Salários x tarifas

Fonte:
Mais PB

Texto: Mário Tourinho
Foto: Rodrigo Gomes




Há muitos setores em que a questão salarial pouco influi no custo final do
produto ou serviço prestado. Não é o caso do setor de transporte coletivo de
passageiros, especialmente no de caráter urbano.

Neste
serviço de transporte coletivo o quantitativo de operadores envolvidos é bem
significativo. Por exemplo, em uma capital como a cidade de João Pessoa que
amanhece o dia com 470 ônibus circulando, este fato indica que 470 motoristas
estão, já ao amanhecer, em operação, sem contar os da retaguarda que precisam
estar de prontidão com a frota reserva para dar cobertura a qualquer eventualidade
(inclusive aos casos da eventual falta de algum deles à sua respectiva
jornada).
 
Mas,
como é bem claro, o serviço de transporte coletivo não funciona em um só
expediente ou em uma só jornada! Esse serviço é 24 horas por dia. Minimamente
cada ônibus compromete duas jornadas, ou seja, dois motoristas. Entretanto,
existem também os cobradores, os mecânicos, os fiscais, os auxiliares
administrativos, os psicólogos, os médicos, os advogados etc!… E, igualmente
por óbvio, existem as férias, as licenças, os afastamentos temporários de modo
geral, tudo isto para ampliar o quantitativo de operadores do transporte
coletivo.
 
Ainda
em relação à cidade de João Pessoa, esse serviço compromete e emprega, tão só
entre motoristas e cobradores, praticamente 2,5 profissionais, que, juntando-se
aos das demais áreas, alcança cerca de 3,6 mil trabalhadores, diretamente!
 
Daí,
os encargos com pessoal comprometerem, na média brasileira, até 42% dos custos
desse serviço. E é por isso que toda negociação salarial neste setor precisa
ser encarada e tratada com muita seriedade e bom senso, tendo em vista que
neste Brasil praticamente não há subsídio governamental para compensação desses
custos. Tudo tem de ser assimilado pela tarifa diretamente paga pelos
passageiros!
 
E
também aí aparece outro “senão”, face os tantos benefícios que são implantados
nessa área, não só os das gratuidades totais concedidas pelos governos sem nada
colocarem de seus orçamentos, mas de igual modo as resultantes das integrações
físicas ou temporais que implicam que as pessoas paguem uma só passagem, mesmo
precisando de dois ônibus para a realização da viagem. Um estudo técnico
recente, por exemplo, demonstra que a tarifa de R$ 2,45 vigente em João Pessoa
corresponde, ao final, por passageiro pagante, tão apenas a R$ 1,88, valor este
que se reduz a R$ 1,75 quando dele tirado os 5% de ISS e 2% pago ao governo
federal.
Não
é fácil!

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