Rio inicia nova concessão de ônibus e triplica frota em Campo Grande e Santa Cruz

Prefeitura assina contratos do Sistema RIO com mais de 300 novos veículos e operação baseada em metas de desempenho e tecnologia
Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro deu início à implantação do Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus, novo modelo de organização do transporte coletivo municipal, com a assinatura dos primeiros contratos de concessão para operação nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste da capital.

O acordo foi formalizado no Palácio da Cidade pelo prefeito Eduardo Paes, pelo vice-prefeito Eduardo Cavaliere e pela secretária municipal de Transportes Maína Celidonio, junto à empresa Comporte Participações S.A., vencedora da licitação referente à primeira fase do projeto.

A iniciativa marca o início de uma ampla reformulação do transporte coletivo por ônibus no Rio de Janeiro, com aumento expressivo da frota, renovação dos veículos e implantação de novos mecanismos de gestão e fiscalização.

Frota será ampliada de 104 para 316 ônibus

Com a implantação do novo modelo, a frota destinada às duas regiões da Zona Oeste passará de 104 para 316 ônibus, representando um crescimento significativo na oferta de transporte para a população.

A primeira etapa da operação prevê a entrega de 169 novos veículos, que começarão a circular em julho deste ano. A segunda fase inclui mais 147 ônibus, com previsão de início das operações em setembro.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, a iniciativa representa o primeiro passo para reorganizar o sistema de ônibus da cidade, replicando no transporte convencional o processo de transformação que ocorreu no sistema BRT nos últimos anos.

Rio de Janeiro

A Zona Oeste foi escolhida como ponto de partida do novo modelo por concentrar regiões historicamente afetadas por problemas na operação do transporte coletivo.

Novo modelo de gestão traz remuneração por quilômetro rodado

Uma das principais mudanças introduzidas pelo Sistema RIO é a adoção de um modelo de remuneração baseado em quilômetro rodado, combinado com subsídio público e avaliação de desempenho das concessionárias.

O desempenho operacional das empresas será medido pelo Índice de Desempenho de Transporte (IDT), indicador que avalia fatores como regularidade das viagens, qualidade do serviço, cumprimento de horários e eficiência da operação.

Com esse sistema, o poder público passa a ter maior controle sobre a operação das linhas, estabelecendo regras mais claras para monitoramento e fiscalização.

Garagens públicas e infraestrutura própria

Outro elemento inovador do modelo é a implantação de garagens públicas exclusivas para os contratos. As duas primeiras estruturas serão construídas na Estrada do Campinho, em Paciência, também na Zona Oeste.

Esses complexos contarão com oficinas de manutenção, área de abastecimento, instalações administrativas e espaço para gestão da frota.

Prefeitura do Rio de Janeiro

A estrutura permitirá maior controle operacional e padronização na manutenção dos veículos.

Frota zero quilômetro terá tecnologia e acessibilidade

Os ônibus que começarão a operar no novo sistema serão 100% novos e totalmente acessíveis.

Entre os equipamentos presentes nos veículos estão:

Piso baixo nos veículos básicos
Rampas de acessibilidade
Ar-condicionado de alta capacidade
Sensores de temperatura interna
Tomadas USB para passageiros
Painéis eletrônicos de informação
Sistema de monitoramento por câmeras
Botão de emergência para o motorista
GPS integrado ao centro de controle

Os veículos também utilizarão motorização com padrão ambiental Euro VI, capaz de reduzir em até 80% a emissão de poluentes, contribuindo para um transporte mais sustentável.

Outra mudança importante será a eliminação do pagamento em dinheiro a bordo, com utilização exclusiva de sistemas eletrônicos de bilhetagem.

Novo sistema terá monitoramento em tempo real

A operação da rede será acompanhada pelo Centro de Controle do Sistema, instalado no Centro de Operações e Resiliência (COR) da cidade.

A estrutura permitirá o monitoramento em tempo real da frota, análise de dados operacionais e resposta rápida a falhas, atrasos ou incidentes.

O sistema também permitirá comunicação direta com os motoristas e integração com o controle do trânsito urbano.

Licitação marca mudança estrutural no transporte da cidade

A licitação que deu origem ao novo modelo foi estruturada em cinco fases, começando pela Zona Oeste. A cidade foi dividida em 34 lotes operacionais, sendo 22 estruturais e 12 locais.

O processo foi resultado de um acordo judicial firmado entre a Prefeitura do Rio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e os consórcios que atualmente operam o transporte municipal.

O novo modelo prevê a substituição gradual das concessionárias atuais, com etapas de transição e perda de exclusividade das empresas que operam o sistema.

O edital passou por consulta pública, recebendo mais de 700 contribuições da sociedade, e prevê contratos de dez anos, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

Expansão do Sistema RIO seguirá até 2028

Após a implantação inicial na Zona Oeste, as próximas etapas da concessão devem contemplar outras regiões da cidade, incluindo Zona Norte, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Zona Sul.

O cronograma prevê a expansão gradual do Sistema RIO até 2028, com renovação completa da frota e reorganização das linhas municipais.

A expectativa da Prefeitura é que o novo modelo traga mais regularidade, transparência e qualidade ao transporte coletivo, além de maior previsibilidade para os milhões de passageiros que utilizam os ônibus diariamente na capital fluminense.

Imagens: Rodrigo Gomes

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