Andorinha: da primeira jardineira no Oeste Paulista a uma das mais tradicionais empresas rodoviárias do Brasil

Fundada em 1948 por José Lemes Soares, empresa atravessou a expansão das rodovias brasileiras, conectou grandes centros ao interior e chega aos 78 anos mantendo Presidente Prudente como base de uma ...
Andorinha

Muito antes de aplicativos, bilhetes digitais, ônibus Double Decker e serviços Leito Cama, viajar entre as cidades do Oeste Paulista podia representar uma verdadeira jornada. Estradas ainda precárias, distâncias percorridas a pé e a forte dependência das ferrovias faziam parte de uma realidade que começaria a mudar rapidamente a partir da segunda metade do século XX.

Foi nesse ambiente que surgiu uma empresa destinada a se tornar um dos nomes mais conhecidos do transporte rodoviário brasileiro.

Em 5 de junho de 1948, nascia em Presidente Prudente a Andorinha. À frente daquele projeto estava José Lemes Soares, um homem que já havia sido lavrador, caminhoneiro, taxista, proprietário de jardineira e político antes de transformar definitivamente sua relação com o transporte de passageiros em atividade empresarial.

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Uma das primeiras jardineiras que fizeram parte da história da Andorinha era montada sobre chassi Chevrolet Gigante.

Passados 78 anos, a pequena operação do interior paulista deu lugar a uma companhia que informa possuir mais de 1.200 colaboradores, 320 agências e 18 garagens, além de percorrer mais de 3,7 milhões de quilômetros e transportar, em média, aproximadamente 220 mil passageiros por mês em serviços nacionais e internacionais.

A trajetória da Empresa de Transportes Andorinha também ajuda a contar uma parte importante da transformação da mobilidade brasileira: a passagem de um país fortemente dependente dos trilhos para uma nação interligada por rodovias e por milhares de linhas de ônibus.

José Lemes Soares: antes da Andorinha, uma vida marcada pela inquietação

A história da empresa começa, inevitavelmente, pela trajetória de seu fundador.

Nascido em São Simão, no interior paulista, José Lemes Soares iniciou a vida profissional trabalhando no campo. O destino poderia tê-lo mantido ligado à atividade rural, mas a disposição para buscar novas oportunidades rapidamente modificaria esse caminho.

Aprendeu a dirigir e decidiu comprar seu primeiro caminhão, mesmo que isso significasse assumir dívidas. Com o veículo, passou a transportar madeira e café, duas mercadorias diretamente associadas à economia do interior paulista naquele período.

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José Lemes Soares

A experiência nas estradas aproximou José Lemes de outra característica que posteriormente seria fundamental em sua trajetória: a facilidade de lidar com pessoas.

Já vivendo em Tupã, passou a trabalhar como taxista. Foi nesse período que o transporte de passageiros deixou de ser apenas uma alternativa profissional e começou a assumir um papel central em sua vida.

Depois do táxi viria uma jardineira, tipo de veículo que marcou os primeiros tempos do transporte rodoviário brasileiro.

Com ela, José Lemes passou a transportar passageiros pela região. O veículo frequentemente cheio mostrava que existia demanda por deslocamentos que não dependessem exclusivamente das ferrovias.

Mas antes de transformar definitivamente essa percepção em negócio, ele faria uma passagem importante pela política.

De vereador a prefeito de Tupã

A disposição para participar do desenvolvimento da cidade levou José Lemes Soares a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Tupã.

Foi eleito vereador e posteriormente tornou-se presidente da Câmara Municipal.

O passo seguinte seria ainda maior: José Lemes candidatou-se à Prefeitura de Tupã e venceu. Depois do primeiro mandato, voltou às urnas e foi reeleito prefeito.

Sua atuação como administrador municipal ganharia reconhecimento para além do município. O trabalho desenvolvido em Tupã foi reconhecido pelo governo federal, e José Lemes recebeu uma homenagem das mãos do então presidente Juscelino Kubitschek.

Curiosamente, empresário e presidente compartilhavam uma visão que se tornaria determinante para o desenvolvimento brasileiro nas décadas seguintes: a importância das rodovias.

Enquanto o governo JK ficaria historicamente associado à expansão rodoviária e à indústria automobilística, José Lemes já enxergava nas estradas uma oportunidade para transformar o transporte de passageiros.

O ônibus começava a disputar espaço com o trem

No final da década de 1940, o transporte brasileiro estava diante de uma mudança estrutural.

Em cidades como Presidente Prudente, o trem ainda exercia papel fundamental. A Estrada de Ferro Sorocabana conectava municípios e permitia o deslocamento de pessoas e mercadorias pelo interior paulista.

Mas as rodovias começavam a avançar.

O Governo de São Paulo construía estradas, pavimentava trechos e melhorava vias de terra. Ao mesmo tempo, o ônibus ganhava capacidade para competir com a ferrovia.

Havia uma diferença operacional importante.

Os trens estavam vinculados ao traçado ferroviário e às estações existentes. Os ônibus podiam utilizar trajetos mais flexíveis, chegar diretamente a diferentes localidades e aproximar o passageiro das regiões centrais das cidades.

José Lemes Soares percebeu essa transformação.

E escolheu Presidente Prudente para dar seu próximo passo.

5 de junho de 1948: nasce a Andorinha

José Lemes chegou a Presidente Prudente aos 35 anos.

A cidade demonstrava forte potencial para se consolidar como um dos principais polos econômicos do Oeste Paulista, mas ainda apresentava limitações na oferta de transporte rodoviário de passageiros.

José Lemes procurou parceiros.

Encontrou Sérgio Lopes da Silva, que também havia chegado recentemente à região, e Antônio Pissinin, proprietário de dois pequenos serviços rodoviários.

Um deles ligava Presidente Prudente a Presidente Venceslau. O outro atendia Porecatu.

Os três chegaram a um acordo.

Em 5 de junho de 1948, foi registrada a empresa Andorinha – Silva, Pissinin e Cia. Ltda.

Era o início de uma trajetória que ultrapassaria as fronteiras paulistas.

Posteriormente, Antônio Pissinin deixou a sociedade e Walter Montanha ingressou na companhia.

Melhor serviço ajudou o nome Andorinha a ganhar espaço

Os primeiros esforços foram direcionados à melhoria dos serviços existentes.

A empresa começou a atualizar seus veículos e a oferecer condições melhores aos passageiros das cidades atendidas.

O resultado apareceu na demanda.

Mais pessoas passaram a utilizar os ônibus e o nome Andorinha começou a se tornar conhecido no Oeste Paulista.

Ao mesmo tempo, José Lemes Soares buscava novas oportunidades. A companhia apresentava pedidos ao então Departamento Estadual de Estradas de Rodagem para ampliar seus serviços e alcançar novas localidades.

O crescimento acompanhava uma mudança que ocorria em todo o país: conforme novas estradas surgiam e outras eram pavimentadas, o ônibus rodoviário conquistava territórios anteriormente dependentes da ferrovia.

Década de 1950 consolida a empresa no transporte regional

Durante os anos 1950, a Andorinha deixou progressivamente a condição de pequena operadora para se transformar em uma empresa regional estruturada.

O crescimento da malha rodoviária brasileira criava novas possibilidades e a companhia avançava junto com as estradas.

A expansão seria fundamental para a fase seguinte.

Depois de consolidar sua presença regional, a empresa começou a avançar para outros estados, ampliando o alcance de suas operações e transformando Presidente Prudente em uma importante base para uma rede cada vez maior.

Essa expansão ocorreu em um período de profundas transformações econômicas e políticas no Brasil, exigindo capacidade de adaptação das empresas de transporte.

Mudanças societárias marcam nova fase da Andorinha

A evolução da companhia também foi acompanhada por transformações em sua estrutura societária.

Em 1967, deixaram a empresa Pedro Cassemiro da Motta e um de seus fundadores, Sérgio Lopes da Silva.

Entrou então um grupo de empresários mineiros liderado por Dimas José da Silva e integrado por Paulo Constantino, Constantino de Oliveira e Hélio Rezende de Miranda.

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A companhia também passou por uma mudança de denominação, tornando-se Empresa de Transportes Andorinha.

Cinco anos depois, em 1972, outra reorganização acionária consolidou três grupos de acionistas, buscando maior funcionalidade e agilidade administrativa.

A empresa entrava em uma nova dimensão.

Andorinha chega ao grupo das dez maiores empresas do Brasil

Durante a década de 1970, a Andorinha já aparecia entre as dez maiores empresas brasileiras do transporte rodoviário de passageiros, segundo o registro histórico apresentado no material que documenta sua trajetória.

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O crescimento exigiu muito mais do que comprar ônibus.

Para operar uma malha extensa era necessário criar uma infraestrutura capaz de dar suporte aos veículos, motoristas, passageiros e serviços.

A empresa instalou garagens e agências em diferentes cidades, acompanhando a expansão territorial de suas linhas.

Municípios como Paranavaí, Maringá, Presidente Epitácio, São José do Rio Preto, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Corumbá e Campo Grande passaram a receber estruturas da companhia.

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Em Campo Grande, a Andorinha implantou uma de suas maiores instalações.

A empresa que havia começado com operações regionais no Oeste Paulista assumia definitivamente uma dimensão nacional.

Uma linha de quase 2 mil quilômetros até a Bolívia

Na primeira metade dos anos 1990, a expansão já havia levado a Andorinha para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rondônia.

Mas uma operação simbolizava de maneira particular o tamanho alcançado pela companhia.

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Naquele período, a Andorinha detinha uma ligação internacional entre Puerto Suárez, na Bolívia, e o Rio de Janeiro, percorrendo quase 2 mil quilômetros.

Era uma distância difícil de imaginar quando comparada àquelas primeiras viagens realizadas com jardineiras no interior paulista.

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A expansão internacional demonstrava como uma empresa surgida para atender deslocamentos regionais havia passado a conectar localidades separadas por milhares de quilômetros.

Segunda geração assume a administração

À medida que a Andorinha crescia, outra transição começava dentro da companhia.

A administração passou às mãos de Walter Lemes Soares, filho do fundador José Lemes Soares.

Posteriormente, a terceira geração também começou a participar dos negócios com Walter Lemes Soares Júnior.

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A presença das diferentes gerações ajudou a manter a ligação entre a origem familiar da empresa e a profissionalização exigida por uma companhia que havia adquirido dimensão nacional.

Walter Lemes Soares também teria participação relevante na representação institucional do setor, tornando-se o primeiro presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI).

Da jardineira aos ônibus Double Decker

Talvez nenhuma comparação demonstre melhor a transformação da Andorinha do que observar os veículos utilizados no início da empresa e aqueles encontrados atualmente em sua frota.

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A jardineira que ajudou a dar os primeiros passos ao negócio de José Lemes Soares pertence a uma época em que conforto, desempenho, segurança e tecnologia embarcada eram incomparáveis aos padrões atuais.

Hoje, a empresa oferece diferentes configurações, incluindo ônibus Double Decker, semileito, leito e leito cama.

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Entre os modelos apresentados atualmente pela própria Andorinha estão veículos Marcopolo Paradiso G8 1800 DD, com diferentes configurações internas, além de outras categorias destinadas a distintos perfis de viagem.

É uma evolução que acompanha a própria história do ônibus rodoviário brasileiro.

21 novos Double Decker elevaram o padrão da frota

Um dos movimentos mais recentes de modernização ocorreu com a incorporação de 21 novos ônibus Double Decker.

ANTT

Os veículos entraram em operação atendendo ligações nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A frota utiliza carrocerias Marcopolo de dois pisos montadas sobre chassis Scania e Volvo.

A aquisição foi dividida entre oito unidades com chassis Scania e 13 com chassis Volvo, segundo informações divulgadas pela própria empresa.

Os ônibus representam uma distância tecnológica enorme em relação à primeira jardineira utilizada por José Lemes.

No serviço de maior padrão, o piso superior dispõe de 32 poltronas Leito Elite, enquanto o inferior oferece oito lugares Leito Cama VIP. Os veículos contam ainda com recursos como Wi-Fi, carregadores USB, geladeira, entretenimento a bordo e toalete.

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A Marcopolo informou ainda que a relação comercial entre fabricante e Andorinha já ultrapassa 70 anos, outro indicativo da longevidade da companhia no mercado rodoviário brasileiro.

Andorinha mantém uma operação de grande escala aos 78 anos

Em 2026, a dimensão alcançada pela companhia pode ser medida por alguns números.

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Segundo informações institucionais atualizadas da empresa, são mais de 1.200 colaboradores trabalhando diretamente na operação.

A rede comercial soma 320 agências distribuídas pelas cidades atendidas, enquanto 18 garagens dão suporte à frota e às operações.

Os ônibus da companhia percorrem, em conjunto, mais de 3,7 milhões de quilômetros, enquanto a demanda média chega a aproximadamente 220 mil passageiros por mês, considerando rotas nacionais e internacionais.

A empresa continua sediada em Presidente Prudente, cidade escolhida por José Lemes Soares para iniciar o projeto em 1948.

Eixo entre São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso continua estratégico

A malha atual mantém forte presença justamente no corredor construído historicamente pela empresa entre o interior paulista, Paraná e Centro-Oeste.

No portal da companhia aparecem atualmente partidas em ligações como São José do Rio Preto–Cuiabá, Campo Grande–Cuiabá, Campinas–Cuiabá, Londrina–São Paulo, Maringá–São Paulo, Curitiba–São Paulo, Cuiabá–São Paulo e Campo Grande–São Paulo.

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São conexões que ajudam a demonstrar como a vocação original de ligar o Oeste Paulista a outros mercados foi ampliada ao longo das décadas.

O que antes era uma operação concentrada em deslocamentos relativamente curtos transformou-se em uma rede capaz de conectar grandes centros econômicos do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Serviços atuais mostram mudança no perfil do passageiro

A transformação não ocorreu apenas nos ônibus.

O próprio conceito de viagem rodoviária mudou.

Atualmente, a frota apresentada pela Andorinha inclui categorias como DD Leito Elite/Leito Cama, DD Semileito/Leito Plus, Leito Hiper Soft e Semileito Super Soft, além de configurações destinadas a outros tipos de operação.

Nos veículos de maior padrão estão disponíveis equipamentos que seriam inimagináveis nos primeiros anos da companhia: internet Wi-Fi, tomadas e carregadores USB, sistemas de entretenimento, geladeira, monitores e sanitários, além de recursos tecnológicos de segurança.

Os novos Double Decker incorporados à frota contam ainda com tecnologias de assistência à condução, incluindo sistemas relacionados à frenagem e ao monitoramento de saída de faixa.

A evolução reflete uma mudança no próprio mercado: em viagens de centenas ou milhares de quilômetros, o passageiro passou a comparar não apenas preço e horário, mas também espaço, privacidade, conectividade e qualidade do descanso a bordo.

Digitalização transforma uma atividade que começou na estrada de terra

Outro contraste entre 1948 e 2026 está na forma de comprar uma viagem.

A operação que começou em um período no qual passagens eram adquiridas presencialmente e informações dependiam das agências hoje comercializa bilhetes por site, aplicativo e WhatsApp.

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Em agosto de 2026, por exemplo, o portal da companhia apresenta ofertas específicas para compras realizadas pelo aplicativo e também desconto para aquisição por meio do atendimento automatizado via WhatsApp.

A tecnologia mudou a relação comercial com o passageiro, mas não alterou a essência do produto criado 78 anos atrás: levar pessoas entre cidades.

Fretamento complementa a atuação da empresa

Além das linhas regulares, a Andorinha mantém atuação em fretamento, com pontos de contato em diferentes cidades.

A estrutura divulgada pela companhia inclui atendimento nessa modalidade em localidades como Assis, Bauru, Campo Grande, Corumbá, Cuiabá, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Rio de Janeiro, Rosana, São José do Rio Preto e São Paulo.

A diversificação demonstra como a empresa adaptou sua estrutura para diferentes necessidades de transporte sem abandonar a atividade que definiu sua trajetória.

Uma história que acompanha a transformação do transporte brasileiro

Contar a história da Andorinha é também observar uma parcela da evolução do transporte rodoviário de passageiros no Brasil.

A empresa nasceu quando as ferrovias ainda exerciam protagonismo no deslocamento entre cidades do interior.

Cresceu enquanto novas rodovias avançavam pelo território brasileiro.

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Expandiu suas linhas quando o ônibus passou a ocupar uma posição central na integração entre cidades que não dispunham de ligações ferroviárias ou aéreas.

Construiu garagens, abriu agências, atravessou fronteiras estaduais e chegou a uma operação internacional.

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Ao mesmo tempo, viu as antigas jardineiras serem substituídas por ônibus convencionais cada vez maiores e mais potentes; acompanhou a evolução das carrocerias rodoviárias, a chegada do ar-condicionado, das poltronas leito, dos sistemas eletrônicos de segurança e, finalmente, dos atuais Double Decker de 15 metros e quatro eixos.

Poucas empresas atravessam tantas transformações mantendo a mesma atividade como elemento central de sua identidade.

De José Lemes Soares a uma empresa com mais de 1.200 colaboradores

Há uma diferença monumental entre a operação iniciada por José Lemes Soares e a Andorinha de 2026.

Mas existe também uma linha que conecta as duas épocas.

O fundador percebeu que o crescimento das estradas mudaria a maneira como as pessoas se deslocariam pelo interior brasileiro. Mais do que simplesmente comprar ônibus, ele enxergou uma transformação estrutural antes que ela estivesse concluída.

A aposta feita em Presidente Prudente em 5 de junho de 1948 atravessou gerações.

Hoje, 78 anos depois, a empresa mantém centenas de veículos, uma estrutura com 18 garagens e 320 agências e uma equipe superior a 1.200 pessoas para sustentar uma operação que movimenta cerca de 220 mil passageiros mensalmente.

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A escala mudou. As estradas mudaram. Os ônibus mudaram. O passageiro também mudou.

Da jardineira aos atuais Marcopolo Paradiso G8 1800 DD, a história da Andorinha atravessa quase oito décadas de evolução do transporte brasileiro.

E talvez esteja justamente aí a dimensão do empreendimento iniciado por José Lemes Soares: aquilo que começou para reduzir distâncias no Oeste Paulista acabou tornando-se uma empresa cuja própria história ajuda a explicar como o ônibus rodoviário conquistou as estradas do Brasil.

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