat.Bus 2026, Fernando Roberto Vezaro propõe uma reflexão sobre pricing, Revenue Management, dados e a necessidade de transformar a gestão comercial do ...
ônibus

Por Fernando Roberto Vezaro

Recentemente estive na Lat.bus 2026, principal evento de ônibus da América Latina e observei as novidades em tecnologia de chassis, carrocerias, entretenimento e monitoramento. Isso me fez pensar: estamos preparados, no comercial das empresas, para o salto que está acontecendo no transporte rodoviário de passageiros?

Durante muito tempo, o transporte rodoviário seguiu uma lógica simples: linha → horário → preço (definido pelo órgão regulador) → venda no balcão → embarque. Ou seja, o passageiro não tinha muito poder de escolha.

Mas essa lógica ficou para trás. O passageiro mudou, os canais de venda mudaram, a tecnologia mudou, a concorrência mudou. E, diante disso, a área comercial das empresas ainda precisa passar por uma transformação mais profunda.

Vender uma passagem hoje não é apenas disponibilizar um assento e esperar a compra. É entender quando, por que e onde o passageiro compra, quanto está disposto a pagar e o que faz ele escolher uma empresa em vez de outra.

Ocupação não conta toda a história

A ocupação continua sendo um indicador fundamental, mas uma viagem 100% ocupada nem sempre é o melhor resultado possível.

Imagine duas viagens com o mesmo número de passageiros: uma vendida com antecedência e boa distribuição de preços, outra que precisou de descontos agressivos para atingir a mesma ocupação.

O número de passageiros é semelhante o resultado econômico, não.

É aí que entram conceitos como Pricing e Revenue Management: não se trata de simplesmente subir ou baixar preços, mas de entender o comportamento da demanda e usar a capacidade disponível com mais inteligência.

O preço precisa deixar de ser apenas uma tabela

O transporte rodoviário comercializa uma capacidade perecível: uma poltrona vazia hoje não pode ser vendida amanhã.

Cada lugar tem um valor diferente conforme a antecedência da compra, a demanda, o horário, o dia da semana, a sazonalidade, o mercado e a concorrência.

Por que, então, tratar todas as poltronas da mesma maneira?

Essa é uma discussão que o setor precisa enfrentar.

O comercial precisa se aproximar da estratégia

Na minha visão, o profissional comercial do transporte rodoviário precisa deixar de ser visto apenas como quem vende ou faz vender e passar a participar das decisões sobre mercados, produtos, preços, canais, horários, campanhas e expansão.

Não existe estratégia comercial sustentável quando as decisões são tomadas só com base em percepção.

O futuro não é apenas transportar mais

O futuro do transporte rodoviário não será definido apenas por quem colocar mais ônibus na estrada, mas por quem entender melhor o passageiro, o mercado e a demanda.

Transportar mais é importante, transportar o passageiro certo, no horário certo, pelo canal certo e com o preço adequado pode ser ainda mais importante.

Essa transformação comercial já começou, e as empresas que conseguirem transformar dados em decisões terão uma vantagem cada vez maior.

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