Detro-RJ convoca empresas para discutir futuro da linha 740D Charitas–Leblon após devolução da Braso Lisboa

Empresa de Transportes Braso Lisboa formalizou saída da operação alegando desequilíbrio financeiro; autarquia reúne operadoras para garantir continuidade do serviço
Detro-RJ

O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) iniciou tratativas para reavaliar a operação das linhas intermunicipais 740D Charitas–Leblon “SA”e o serviço vinculado 2740D Charitas–Leblon “AC” após a formalização do pedido de devolução por parte da Empresa de Transportes Braso Lisboa Ltda. A decisão da operadora reacende o debate sobre a sustentabilidade econômica do transporte intermunicipal e mobiliza o órgão regulador na busca por soluções que garantam a continuidade do serviço.

A linha é considerada estratégica por conectar diretamente a Região Oceânica de Niterói à Zona Sul carioca, sendo amplamente utilizada por trabalhadores e estudantes que dependem do deslocamento diário entre os municípios.

Braso Lisboa alega desequilíbrio financeiro para deixar operação

De acordo com o pedido encaminhado ao Detro-RJ, a Braso Lisboa justificou a devolução da linha com base em dificuldades operacionais e financeiras que teriam comprometido a viabilidade do serviço. Entre os fatores apontados estão a redução de receitas e o aumento expressivo dos custos operacionais.

A empresa também destacou que mudanças recentes no sistema de transporte coletivo, especialmente no município do Rio de Janeiro, impactaram diretamente o equilíbrio econômico da operação, exigindo absorção de custos adicionais dentro do modelo consorciado.

Esse cenário, segundo a operadora, tornou necessária uma reorganização interna para garantir a sustentabilidade de suas atividades.

Detro-RJ articula alternativas com outras operadoras

Diante do pedido, o Detro-RJ convocou empresas do setor para uma reunião técnica, nesta quarta-feira, 1° de abril, com o objetivo de discutir possíveis soluções operacionais para a linha. A estratégia da autarquia é evitar a descontinuidade do serviço, mantendo o atendimento à população enquanto avalia a redistribuição da operação.

Braso Lisboa

Entre as alternativas em análise estão a transferência parcial ou total da linha para outras empresas ou a manutenção do modelo compartilhado entre operadoras, prática comum em linhas de alta demanda.

Diante da situação, o Detro-RJ convocou um grupo de empresas que já atuam no sistema intermunicipal para discutir alternativas operacionais para a linha 740D.

Foram chamadas para a reunião as seguintes empresas:

  • Auto Viação 1001 Ltda. (RJ-108)
  • Expresso Garcia Ltda. (RJ-135)
  • Viação Mauá S/A (RJ-185)
  • Auto Lotação Ingá Ltda. (RJ-210)
  • Viação Pendotiba S/A (RJ-211)

Operação segue ativa durante análise

Apesar do pedido de devolução, a linha 740D não foi interrompida e continua em funcionamento. Isso ocorre porque a operação é realizada em regime de pool com outras empresas, o que garante a continuidade do serviço enquanto o processo segue em análise pelo órgão regulador.

A decisão final dependerá de avaliação técnica que considere fatores como demanda, impacto para os usuários, equilíbrio do sistema e capacidade operacional das empresas envolvidas.

Linha é essencial para mobilidade entre Niterói e Zona Sul

A ligação Charitas–Leblon é uma das mais relevantes do transporte intermunicipal no estado, oferecendo uma conexão direta entre Niterói e bairros estratégicos da Zona Sul, como Ipanema e Leblon.

Nos últimos anos, a ampliação do itinerário até a região do Jardim de Alah reforçou ainda mais a importância da linha, aumentando sua atratividade e consolidando o corredor como alternativa eficiente ao deslocamento via barcas ou transporte individual.

Qualquer alteração em sua operação tende a gerar impacto direto na rotina de milhares de passageiros, especialmente nos horários de pico.

Caso evidencia desafios estruturais do setor

O pedido da Braso Lisboa reflete um cenário mais amplo de pressão sobre o setor de transporte por ônibus, marcado por aumento de custos, mudanças regulatórias e necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro das operações.

Especialistas apontam que situações como essa evidenciam a necessidade de revisão dos modelos de concessão e maior previsibilidade para as empresas, garantindo a sustentabilidade do sistema e a continuidade dos serviços.

Próximos passos

A expectativa é que, após a reunião com as operadoras convocadas, o Detro-RJ avance com uma definição sobre o futuro da linha. A prioridade será manter o atendimento à população, evitando impactos negativos na mobilidade urbana entre Niterói e o Rio de Janeiro.

Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado de perto por passageiros e pelo setor, que veem na decisão um indicativo das transformações em curso no transporte intermunicipal fluminense.

Imagem: Rodrigo Gomes

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