Lucro líquido da Marcopolo cai 19,4% no semestre

Fonte:
Automotive Business
 
Foto: Rodrigo Gomes
O lucro líquido da Marcopolo
recuou 19,4% no primeiro semestre quando comparado ao mesmo período do ano
passado, para R$ 104,6 milhões, sendo R$ 0,11 por ação, 19,3% abaixo do valor
registrado há um ano, informa a fabricante de carrocerias de ônibus.
O faturamento líquido diminuiu 11,1%, para R$ 1,56 bilhão, considerando as
operações no exterior. No Brasil, a receita ficou 18,3% menor, para R$ 1,07
bilhão, enquanto o faturamento de exportações em outros países cresceu 10,1%,
ao somar R$ 493,8 milhões.

Na primeira metade do ano, a produção caiu 14,9%, para 13,8 mil unidades,
impactada negativamente pela maior queda no segmento rodoviário, cuja entrega
ficou 28% abaixo da primeira metade do ano passado, de 5 mil unidades para 3,6
mil neste ano. Segundo a Marcopolo, o desempenho negativo do segmento se deve
às indefinições das linhas interestaduais e pelo menor volume de exportações
para a Argentina.


O segmento de ônibus urbanos recuou com intensidade menor, 9,9% no período,
passando de 8,9 mil para 8 mil unidades. No exterior, a produção subiu 3,8%,
para pouco mais de 1 mil ônibus fabricados no semestre. A Marcopolo fechou o
primeiro semestre com queda de 4,8 pontos porcentuais em sua participação de
mercado no Brasil, encerrando o período com 35,5%, fatia que não inclui a
Volare.

REVISÃO

Com o resultado apresentado, a fabricante revisou para baixo suas expectativas
para o ano: o faturamento líquido ficou R$ 400 milhões abaixo do projetado
anteriormente, de R$ 3,8 bilhões para R$ 3,4 bilhões, baseada na estimativa
menor de vendas no Brasil e em outros mercados. A empresa também cortou os
investimentos para R$ 130 milhões, antes previstos em R$ 160 milhões em 2014.
No consolidado do ano, a Marcopolo espera a produção total de 19 mil veículos
contra as 20,8 mil unidades entregues em 2013.

“Ainda que o terceiro trimestre já apresente sinais de melhora, com um mix
maior de veículos pesados, é inegável que os desafios para a indústria
persistirão pelo menos até o fim do ano”, informa em comunicado.

Entre as dificuldades apontadas em seu relatório financeiro, a Marcopolo
enumera as indefinições das linhas interestaduais e as restrições nos repasses
de tarifas dos ônibus urbanos em algumas cidades do País, que afetaram a
demanda, e, por consequência, a performance da empresa no primeiro semestre.

Para o segmento de ônibus rodoviários, a sanção da Medida Provisória nº 638,
que altera o regime de concessão das linhas interestaduais e internacionais para
o modelo de autorização, e que ainda depende da regulamentação da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode apresentar um impacto positivo.

“A expectativa é que assim que a regulamentação for definida, mais empresas
retomarão a renovação de suas frotas, especialmente em função de que
regulamentação deverá abranger uma substantiva baixa da idade média dos
veículos”, diz o comunicado. Já no segmento de urbanos, a fabricante informa
que há melhoras em algumas cidades brasileiras.

Com relação às medidas de estímulo econômico, a empresa pondera que a
manutenção do Reintegra e da vigência permanente da desoneração da folha
contribuirão para melhorar a competitividade da indústria.


Para o programa Caminho da Escola, a Marcopolo se habilitou para produzir e
fornecer até 4,1 mil ônibus, entretanto, coloca que as verbas disponíveis
limitem em 50% a produção do lote previsto:

“A companhia segue na expectativa da confirmação por parte do governo da
liberação de verbas adicionais para o programa até o final do ano.”

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