Carrocerias da Ciferal: Líder Turbo Jumbo

Fonte: Mobilidade em foco
Matéria/Texto: Carlos Alberto Ribeiro
Fotos: Divulgação

Em
1970, ano da famosa Copa do Mundo realizada no México, ano em que o Brasil
apresentou ao mundo a sua mais fabulosa seleção, a que marcou o
maior número de gols já feitos pela seleção numa copa, os brasileiros ainda
viviam numa época de crescimento acelerado da economia. O presidente da
República era um militar, o General Emilio Garrastazu Médici, sucessor de Costa
e Silva, vítima de um derrame cerebral (AVC, Acidente Vascular Cerebral). O
clima estava pesado para quem militava no meio político e era da oposição,
principalmente para os que pregavam e defendiam a instalação do comunismo no
Brasil. Mas para os brasileiros comuns, 99% na época, a sensação era de um país
em crescimento, com múltiplas oportunidades. A economia crescia num ciclo
somente visto entre 1957 a 1959, época de JK. A crise econômica por causa da
crise do petróleo só viria a partir de 1973.

No
setor de transportes estava ocorrendo uma rápida transição, com o fim de carros
do padrão “Aero Willys” para o padrão dos carros compactos e econômicos, como o
Corcel, o Fusca, TL, Variant, apenas pra citar alguns. Nos caminhões, o mercado
decretava a “morte lenta” dos veículos com motor a gasolina e o nascimento dos
motores diesel como líderes de mercado. Tanto é que em 1968, com o
Mercedes-Benz L-1111 a marca de origem alemã ultrapassou de vez os Ford F-600 e
Chevrolet C-65, até então líderes em vendas entre os caminhões. No segmento dos
caminhões pesados a Scania se estabeleceu de vez como líder de mercado, com os
seus L 75, L 76, L 100, L 110. Depois vinha a FNM e a Mercedes com os LP-1520.
Entre os ônibus a Mercedes-Benz, assim como nos
caminhões, com os seus famosos modelos monoblocos, assumia de vez a liderança
de mercado. Como fornecedora de chassis médios, então, tinha mais de 70% do
mercado.

Mas o Brasil é um país continental, de distâncias
enormes e as linhas de ônibus, com a abertura de mais e mais estradas, cada vez
ficavam mais longas. Afinal, o lema do governo federal, em 1970, era: “Governar
é abrir estradas”.

Para as linhas de ônibus mais longas, o mercado
passou a se pautar por veículos mais potentes. Veículo potente, naquela época
atendia por um nome, Scania. Chassi pesado era Scania. Assim como chassi médio
era Mercedes. 


Em 1968 a Scania tinha lançado um chassi
revolucionário, que a fez se distanciar dos demais concorrentes quando o
assunto era chassi pesado. Tratava-se do chassi B 110, com inúmeras inovações,
como freio de estacionamento mais moderno, suspensão pneumática traseira e um
motor com uma potência incrível pra época, 285 cv. Tratava-se de um moderno
motor de 10 litros, posição dianteira no chassi, com sistema de injeção
mecânica direta, turboalimentado e caixa de câmbio de cinco marchas a frente,
todas sincronizadas. Em relação ao chassi anterior da Scania, o B 76, lançado
em 1962, que tinha 195 cv de potência, o B 110 deu um salto notável. 

Um grande chassi exige uma carroçaria de ponta, que
sirva pra seduzir os passageiros nas rodoviárias e trazer retorno financeiro a
empresa e ganho de imagem institucional perante clientes ativos e potenciais. A
Viação Cometa, já naquela época, considerada o “suprasumo” entre as empresas de
ônibus pelos seus “carrões”, alguns importados, como os GM Coach, simpatizou
com um projeto novo da encarroçadora Ciferal. Era nada mais nada menos do que o
primeiro ônibus fabricado no Brasil cuja carroçaria tinha 2,60 metros de
largura. Até então todas as carroçarias tinham 2,40 metros de largura. Uma
largura maior no salão de passageiros permite a instalação de poltronas mais
largas, de corredores com maior espaçamento. Resumindo, mais conforto
para os passageiros. 

O novo modelo da Ciferal era o Líder “Turbo Jumbo”.
E a Cometa foi a primeira empresa do Brasil a utilizar nas suas linhas essa
nova carroçaria com 2,60 metros de largura, padrão até hoje no mercado. Os
novos ônibus foram montados sobre chassis Scania B 110. Sua viagem inaugural
foi em 1970 na linha São Paulo x Campinas. Com 41 assentos e suspensão traseira
a ar, o novo ônibus foi um sucesso de mercado nos anos 70. Grandes empresas
como a Cometa e a Itapemirim utilizaram o veículo em linhas de média e grande
distância, tanto na configuração de salão de passageiros leito quanto convencional.

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