Jabour e Sancetur vencem lotes do Sistema RIO que prevê 1.006 ônibus novos na Zona Oeste do Rio

Segunda etapa da licitação contempla Santa Cruz, Guaratiba, Campo Grande e Bangu e prevê crescimento de 54% da frota; novos ônibus serão zero-quilômetro, climatizados, acessíveis e monitorados em ...
Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro avançou nesta sexta-feira (28) em uma nova etapa da reestruturação do transporte coletivo municipal com a realização da licitação de três lotes do Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus na Zona Oeste. As propostas apresentadas pelas empresas Jabour e Sancetur foram as vencedoras do certame, que prevê ampliar de 654 para 1.006 ônibus a frota destinada às regiões de Santa Cruz, Guaratiba, Campo Grande e Bangu.

O crescimento representa aproximadamente 54% sobre a quantidade atual de veículos nas três áreas. Além da expansão da frota, o planejamento prevê aumento no número de linhas e a utilização de ônibus 100% zero-quilômetro, equipados com ar-condicionado, acessibilidade, tomadas USB e USB-C, câmeras, GPS e diferentes sistemas de monitoramento.

A concorrência foi realizada na sede da Procuradoria Geral do Município (PGM), no Centro do Rio, e adotou como critério o menor valor por quilômetro rodado. A Jabour apresentou a melhor proposta para um dos lotes, enquanto a Sancetur ficou à frente nos outros dois.

Apesar da definição das melhores propostas comerciais, o processo ainda não está concluído. Após essa etapa, a sessão foi suspensa para a análise da documentação de habilitação jurídica e técnica das participantes.

A expectativa da Prefeitura é que os novos ônibus previstos nesta segunda etapa comecem a circular no primeiro trimestre de 2027.

Jabour apresenta proposta de R$ 10,64 por quilômetro para Campo Grande e Guaratiba

No Lote B1-B8, correspondente às regiões de Campo Grande e Guaratiba, a Jabour apresentou proposta de R$ 10,64 por quilômetro rodado.

Atualmente, a área conta com 21 linhas e 174 ônibus. Com a implantação prevista pelo Sistema RIO, a oferta será elevada para 23 linhas, enquanto a frota deverá alcançar 291 veículos.

Isso representa a incorporação de 117 ônibus em relação à frota atualmente considerada para o lote, correspondendo a um aumento de aproximadamente 67%.

A ampliação busca elevar a capacidade de atendimento de uma das áreas mais populosas e territorialmente extensas do município.

Sancetur fica à frente nos lotes de Santa Cruz, Guaratiba e Bangu

A Sancetur apresentou as menores propostas em outros dois lotes colocados em concorrência nesta segunda etapa.

Para o Lote A1-B6 – Santa Cruz e Guaratiba, a empresa apresentou valor de R$ 10,40 por quilômetro rodado.

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Nesse conjunto, o número de linhas deverá aumentar de 17 para 19, enquanto a frota passará dos atuais 207 para 311 ônibus, representando 104 veículos adicionais.

Já no Lote C1-C2 – Bangu, a proposta apresentada pela Sancetur foi de R$ 11,78 por quilômetro.

A região deverá passar de 28 para 29 linhas, enquanto a quantidade de ônibus aumentará de 273 para 404 unidades, um acréscimo de 131 veículos.

Frota das três áreas passará de 654 para 1.006 ônibus

Somados, os três lotes representam uma mudança significativa na oferta de transporte coletivo da Zona Oeste.

Atualmente, as regiões contempladas nesta etapa possuem 654 ônibus. O planejamento estabelece uma frota operacional de 1.006 veículos, acrescentando 352 unidades e proporcionando um crescimento de aproximadamente 54%.

A distribuição prevista é de 311 ônibus e 19 linhas no Lote A1-B6, que atende Santa Cruz e Guaratiba; 291 ônibus e 23 linhas no Lote B1-B8, de Campo Grande e Guaratiba; e 404 ônibus e 29 linhas no Lote C1-C2, correspondente à região de Bangu.

Além da divisão territorial, o edital organiza os serviços de cada lote nas categorias Entrada, Plena e Expandida, contemplando as seguintes linhas:

Lote A1-B6 reúne linhas de Santa Cruz e Guaratiba

O Lote A1-B6, no qual a Sancetur apresentou a proposta de R$ 10,40 por quilômetro rodado, contempla serviços das regiões de Santa Cruz e Guaratiba. A frota prevista passa de 207 para 311 ônibus, enquanto a quantidade de linhas aumenta de 17 para 19.

Na configuração estabelecida para o lote, os serviços estão distribuídos da seguinte forma:

Entrada: 719, 753, 754, 756, 759 e SN759.

Plena: 750, 758, 815, 839 e 877.

Expandida: 838, 866, 871, 876, 884, 897, SN884 e SN897.

Com a implantação do novo contrato, essas linhas passarão a integrar a estrutura operacional prevista para o Sistema RIO na área de Santa Cruz e Guaratiba.

Lote B1-B8 contempla linhas de Campo Grande e Guaratiba

O Lote B1-B8, correspondente a Campo Grande e Guaratiba, teve a Jabour como responsável pela menor proposta comercial, no valor de R$ 10,64 por quilômetro rodado.

A operação prevista contará com 291 ônibus, ante os atuais 174, enquanto a oferta aumenta de 21 para 23 linhas.

Os serviços estão divididos nas seguintes categorias:

Entrada: 731, 765, 770, 771, 790, 796, 798, SN731, SN790 e SV790.

Plena: 827.

Expandida: 820, 852, 854, 856, 857, 867, 872, 885, SN857, SN867 e SV820.

A região terá, proporcionalmente, uma das maiores ampliações de frota desta etapa, com 117 ônibus adicionais em relação à quantidade atualmente considerada.

Lote C1-C2 concentra maior frota da segunda etapa

Já o Lote C1-C2, referente à região de Bangu, é o maior dos três em quantidade de veículos. A frota deverá aumentar dos atuais 273 para 404 ônibus, enquanto o número de linhas passa de 28 para 29.

A Sancetur apresentou a menor proposta comercial para o lote, de R$ 11,78 por quilômetro rodado.

A distribuição dos serviços prevista para a área é:

Entrada: 369, 393, 737, 741, 743, 745, 746, 764, 768, 791, 803, 812, 819, 926, SD812, SN393, SN768, SN803, SN812, SN819 e SV819.

Plena: 800.

Expandida: 718, 802, 864, 918, SD864 e SN918.

Com 404 veículos, o Lote C1-C2 concentrará aproximadamente 40% dos 1.006 ônibus previstos nos três lotes desta segunda etapa do Sistema RIO.

Novos ônibus serão 100% zero-quilômetro

Além do crescimento quantitativo, a licitação estabelece uma renovação integral dos veículos utilizados nos lotes.

A nova frota deverá ser composta por ônibus 100% zero-quilômetro e acessíveis. Os veículos básicos terão piso baixo e rampas de acesso, facilitando o embarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Todos os ônibus serão equipados com ar-condicionado e sensores de temperatura, permitindo acompanhar as condições de climatização durante a operação.

A especificação contempla ainda carregadores USB e USB-C, disponibilizando aos passageiros pontos para recarga de dispositivos móveis durante os deslocamentos.

GPS permitirá acompanhamento pelo Centro de Controle Operacional

A tecnologia embarcada será uma das principais ferramentas do novo modelo de fiscalização.

Os veículos terão GPS integrado ao Centro de Controle Operacional, permitindo acompanhar os ônibus durante a prestação dos serviços.

A frota contará também com câmeras internas de segurança, painéis eletrônicos destinados à apresentação de informações aos passageiros e botão de emergência para o motorista.

O objetivo é ampliar a quantidade de informações disponíveis tanto para o gerenciamento da operação quanto para a fiscalização realizada pelo poder público.

Sistemas ITS permitirão monitoramento da operação em tempo real

As concessionárias também ficarão responsáveis pela instalação dos Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS).

A tecnologia permitirá à Prefeitura acompanhar a frota em tempo real e analisar indicadores relacionados à execução dos serviços.

Com essas informações, o município pretende ampliar a capacidade de verificar o cumprimento da programação estabelecida nos contratos e cobrar os padrões de qualidade definidos para cada operação.

O novo modelo prevê ainda a utilização do Índice de Qualidade do Transporte (IQT) como instrumento de avaliação do desempenho das concessionárias.

Remuneração passa a considerar quilômetro rodado

Uma das principais mudanças introduzidas pelo Sistema RIO está no modelo econômico dos contratos.

As empresas passam a ser remuneradas por quilômetro rodado, seguindo a lógica estabelecida no processo licitatório. Por isso, a concorrência utilizou justamente o menor preço por quilômetro como critério para classificação das propostas.

O desenho altera aspectos da relação entre Município e operadores, criando instrumentos para ampliar o controle público sobre a prestação do serviço e sobre os parâmetros operacionais definidos contratualmente.

A organização deixa ainda de estar baseada exclusivamente na estrutura de grandes consórcios. As empresas passam a responder por lotes específicos, dentro das condições estabelecidas em cada concessão.

Concessionárias serão responsáveis por frota, manutenção e garagens

As futuras concessionárias terão responsabilidades que ultrapassam a simples colocação dos ônibus em circulação.

Entre as atribuições previstas estão a aquisição e operação da frota, manutenção dos veículos e implantação e administração das garagens públicas vinculadas aos serviços.

Também ficará sob responsabilidade das operadoras a implementação dos sistemas tecnológicos exigidos pelo novo modelo.

Dessa maneira, frota, infraestrutura de garagem e sistemas de monitoramento passam a integrar o conjunto de obrigações estabelecido para cada lote.

Ônibus terão padrão de emissões Euro VI

Os novos veículos também deverão atender ao padrão ambiental Euro VI, reduzindo os níveis de emissão de poluentes em relação às gerações anteriores.

Segundo as informações apresentadas pela Prefeitura, a tecnologia pode proporcionar uma redução de até 80% na emissão de poluentes.

O modelo de concessão também abre espaço para a utilização de outras alternativas energéticas, incluindo gás natural, biometano e ônibus elétricos.

Isso possibilita que a renovação prevista para os próximos anos seja acompanhada pela introdução gradativa de tecnologias de menor impacto ambiental, conforme as características das operações e as decisões adotadas para cada lote.

Edital recebeu mais de 905 contribuições em consulta pública

A configuração da segunda etapa foi precedida por uma consulta pública realizada entre abril e maio de 2026.

Durante o processo, foram recebidas mais de 905 contribuições da população, posteriormente consideradas na elaboração do edital que definiu as regras da concorrência.

Com a realização do certame em 28 de agosto e a identificação das melhores propostas comerciais, o processo segue agora para a análise da documentação das participantes.

Caso sejam cumpridas as etapas previstas no procedimento licitatório e nos futuros contratos, a expectativa municipal é iniciar a operação dos novos veículos desta fase no primeiro trimestre de 2027.

Primeira etapa do Sistema RIO já coloca novos ônibus nas ruas

Enquanto a segunda etapa avança no processo licitatório, os primeiros contratos do Sistema RIO já estão em implantação na própria Zona Oeste.

As concessões correspondentes às primeiras operações nas regiões de Campo Grande e Santa Cruz foram assinadas em março de 2026.

Nessa etapa, a frota deverá passar de 104 para 316 ônibus, mais do que triplicando a quantidade de veículos considerada anteriormente.

Em Santa Cruz, 115 ônibus novos já estão em circulação.

A partir deste domingo, 30 de agosto, a implantação avança também em Campo Grande, onde outros 54 veículos começam a operar.

Mais 147 ônibus serão incorporados até dezembro

Após a entrada das 54 unidades em Campo Grande, ainda restarão 147 ônibus previstos na primeira etapa.

Segundo o cronograma apresentado pela Prefeitura, esses veículos deverão ser incorporados gradativamente à operação até dezembro de 2026.

A implementação da primeira fase permite que o novo formato seja colocado em prática antes do início das operações previstas nos três lotes licitados nesta sexta-feira.

Com as duas etapas, a Zona Oeste se consolida como a região escolhida para iniciar a transformação do modelo de concessão do transporte municipal por ônibus do Rio.

Sistema RIO amplia presença do poder público na gestão dos ônibus

A reformulação proposta pelo Município busca modificar não apenas a frota, mas a própria estrutura de gestão do transporte por ônibus do Rio de Janeiro.

Com contratos por lotes, remuneração por quilômetro rodado, monitoramento através dos sistemas ITS e avaliação pelo IQT, a Prefeitura pretende ampliar sua capacidade de acompanhar a prestação do serviço e exigir o cumprimento das condições estabelecidas nas concessões.

Na segunda etapa, o impacto mais imediato previsto será sentido por passageiros de Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu, com 352 ônibus adicionais e cinco novas linhas em relação à estrutura atualmente considerada.

A expansão de 654 para 1.006 veículos, somada à exigência de uma frota integralmente zero-quilômetro, representa uma das maiores mudanças previstas para o transporte coletivo da Zona Oeste nos próximos meses.

Antes da assinatura dos novos contratos, porém, ainda será necessário concluir a análise da habilitação das empresas. Por isso, Jabour e Sancetur são, neste momento, as vencedoras das propostas comerciais apresentadas no certame, condicionadas à continuidade das etapas previstas na licitação.

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