Operadora fala sobre rotina como motorista de ônibus em JP: “Somos guerreiras”

Fonte: Portal Correio
Texto: Halan Azevedo
Foto: Divulgação
A condução de um ônibus que mede mais de 12 metros, pesa aproximadamente
15 toneladas e que pode transportar cerca de 80 passageiros por viagem.
Essa é a tarefa que muitos motoristas fazem diariamente nos transportes
coletivos de João Pessoa. Mas, entre tantos homens, uma mulher se
destaca pela eficiência, zelo, dedicação e prazer na rotina de levar e
trazer passageiros: Adriana Caetano, uma das três mulheres que fazem o
papel de motoristas dos coletivos da Capital.

Natural da cidade de Monteiro, no Agreste paraibano, a 305 km de João
Pessoa, Adriana, que faz aniversário neste domingo (8), trabalha como
motoristas desde setembro de 2013 na empresa Unitrans, mas antes de
tomar conta do volante, trabalhou como cobradora de ônibus por quatro
anos até decidir abraçar de vez o sonho de ser motorista. Ela contou que
aproveitou a oportunidade aberta na empresa para a escolha de mulheres
como condutoras de coletivo.

“Eu trabalhava como cobradora e
agarrei a oportunidade que deram para as mulheres da empresa se tornarem
motoristas. Me inscrevi no Sindicato dos Motoristas e Cobradores e
passei por testes até ser aprovada para um período de treinamento com os
instrutores da Unitrans. Aprendi muito e me dediquei bastante para
conseguir alcançar meus objetivos. Hoje, tomo conta de um ônibus e sou
responsável pela condução de parte da população da linha 517, do bairro
Castelo Branco”, contou.
Rotina
A rotina de Adriana começa às 4h,
quando ela acorda e se prepara para ir até a garagem da empresa, onde
assume um dos ônibus e começa a trabalhar a partir das 5h. “Minha rotina
é puxada, tenho que estar às 5h na garagem para pegar o ônibus e ir ao
terminal, onde inicio minha atividade. Cada viagem dura em média 40 ou
45 minutos. Eu largo às 13h e vou para casa fazer as tarefas domésticas e
cuidar da minha filha de seis anos”, disse.

Assim como parte das
mulheres paraibanas, Adriana tem uma filha e é a responsável pelo
sustento da casa, que é dividida com uma amiga. “Quando comecei a
trabalhar tive que deixar minha filha na casa de uma vizinha. Então a
rotina dela era igual a minha, ou seja, acordar muito cedo. Quando minha
amiga veio morar com a gente ficou melhor, porque tenho minha filha em
casa agora, melhorando a rotina dela e me deixando mais tranquila”,
afirmou.

Como perigos enfrentados, Adriana disse que desde que
se tornou motorista não sofreu nenhum assalto, porém classificou o
trânsito da Capital, de uma maneira geral, como estressante e contou
que mesmo com alguns aborrecimentos, mais mulheres deveriam tentar a
carreira de motorista, já que muitas têm vontade, mas esbarram em um
possível preconceito que sofreriam dos maridos.
Preconceito

quase dois anos na função de motorista, Adriana contou que já sofreu
casos de preconceito dentro dos ônibus, mas garantiu que os homens não
se incomodam com ela no volante, até elogiam. O problema são as críticas
feitas por outras mulheres.

“Não existe preconceito por parte da
família, dos amigos, dos colegas de trabalho e, surpreendentemente, dos
homens que usam o coletivo, muito pelo contrário, eles elogiam meu
trabalho, a minha força de vontade e coragem. Já as mulheres, que buscam
por mais espaço na sociedade, são as que mais criticam. Acho incrível a
incapacidade de algumas mulheres de não confiar em si mesmas. Quando
veem outra mulher fazendo o serviço dos homens elas criticam”, pontuou.

Adriana
deixou um recado para motivar as mulheres paraibanas a continuarem
buscando um lugar melhor na sociedade e a independência familiar. “Quero
que as mulheres acreditem mais nelas. Que não deixem nunca ninguém se
intrometer e dizer que não são capazes. Não somos tão frágeis como
alguns tacham. Somos guerreiras”, concluiu.

Dados
De
acordo o presidente do Sindicato dos Motoristas, Antônio de Pádua, além
de Adriana, João Pessoa também conta com outras duas motoristas e mais
de 70 mulheres que trabalham como cobradoras nos transportes
coletivos.

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