Ícone da Itapemirim, Tribus II 12001 é restaurado e vira atração às margens da Via Dutra

Conhecido como “Igrejão”, ônibus fabricado em 1983 pela própria estrutura industrial do Grupo Itapemirim está exposto no Graal Estrela, em Queluz
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Quem passa pelo Graal Estrela, localizado às margens da Rodovia Presidente Dutra, em Queluz, no interior de São Paulo, pode conhecer de perto um dos veículos mais emblemáticos da história do transporte rodoviário brasileiro.

Nas plataformas destinadas aos ônibus está exposto o Tecnobus Tribus II de prefixo 12001, exemplar que pertenceu à antiga Viação Itapemirim e foi completamente restaurado pela Suzantur, responsável pela operação da Nova Itapemirim.

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Conhecido entre admiradores e profissionais do setor pelo apelido de “Igrejão”, o ônibus recuperou a tradicional pintura amarela e diferentes elementos visuais que marcaram a época de maior expansão da Itapemirim pelas estradas brasileiras.

Exposição aproxima passageiros da história da Itapemirim

A escolha de uma parada rodoviária para apresentar o veículo permite que passageiros, motoristas e admiradores de ônibus tenham contato com uma parte importante da memória do transporte nacional.

O Graal Estrela está situado em um dos principais corredores rodoviários do país. A Via Dutra conecta Rio de Janeiro e São Paulo, duas capitais que ocuparam posição estratégica na rede de linhas da antiga Itapemirim.

Durante décadas, os ônibus amarelos da companhia estiveram presentes nos terminais e pontos de parada da rodovia. A exposição do prefixo 12001 nesse ambiente recupera parte da relação existente entre a empresa e as viagens realizadas pelo eixo Rio–São Paulo.

Além de funcionar como atração para os clientes do estabelecimento, o veículo oferece uma oportunidade para que novas gerações conheçam um modelo desenvolvido quando a Itapemirim investia na fabricação de seus próprios ônibus.

Prefixo 12001 foi fabricado em dezembro de 1983

O exemplar preservado foi fabricado em dezembro de 1983 e possui ano-modelo 1984. Sua carroceria pertence à segunda geração da família Tribus, desenvolvida pela Tecnobus.

O ônibus utiliza o chassi Itapemirim SBVM, construído pela própria estrutura industrial da empresa. O conjunto é equipado com motor Mercedes-Benz OM 355 LA, capaz de entregar 326 cv de potência.

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A concepção própria do chassi e da carroceria demonstra o nível de verticalização alcançado pelo Grupo Itapemirim durante seu período de maior crescimento.

Em vez de depender exclusivamente das fabricantes tradicionais, a companhia desenvolveu soluções específicas para suas necessidades, considerando as longas distâncias, as condições das rodovias brasileiras e a padronização desejada para a frota.

Tribus II marcou período de inovação da empresa

O Tecnobus Tribus II tornou-se um dos modelos mais reconhecidos da antiga Itapemirim. Sua carroceria apresentava linhas características da década de 1980 e uma ampla área envidraçada na parte frontal.

O desenho elevado e as formas da dianteira ajudaram a popularizar o apelido “Igrejão”, pelo qual essa geração passou a ser conhecida entre motoristas, funcionários, passageiros e entusiastas.

A carroceria fazia parte de uma estratégia da Itapemirim para produzir veículos adaptados às suas operações. A empresa mantinha linhas de longa distância que conectavam diferentes regiões brasileiras e exigiam ônibus resistentes, com grande capacidade de bagagem e autonomia para percursos extensos.

A Tecnobus chegou a alcançar um ritmo expressivo de produção durante a década de 1980, fabricando ônibus para renovar e ampliar a frota da própria companhia.

Chassi SBVM também foi produzido pela Itapemirim

O prefixo 12001 possui uma característica que amplia sua importância histórica: além da carroceria Tecnobus, o veículo utiliza um chassi Itapemirim SBVM.

O projeto reuniu componentes e soluções definidos pela própria empresa, utilizando a motorização Mercedes-Benz OM 355 LA. O motor desenvolve 326 cv, potência compatível com as exigências das viagens rodoviárias realizadas naquele período.

A fabricação própria permitia à companhia desenvolver ônibus de acordo com as características específicas de sua operação.

O prefixo 12001 se diferencia, portanto, de outros exemplares do Tribus II que receberam chassis fornecidos diretamente por fabricantes tradicionais, incluindo modelos Scania utilizados posteriormente pela Itapemirim.

Ônibus foi preservado pela antiga companhia

Mesmo depois de deixar as operações regulares, o Tribus II 12001 permaneceu sob a guarda da antiga Viação Itapemirim.

Tribus 12001 3

A decisão de preservar o veículo permitiu que ele sobrevivesse ao processo natural de renovação da frota, no qual ônibus mais antigos normalmente são vendidos, transformados para outras finalidades ou desmontados.

Durante seus últimos anos em Cachoeiro de Itapemirim, entretanto, o exemplar apresentava sinais de deterioração e necessitava de uma recuperação completa.

A situação financeira da antiga companhia e, posteriormente, a falência do Grupo Itapemirim colocaram em risco o futuro de diversos veículos históricos que permaneciam em suas instalações.

Suzantur adquiriu veículos históricos da massa falida

O prefixo 12001 integrou o conjunto de ônibus históricos da antiga Itapemirim adquirido pela Suzantur durante o processo envolvendo os bens da massa falida.

Entre os veículos preservados estavam modelos produzidos pela própria Tecnobus e outros exemplares que marcaram diferentes períodos da transportadora.

O Tribus II começou a ser transferido de Cachoeiro de Itapemirim para São Paulo no início de 2025. Na ocasião, o ônibus ainda aguardava o início do processo de recuperação.

A aquisição impediu que o modelo fosse desmontado ou perdesse definitivamente suas características originais.

Restauração recuperou tradicional pintura

Depois de ser levado para as instalações da Suzantur e da Nova Itapemirim em São Paulo, o ônibus passou por um amplo trabalho de restauração.

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A recuperação envolveu carroceria, estrutura, pintura e diferentes detalhes associados à configuração histórica do veículo.

O acabamento externo resgatou a identidade visual amarela que transformou a Itapemirim em uma das empresas mais facilmente reconhecidas nas rodovias brasileiras.

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Interior do 12001 antes da reforma

A pintura não representa apenas uma escolha estética. Ela recupera a imagem popularmente associada à “Amarelinha”, apelido pelo qual a transportadora ficou conhecida entre milhões de passageiros.

Veículo representa época de ouro da “Amarelinha”

Durante décadas, a Viação Itapemirim manteve uma das maiores redes de transporte rodoviário do país. Seus ônibus conectavam o Sudeste ao Nordeste e alcançavam cidades de diferentes regiões.

A forte presença nacional, a padronização visual e os investimentos em modelos próprios fizeram da companhia uma referência no setor.

O Tribus II esteve inserido nesse período de expansão e modernização. Além de transportar passageiros, o modelo representava a capacidade industrial de uma empresa que buscava controlar diferentes etapas da operação, desde a fabricação dos veículos até a manutenção e o atendimento nas estradas.

Por essa razão, a preservação do 12001 ultrapassa o interesse de colecionadores. O ônibus é um documento material de um capítulo relevante da indústria e do transporte rodoviário brasileiro.

Prefixo identifica primeiro exemplar da série 12 mil

O número 12001 também contribui para a relevância do veículo. O prefixo o identifica como a primeira unidade de uma série incorporada à frota da Itapemirim.

Na padronização adotada pela companhia, os números permitiam organizar os veículos conforme os diferentes modelos, períodos e configurações.

Entre os ônibus históricos relacionados para venda no processo da massa falida, o 12001 aparecia oficialmente descrito como Tecnobus Tribus II sobre chassi Itapemirim SBVM. A relação também incluía outro Tribus II, o prefixo 16005, montado sobre chassi Scania K112 CL.

Essa diferença ajuda a evitar uma confusão recorrente entre os dois veículos históricos: o 12001 utiliza o chassi próprio Itapemirim SBVM, enquanto o 16005 recebeu plataforma Scania.

Tecnobus simbolizou verticalização do Grupo Itapemirim

A criação da Tecnobus foi uma das iniciativas mais ambiciosas do Grupo Itapemirim.

A empresa passou a produzir carrocerias destinadas prioritariamente à frota da operadora, desenvolvendo sucessivas gerações da família Tribus.

O projeto permitia renovar os ônibus seguindo uma identidade visual própria e incorporar alterações solicitadas pelas áreas de operação e manutenção.

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Além do Tribus II, a Tecnobus produziu modelos que marcaram outras fases da companhia, como o Tribus III, Tribus IV e projetos especiais.

Essa capacidade industrial diferenciava a Itapemirim de grande parte das transportadoras brasileiras, que tradicionalmente adquiriam chassis e carrocerias integralmente fornecidos por empresas externas.

Preservação ganha importância após desaparecimento da antiga Itapemirim

O valor histórico do veículo tornou-se ainda maior após o encerramento das atividades da antiga Viação Itapemirim e a decretação da falência do grupo.

Com a dispersão de seus ativos, parte significativa da memória física da empresa correu o risco de desaparecer.

Garagens, equipamentos, documentos e ônibus passaram a integrar processos de venda destinados ao pagamento dos credores. Nesse contexto, a aquisição de exemplares históricos abriu caminho para a preservação de veículos que dificilmente poderiam ser reconstruídos no futuro.

O 12001 reúne componentes, técnicas de fabricação e soluções industriais pertencentes a uma época específica. Sua conservação permite observar elementos que já não estão presentes nos ônibus rodoviários atuais.

Exposição no Graal Estrela cria ponto de memória na Via Dutra

A presença do Tribus II no Graal Estrela transforma o posto rodoviário em um ponto de interesse para admiradores da história dos ônibus.

O exemplar pode ser visto por passageiros que fazem uma pausa durante as viagens, profissionais que circulam diariamente pela rodovia e pessoas que acompanham a trajetória da antiga Itapemirim.

A exposição também devolve simbolicamente o ônibus a um ambiente semelhante àquele em que trabalhou: uma plataforma de parada em uma das principais rodovias brasileiras.

Em vez de permanecer guardado em uma garagem sem acesso público, o “Igrejão” volta a ocupar um espaço ligado à rotina das viagens rodoviárias.

Um patrimônio das estradas brasileiras

Totalmente restaurado, o Tecnobus Tribus II 12001 volta a transmitir a imponência que marcou sua passagem pelas rodovias.

O veículo preserva a memória dos passageiros, motoristas, mecânicos e demais profissionais que ajudaram a construir a história da Itapemirim.

Sua exposição em Queluz também demonstra a importância de conservar ônibus históricos não apenas como objetos de coleção, mas como parte do patrimônio industrial e cultural brasileiro.

Para quem conheceu a antiga “Amarelinha”, o 12001 representa uma viagem ao passado. Para as novas gerações, oferece a oportunidade de descobrir uma época em que uma empresa de transporte chegou a fabricar seus próprios chassis e carrocerias para cruzar o Brasil.

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