A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos – NTU fez um alerta público sobre os efeitos do aumento do preço do diesel no transporte coletivo urbano, apontando riscos diretos à sustentabilidade do setor e à manutenção de um serviço considerado essencial à população.
Segundo a entidade, a instabilidade nos preços dos combustíveis tem provocado pressão crescente sobre os custos operacionais das empresas de ônibus, comprometendo o equilíbrio econômico-financeiro das operações e colocando em risco a qualidade do serviço prestado à população.
Transporte público como direito social
A NTU reforça que o transporte público coletivo urbano é um direito social garantido pela Constituição Federal e desempenha papel central na estrutura das cidades brasileiras, sendo fundamental para o acesso da população a serviços básicos como educação, saúde e trabalho.
Atualmente, o sistema de transporte coletivo responde por cerca de 39% dos deslocamentos urbanos no país. Dentro desse universo, o ônibus se destaca como principal modal, responsável por aproximadamente 81% das viagens coletivas.
O setor opera com uma frota estimada em mais de 107 mil veículos, transportando diariamente cerca de 35,6 milhões de passageiros e percorrendo aproximadamente 7 bilhões de quilômetros por ano.
Diesel representa peso crítico nos custos
Apesar de representar apenas cerca de 3,9% do consumo nacional de diesel, o transporte público urbano é altamente sensível às variações do combustível, que responde por aproximadamente 30% dos custos operacionais das empresas.

Esse cenário torna o setor especialmente vulnerável a oscilações de preços, impactando diretamente a tarifa e a capacidade das operadoras de manter níveis adequados de serviço.
De acordo com a NTU, dados recentes indicam que o preço médio do diesel para empresas de ônibus registrou aumento de 24,06% desde o início dos conflitos no Oriente Médio, agravando ainda mais a pressão sobre o sistema.
Risco de impacto social e tarifário
A entidade alerta que o aumento dos custos pode resultar em efeitos negativos para a população, especialmente para as camadas mais vulneráveis, que dependem diretamente do transporte público.
O setor possui forte caráter social, o que exige equilíbrio entre sustentabilidade econômica e acessibilidade tarifária. Sem mecanismos de compensação ou controle, o aumento do diesel pode levar à deterioração do serviço, redução de oferta ou pressão por reajustes tarifários.
Pedido da NTU por medidas regulatórias
Diante do cenário, a NTU defende a adoção de medidas mais efetivas por parte do poder público, incluindo mecanismos de controle de mercado para evitar práticas especulativas e garantir maior previsibilidade nos preços dos combustíveis.
A entidade reconhece iniciativas já adotadas por governos, mas avalia que os efeitos dessas ações ainda não chegaram de forma consistente às empresas operadoras.
Segundo a associação, garantir a estabilidade de custos é essencial para preservar o funcionamento do sistema e assegurar o direito à mobilidade urbana.
Sustentabilidade do setor em pauta
O debate sobre o impacto do diesel no transporte coletivo reforça a necessidade de políticas estruturais voltadas à sustentabilidade do setor, incluindo alternativas energéticas, subsídios e modelos de financiamento mais equilibrados.
A manutenção da qualidade do serviço e a ampliação do acesso dependem diretamente de um ambiente regulatório estável e de condições econômicas que permitam a continuidade das operações.
Imagens: Júlio Barboza
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