Empresário denuncia falta de isonomia do DER/RN após caducidade da Empresa Alves

Setor aponta “dois pesos e duas medidas” e cita mais de 80 permissões irregulares no transporte alternativo intermunicipal do Rio Grande do Norte
Empresa Alves

Após o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN) decretar a caducidade da Empresa Alves Ltda., um empresário do setor de transporte intermunicipal procurou a reportagem para denunciar o que classificou como falta de isonomia e critérios desiguais na atuação do órgão estadual.

Sob condição de anonimato, o empresário fez um duro desabafo, afirmando que o DER adota “dois pesos e duas medidas” na gestão do sistema intermunicipal potiguar — sendo rigoroso com empresas formais, mas leniente com operadores irregulares, especialmente no transporte alternativo da Região Metropolitana de Natal.

“A caducidade da Alves foi decretada rapidamente, mas o DER não faz o mesmo com dezenas de alternativos que circulam fora das regras, sem vistoria e sem licitação. É uma situação absurda. Existem cerca de 81 permissões vencidas ou irregulares, e o órgão simplesmente fecha os olhos”, afirmou o empresário.

Empresa Alves

Linhas irregulares e falta de fiscalização

De acordo com o denunciante, diversas linhas opcionais e intermunicipais estariam operando em situação irregular em várias regiões do estado — muitas delas sem vistoria técnica e sem autorização válida.

Entre os trajetos citados estão:

  • Natal / Santa Cruz
  • Natal / João Câmara
  • Natal / Macau
  • Natal / Tenente Ananias
  • Natal / Pau dos Ferros
  • Natal / São Tomé
  • Natal / Monte Alegre

Segundo o empresário, a ausência de fiscalização efetiva por parte do DER coloca passageiros em risco e desequilibra o sistema, prejudicando as empresas que atuam de forma regular.

“A fiscalização é praticamente inexistente. O que se vê é um colapso administrativo. Enquanto isso, empresas regulares, que investem e cumprem as regras, são punidas”, declarou.

Gestão do DER sob questionamento pela Empresa Alves

As denúncias reacendem as críticas sobre a capacidade do DER/RN em gerir o sistema intermunicipal, em um cenário marcado por frota envelhecida, ausência de licitação pública — que não ocorre há décadas — e crescimento da operação irregular em várias regiões do Rio Grande do Norte.

Para o empresário, o problema vai além da falta de fiscalização e envolve também ausência de critérios claros, transparência e previsibilidade nas decisões do órgão.

“O DER parece escolher a quem punir. Enquanto uns sofrem sanções imediatas, outros operam livremente, mesmo com irregularidades evidentes. Isso compromete o sistema e gera insegurança jurídica”, concluiu.

Até o momento, o DER/RN não se pronunciou oficialmente sobre as críticas nem confirmou a existência de processos administrativos em andamento para apurar as situações mencionadas.

Por Thiago Martins – thiagolmmartins@gmail.com

Imagens: Júlio Barboza

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