Do design a praticidade: a atemporalidade visual

Fonte:
Canasvieiras


Fotos: Thiago Martins de Souza / JC Barboza / Rodrigo Gomes


A menor preocupação da inovação visual é a praticidade e a manutenção. Quando
falamos de carros, isto é muito da verdade. Ninguém projeta um carro
pensando em facilitar o seu conserto em caso de batidas. Impacto visual e
segurança são as reais preocupações. E a atual onda de modelos com impulsivos
vincos laterais que o digam.

E
em ônibus? É bem verdade que “foi se o tempo da caixa de sapatos”.
Atualmente, algumas linhas de modelos tem cromados, vincos, peças inteiriças e
por ai a fora. A grande verdade é que hoje, além do transporte ser moderno, ele
tem que parecer moderno. E no caso do transporte por ônibus, ele, naturalmente,
é o slogan dos sistemas modernos.

Quando analisamos alguns modelos que temos mais experiência, da fabricante
Marcopolo, fica claro que o design visual de ônibus mudou de nível nos últimos
anos. O mais que famoso Torino demonstra esta mudança. Voltemos para 1994, e o
famoso Torino GV. Linhas retas, para-choques frontais e traseiros em peças
únicas e anexas a uma carroceria praticamente quadrada. Um retrato de
preocupação com a praticidade de manutenção. Mesmo o Torino GVU, já em meados
de 1998 mudou pouco neste DNA, somente arredondando o mesmo conceito.

Com o lançamento da linha Rodoviária G6 em meados de 2000, os nosso Torino GVU
se distanciaram em design do primo distante. A linha rodoviária passaria a ter
um visual muito mais moderno que a urbana.

Porém, em meados de 2001/2002 o modelo Viale Urbano aproximaria estes
conceitos. O “rodoviário urbano” traria muito do rodoviário, seja no
design dos farois dianteiros e traseiros, altura de saia e até no uso de chapas
laterais maiores, passando um ar “clean”, mais leve ao modelo. Considerado
por muito como um dos modelos urbanos com visual mais acertado da história,
passa até a parecer mais moderno que o próprio Gran Viale, lançado anos depois.

O Torino de 2007, reforçou ainda mais este processo. Aplicando uma plataforma
exclusiva para o urbano, se distanciou completamente da linha rodoviária. Com o
lançamento do rodoviário G7 logo após, o design dos modelos rodoviários e
urbanos perdia a proximidade da dupla G6 e Viale de tempos atrás.

Ao comparar um Torino e um Viale, as virtudes aparecem. Faróis com moldes
visuais, chapas maiores laterais, portas sem vão externo. O Viale tem detalhes
visuais interessantes, mas todos sem exceção se traduzem em tempo parado.
Usemos os citados: os faróis tem que ser trocados em completo, ao contrário do
Torino, que troca uma lente por vez. As chapas laterais longas, geram maiores
serviços de chapeação ,enquanto no Torino, são separadas em gomos e parafusadas
nas estruturas. As portas do Viale, maiores, sofrem com a regulagem, coisa que
no Torino, por usar um sistema muito mais simples, não ocorre.


Com o lançamento da linha BRT, novamente a aproximação entre rodoviários e
urbanos aconteceu. Sistemas BRT devem ser modernos, então, nada mais natural
que esta ocorrência. Porém, o Torino 2014 aproximou a própria linha urbana do BRT,
e consequentemente do rodoviário. Desta forma, pela primeira vez, temos um
conceito “único” entre a linha premium urbana, o rodoviário e o
urbano do dia a dia. Isto demonstra, em partes, como a preocupação com o
“visual moderno” está sendo levada a sério pelas encarroçadoras.

Porém, de todos os citados acima, um novamente deve ser mencionado. O Viale
Urbano, para muitos, é um dos poucos conceitos de carroceria que se tornaram
atemporais. Não parece ter mais de 10 anos em seu conceito, e por muitas vezes
soam até mais modernos que modelos lançados anos depois. Casos como o do Viale
e do Urbanuss Plus fazem da história das carrocerias um estudo sempre mais
interessante.

Será que o Viale BRT será moderno daqui a 10 anos? Só o tempo dirá.

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