O projeto do BRT em João Pessoa

Fonte: ANTP


Texto: Jessé Pedro Gomes Junior /
Lidiane Cristina Félix Gomes / Paulo Finazzi Medeiros
Fotos: ANTP / Acervo Paraíba Bus Team / OCD Holding

Com o crescimento acelerado das cidades e seu
respectivo aumento de demanda para novas tecnologias em sistemas de
transportes, novos meios de transporte vem sendo implantados dentro do espaço
urbano, visando alternativas sustentáveis para a mobilidade urbana. Nesse
cenário, os BRT’s (Bus Rapid Transit) tem se tornado uma alternativa
interessante para a melhoria do transporte público de diversas cidades,
passando a ser incluído como peça fundamental do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento) da mobilidade urbana do governo federal, com meta para operação
até a Copa do Mundo de 2014. Foi realizada uma análise critica da implantação
BRT, a partir do projeto concebido pela SEMOB – Secretaria de Mobilidade
Urbana, na cidade de João Pessoa – PB, a fim de identificar as implicações de
sua inserção dentro do espaço urbano.

Pelas características inerentes a este
município foi observado que a implantação do sistema, tomando como foco a
Avenida Epitácio Pessoa, via principal que interliga o centro da cidade ao litoral,
acarretará um intenso congestionamento, devido ao precário planejamento de
execução, que na implantação do canteiro de obras, reduzirá de três faixas
existentes para apenas duas. Outro item observado é ausência indicativa de
pontos estratégicos para a interligação com outros tipos de sistemas de
transporte, o que inviabiliza o embarque e desembarque dos passageiros,
tornando a implantação do BRT antagônico, visto que o sistema é moderno e tem
como principal objetivo a melhoria do sistema de transportes, mas que pela
inadequada implantação, proporcionará um caos no cotidiano da população. 
Atualmente, diversos países fazem uso de sistemas BRT
ou estão em fase de construção ou planejamento. No Brasil, 09 das 12
cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 estão planejando a implantação
de sistemas BRT para a melhoria da mobilidade urbana.

A dissonância entre o desenvolvimento tecnológico e os
atuais problemas em torno dos sistemas de transporte coletivo, tem suscitado
debates cada vez mais frequentes quanto à qualidade do serviço ofertado e a sua
potencialidade para solucionar ou, ao menos, reduzir os congestionamentos nas
grandes cidades.
A polêmica é ainda mais contundente no Brasil, pois
apesar de suas dimensões continentais favorecem o uso de modais ferroviários, os
rodoviários, como os ônibus, respondem por 88% das viagens de transporte
coletivo realizadas por ano (PARAÍBA, 2012), além da facilidade de crédito para
aquisição de automóveis particulares e motocicletas, o transporte coletivo necessita
rever conceitos para aumentar a sua atratividade para usuários. Nesse contexto
contraditório, muito tem sido discutido sobre as potencialidades dos sistemas
Bus Rapid Transit (BRT) como uma alternativa para qualificar o transporte por
ônibus. Atualmente, diversos países fazem uso de sistemas BRT ou estão em fase
de construção ou planejamento.
Notadamente os sistemas BRT vêm se qualificando como
uma das principais opções para o transporte coletivo urbano e metropolitano, o
que resulta da adoção de configurações físicas e operacionais que melhoram o
desempenho de sistemas tradicionais de superfície baseados em ônibus, tornando
este modal mais competitivo.

A experiência com sistemas de ônibus de alta capacidade
resulta de um processo de tentativa e erro combinado com doses de pragmatismo e
empirismo Tipicamente os projetistas tendem a tomar suas decisões com base no
desempenho observado em outros sistemas já implantados que apresentam um padrão
similar de configurações físicas e operacionais ao proposto. Até pouco tempo,
havia a falta de instrumentos para o estudo da complexidade das interações dos
elementos.
Apesar do crescimento acelerado no número e extensão de
corredores BRT, o impacto dos elementos de projeto no desempenho do BRT ainda
não é perfeitamente compreendido. Também revela que esses elementos tendem a
ser avaliados de forma um tanto isolada e que, portanto, o desempenho
resultante de combinações dos elementos de projeto não foi ainda
suficientemente explorado.

O foco da pesquisa foi uma análise critica da
implantação do BRT, a partir de projeto concebido sob a responsabilidade da
Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (SEMOB-JP)
objetivando identificar as implicações de sua inserção dentro do espaço urbano,
na cidade de João Pessoa.

DIAGNÓSTICO E PROPOSIÇÕES

Fatores condicionantes para a eficiência do sistema BRT
ocorrem principalmente pela possibilidade de integração com outros modais,
mesmo não motorizados, e a facilidade de acesso às estações, por outras vias,
mas é importante frisar que serão necessários investimentos em todo o entorno
dos locais a ser implantado o sistema, como a Avenida Epitácio Pessoa por
exemplo.
Para ser considerado um BRT, o sistema deve atender a
alguns requisitos, mas sua flexibilidade permite que alguns itens sejam dispensados
sem comprometer sua eficácia. A instalação de uma via exclusiva para os veículos
tem papel fundamental para garantir o funcionamento do sistema, uma vez que não
há interferências em seu trajeto, é possível controlar a frequência, velocidade
e pontualidade do transporte público.
Atualmente, a não priorização dos veículos de transporte
de massa é um agravante dos congestionamentos, que são cada vez mais frequentes
e duradouros no maior corredor viário da capital paraibana. Além da
exclusividade, é necessário que os veículos tenham prioridade nos semáforos e
cruzamentos, quando existirem.

Entre as diversas condições pertinentes à implantação
do BRT, o ponto de partida não deve ser nem a infraestrutura nem os veículos. O
sistema deve ser projetado para satisfazer seus usuários. Nessa perspectiva
devem-se avaliar as condições de uso e se o sistema atende as condições
esperadas.
Segundo Brasil (2008) determinados sistemas que podem
ser implantados afetam diretamente a velocidade dos veículos, o impacto
ambiental e as qualidades estéticas do sistema. Um dos modelos a serem adotados
usam os corredores exclusivos para o tráfego de veículos de alta ocupação,
porém ao restringir o acesso a operadores específicos, em geral, requer a alteração
do sistema gerencial do setor (Figura 2).

Outro ponto importante na implantação refere-se a
escolha do percurso a ser desenvolvido, pois para prestar serviços de
transporte público para as partes mais densas da cidade, geralmente requer um
alto volume de veículos de alta capacidade, enquanto as áreas residenciais de
baixa densidade podem ser servidas de forma mais econômica com veículos
menores. A solução adotada no município de João Pessoa prevê a implantação dos
BRTs apenas em vias arteriais de grande fluxo de pessoas de forma a aproveitar
ao máximo as condições de uso do sistema e aproveitar os outros modais já em
operação
(Figura 3). 

Determinados os corredores do sistema BRT, a provisão
de alta capacidade passa a ser a principal consideração do projeto. Apesar
disso, pode-se facilmente inferir que veículos grandes não são sempre
necessários e podem ser prejudiciais ao desempenho do sistema. Para mitigar
tais problemas, o BRT João Pessoa prevê uma tecnologia que sintoniza o timer
dos semáforos das avenidas onde serão implantados, com o intuito de priorizar
primordialmente o tráfego dos veículos do sistema.

Uma vantagem que o sistema vai absorver em sua implantação, trata-se do
pagamento das passagens por bilhetagem eletrônica, assim como é utilizado
atualmente no município, o que irá reduzir o tempo gasto com o pagamento e a
verificação de passageiros. Em relação aos veículos a serem utilizados no
sistema, as portas de acesso são parte importante na implantação, pois todos os
esforços aplicados à via, ao tamanho do veículo, e ao projeto das vias de
acesso principal. Para ilustrar esse problema a Tabela 1, mostra como a
configuração do sistema utilizado nos veículos influencia diretamente no tempo
desperdiçado para embarque e desembarque de passageiros, variando de 0,5 a 3,0
segundos por passageiro.

RESULTADOS
Planejar um BRT em geral é um processo dialético, pois
é importante ter-se clara a ideia do impacto do planejamento junto ao sistema
de transporte atual, e assim revisar a proposta para melhorias antes de sua
implementação. Ou seja, depois de pronto o plano operacional completo do
sistema, deve ser aplicado um exercício de simulação de tráfego.

Também é importante definir, o impacto que o novo
sistema de BRT terá sobre os serviços existentes de ônibus e transportes
coletivos alternativos. Ou seja, o novo sistema a ser implantado terá
influência no nível de migração modal, que ficarão seriamente comprometidos nas
vias onde serão implantados os BRT.

Sem o sistema de BRT, a projeção para os próximos 20 anos, mostra um
crescimento no tráfego de veículos motorizados e diminuição de velocidade,
tanto para o transporte público, quanto para o tráfego misto, até que a falta
de capacidade viária adicional sufoque o crescimento, a ponto de saturação total
(PARAÍBA, 2011).
O BRT provavelmente representará uma transformação
dramática nos corredores propostos. Como acontece com qualquer projeto dessa
magnitude, o sistema gerará uma quantidade considerável de empregos através de
sua construção.

Porém a alteração dos serviços de transporte público
existentes nas vias de implantação do BRT irá aumentar o número de passageiros
por veículo. Esse processo pode levar a substituição seis ou mais ônibus
menores, com seus motoristas e cobradores, por um único ônibus maior no
corredor.

Em relação aos impactos sociais, uma das maiores preocupações se dá em relação
a desapropriação de propriedades, principalmente na atual conjuntura de especulações
imobiliárias e desenvolvimento econômico. Mas o projeto do BRT em João Pessoa
prevê o mínimo de desapropriações utilizando para isso os espaços de passeio e
canteiros ao máximo.
 
CONCLUSÕES

Maior agilidade e conforto são as principais vantagens prometidas pelo sistema BRT.
Com capacidade de até 180 passageiros, os veículos serão climatizados e
atenderão usuários de diversas estações, que substituirão os atuais pontos de
ônibus. Além das estações espalhadas pela cidade, existirão os terminais que
farão a integração entre as linhas.

A sistemática da implantação do sistema BRT em João Pessoa, ainda carece de um
melhor entendimento sobre o impacto dos elementos de projeto no desempenho do sistema
como um todo. A revisão da literatura propiciou a identificação dos elementos
de projeto considerados como críticos para o desempenho de sistemas de ônibus
de alto rendimento.

As análises constaram, principalmente, que embora limitado às condições de projeto
preliminar apresentado pela SEMOB, há uma necessidade clara de se avaliar, quando
da etapa de implementação do sistema, o efeito dos elementos críticos no desempenho
de um sistema BRT.

Ao comparar as condições do sistema atual, com as possibilidades propostas pelo
BRT a ser implantado, percebe-se que diversos problemas encontrados atualmente serão
mitigados, como por exemplo, a má distribuição das linhas das periferias que
seguem indiscriminadamente para o centro, como em Mangabeira que funciona
atualmente com 15 linhas e cinco terminais.
Em suma, cada projeto é único na medida em que a
quantidade possível de combinações de elementos é praticamente infinita. Mesmo
assim, conhecer o impacto dos principais elementos e os efeitos das interações
entre eles, aumenta as chances de sucesso na implantação real.

1 comentário em “O projeto do BRT em João Pessoa”

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