O mercado brasileiro de ônibus apresentou reação em março de 2026, com avanço relevante no volume de emplacamentos, segundo dados divulgados pela Fenabrave. Apesar do crescimento mensal, o desempenho no acumulado do ano ainda segue abaixo do registrado em 2025.
De acordo com o levantamento, foram emplacadas 2.474 unidades de ônibus em março de 2026, contra 1.742 unidades em fevereiro, representando um crescimento expressivo de 42,02% no comparativo mensal.
Na comparação com março de 2025, quando foram comercializadas 2.229 unidades, o setor também apresentou evolução de 10,99%, indicando uma retomada gradual do ritmo de vendas.
Acumulado do ano ainda em queda
Mesmo com o desempenho positivo em março, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 ainda mostra retração. Entre janeiro e março, foram emplacados 5.899 ônibus, contra 6.795 unidades no mesmo período de 2025, o que representa uma queda de 13,19%.
O resultado evidencia que, apesar da recuperação pontual, o setor ainda enfrenta desafios estruturais e depende de fatores como investimentos públicos e decisões corporativas de longo prazo.
Participação no mercado segue reduzida
Os dados também mostram que o segmento de ônibus mantém participação relativamente pequena no total de veículos comercializados no país.
No acumulado de 2026, os ônibus representam 0,47% do mercado, abaixo dos 0,63% registrados em 2025, reforçando a característica do setor como altamente dependente de ciclos de investimento.
Liderança consolidada entre fabricantes
O ranking de emplacamentos por fabricante em março confirma a liderança da Mercedes-Benz, com 1.240 unidades e 50,12% de participação de mercado.
Na sequência aparecem:
- Volkswagen Caminhões e Ônibus – 597 unidades (24,13%)
- Iveco – 284 unidades (11,48%)
- Marcopolo – 224 unidades (9,05%)
- Induscar Caio – 43 unidades (1,74%)
- Scania – 38 unidades (1,58%)
- Volvo – 25 unidades (1,01%)
- Agrale – 12 unidades (0,49%)
- BYD – 11 unidades (0,44%)
No acumulado do ano, a liderança também permanece com a Mercedes-Benz, que soma 2.998 unidades e 50,82% de participação, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 1.321 unidades (22,39%).

Na sequência aparecem:
- Marcopolo – 644 unidades (10,92%)
- Iveco – 567 unidades (9,61%)
- Induscar Caio – 95 unidades (1,61%)
- Volvo – 91 unidades (1,54%)
- Agrale – 79 unidades (1,34%)
- Scania –69 unidades (1,17%)
- BYD – 33 unidades (0,56%)
- CRRC – 1 unidade (0,02%)
Mercado de elétricos ganha espaço
Outro destaque é o avanço do segmento de ônibus elétricos, que registrou 75 unidades em março e 166 unidades no acumulado de 2026, frente a 163 unidades no mesmo período de 2025.
Entre os fabricantes de elétricos no mês, a liderança ficou com a Induscar Caio, com 43 unidades (57,33%), seguida pela Mercedes-Benz (21 unidades) e pela BYD (11 unidades).
Na sequência aparecem:
- Caio Induscar – 43 unidades (57,33%)
- Mercedes-Benz – 21 unidades (28,00%)
- BYD – 11 unidades (11,47%)
No acumulado do ano:
- Caio Induscar – 95 unidades (57,23%)
- BYD – 33 unidades (19,88%)
- Mercedes-Benz – 21 unidades (12,65%)
- Marcopolo – 12 unidades (7,23%)
- Volvo – 3 unidades (1,81%)
- Agrale –1 unidade (0,60%)
- CRRC – 1 unidade (0,60%)
Regiões e comportamento do mercado
A distribuição regional dos emplacamentos de ônibus em março mostra forte concentração no Sudeste, responsável por 47,78% das vendas, seguido pelas regiões Sul (17,30%) e Centro-Oeste (18,27%).
Nordeste (12,81%) e Norte (3,84%) completam o cenário, evidenciando a predominância das regiões mais industrializadas e com maior demanda por transporte coletivo.
Setor segue dependente de investimentos
Segundo análise da própria Fenabrave, o mercado de ônibus continua sendo fortemente influenciado por fatores como licitações públicas, orçamento governamental e decisões corporativas de longo prazo.
A ausência de programas estruturantes, como o Caminho da Escola, também impacta diretamente o volume de emplacamentos, aumentando a volatilidade mensal do segmento.
Perspectivas para os próximos meses
O desempenho de março indica uma retomada pontual, mas o cenário ainda exige cautela. A continuidade da recuperação dependerá da retomada de investimentos em mobilidade urbana, renovação de frotas e estabilidade econômica.
Para o setor, a tendência é de crescimento gradual ao longo de 2026, com oscilações típicas de um mercado altamente sensível a políticas públicas e grandes contratos.
Imagens: Divulgação Caio / Divulgação Mercedes-Benz
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