O transporte público coletivo por ônibus vive um momento de queda expressiva na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre 2019 e 2024, o número médio mensal de passageiros pagantes caiu 28,5%, passando de 120,5 milhões para 86,2 milhões de embarques. Os dados são da edição 2024-2025 do anuário da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) e refletem a dificuldade do setor em recuperar a demanda perdida durante a pandemia de Covid-19.
O cenário é semelhante no restante do Brasil: apenas Brasília e Goiânia conseguiram retomar integralmente o volume de usuários de 2019. Há três anos, a demanda nacional oscila entre 80% e 86% do nível pré-pandemia.

Em São Paulo, a pesquisa mais recente de origem e destino revelou uma mudança inédita: o transporte individual passou a responder por 51,2% dos deslocamentos, superando o coletivo, que liderava com 54,1% em 2017. Mesmo com altos subsídios — previstos para superar R$ 6 bilhões em 2024 —, o transporte público perdeu espaço.
Segundo a NTU, a ampliação de subsídios é uma ferramenta essencial para conter perdas ainda maiores. Hoje, 395 municípios subsidiam o transporte coletivo, incluindo 20 capitais e 7 regiões metropolitanas. Isso significa que 47% da população brasileira vive em cidades com tarifas subsidiadas.

No Rio de Janeiro, o quadro preocupa ainda mais. Em 2024, enquanto o país registrou alta de 4,7% na quantidade de passageiros pagantes (e 9,8% no total), a região metropolitana teve apenas um tímido crescimento de 0,6%.
A Semove (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) destaca que o desafio não é apenas recuperar passageiros, mas garantir sustentabilidade financeira ao sistema. O tema será debatido no Fórum de Mobilidade 5.0, que ocorre nesta sexta-feira (15), às 10h30, durante a Rio Innovation Week.
A programação inclui três painéis:
- Mobilidade Conectada: o papel da tecnologia nos deslocamentos urbanos
- Transporte público como solução inteligente: qualificação, tecnologia e cidades mais humanas
- Transporte e poluição: como as suas escolhas impactam no clima e na sua saúde
— Em cinco anos, os ônibus perderam 28% da sua demanda, o equivalente a mais de 34 milhões de passageiros pagantes por mês. Em dez anos, foram 54%. Esses números impactam não só o transporte coletivo, mas toda a sociedade. O desafio é resgatar o transporte como a melhor opção, seja do ponto de vista da mobilidade ou da sustentabilidade — afirmou Richele Cabral, diretora de Mobilidade da Semove.
Mais dados sobre o transporte por ônibus no Rio estão disponíveis no portal de transparência da federação: https://transparencia.semove.org.br/transparencia/setor-em-numeros/
Imagens: Rodrigo Gomes / Carlos Junior
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