Acessibilidade é um dos pontos fracos do BRT do Recife no Norte/Sul

Fonte:
Diário de Pernambuco
Fotos: Tânia Passos



A
acessibilidade dos pedestres às estações de BRT do corredor Norte/Sul é hoje um
dos desafios da obra, que tem como novo prazo de conclusão o mês de maio. Mesmo
com um desenho já definido da PE-15, rodovia estadual onde foi implantado o
corredor Norte/Sul, a logística da acessibilidade das estações de BRT –
inseridas no canteiro central da via – apresenta soluções complicadas para o
pedestre e pior ainda para os cadeirantes, pela topografia do terreno.

O
Diario visitou as estações da PE-15 no trecho entre Olinda e Paulista. Nas
quatro primeiras estações localizadas no sentido Paulista, as faixas de
pedestre já foram pintadas. Em uma delas, já foi construído um pórtico, onde
deverá ser instalado um semáforo. Nas outras, há sinais próximos que poderão
ser relocados para as faixas.
 
Duas
estações no trecho de Olinda são mais complicadas para os cadeirantes por causa
do terreno. As estações ficam em um nível bem abaixo das pistas de rolamento do
tráfego misto. E o corredor central fica separado entre dois paredões. Para
fazer a acessibilidade foram construídas rampas acompanhando a descida do
terreno até as estações. Além de estreitas e em desenho pouco flexível para um
cadeirante, elas também apresentam uma alta declividade entre a rodovia e a
calçada, o que pode impossibilitar, na prática, o acesso do cadeirante.

Outro
problema é a falta de continuidade do traçado a ser feito pelo pedestre. Em
vários momentos flagramos pedestres fora da faixa, que tem o desenho interrompido.
A faixa começa em uma via e a continuação dela para a seguinte fica mais acima
ou mais abaixo, dependendo do sentido. “Se for para atravessar na faixa eu
tenho que subir até perto da estação. Como já estou na metade do caminho, eu
sigo em frente”, afirmou a comerciante Meirevalda Silva, 43 anos.

Perto
da casa onde mora, a aposentada Anita Rodrigues, 84, aguarda o ônibus na PE-15.
Ela ainda não usa o BRT, cuja estação Francisco de Assis, em Paulista, não está
pronta. Por causa da declividade do terreno, está sendo instalada uma passarela
de ferro, que ao invés de tranquilizá-la trouxe mais apreensão. “Era mais fácil
quando a parada ficava na calçada. Acho complicado ter que subir essa
passarela, mas com a estação do outro lado, não tem outro jeito”, revelou.
 
De
acordo com a Secretaria das Cidades, o projeto das obras de acessibilidade foi
elaborado corretamente. “O projeto está dentro das normas, mas se houver algum
problema na execução, nós iremos verificar”, afirmou o secretário executivo
Gustavo Gurgel.
 
Requalificação
ainda sem data definida
 
A
conclusão das obras do corredor Norte/Sul em maio, caso se confirme, ainda não
irá significar a requalificação da PE-15. A obra que prevê a melhoria das
calçadas e o resgate da antiga ciclovia, orçada em R$ 14,5 milhões, ainda não
tem data para ser iniciada, mas a expectativa da Secretaria das Cidades é dar a
ordem de serviço neste semestre e com prazo de execução de seis meses.
 
A
requalificação será feita com recursos do governo do estado e embora a obra
tenha sido licitada no ano passado, o montante terá que ser incluído no
orçamento do estado no exercício de 2015. “Estamos aguardando a inclusão no
orçamento para darmos a ordem de serviço. Mas, temos ainda pendências de alvará
com as prefeituras de Olinda e Paulista”, ressaltou o secretário executivo
Gustavo Gurgel.
 
A
obra irá abranger o perímetro de Abreu e Lima até as imediações do Complexo de
Salgadinho, Olinda. Além das calçadas e ciclovias, está prevista melhoria dos
acessos dos veículos e nova iluminação pública. “Há trechos da PE-15 sem
calçada, mas o projeto teve essa preocupação de oferecer passeio ao longo do
corredor de transporte”, afirmou Gustavo Gurgel.
 
Saiba
Mais

Corredor Norte/Sul

33,2 km de extensão
R$ 151 milhões
300 mil passageiros/dia
27 estações previstas
16 estações em operação
11 estações em obras
3 estações deverão ser entregues em fevereiro

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