Rio abre consulta pública para lote com 175 ônibus elétricos e contrato estimado em R$ 1,94 bilhão

PPP do Lote Elétrico LE1 prevê frota 100% a bateria, construção de garagem pública com infraestrutura de recarga e operação de quase 1 milhão de quilômetros por mês; contribuições ao projeto podem ser ...
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A Prefeitura do Rio de Janeiro abriu consulta pública para a licitação do primeiro Lote Elétrico (LE1) do Sistema Rio, projeto que prevê a implantação e operação de uma frota de 175 ônibus elétricos a bateria na capital fluminense.

A modelagem preparada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) estabelece uma Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão administrativa, com contrato estimado em R$ 1,944 bilhão e duração inicial de 16 anos.

Além da aquisição e operação dos ônibus, a futura concessionária ficará responsável pela construção, manutenção e gestão de uma garagem pública, implantação da infraestrutura elétrica e dos carregadores necessários à operação.

A consulta pública começou em 28 de setembro de 2026 e permanecerá aberta até 28 de outubro. Os documentos preliminares do edital e seus anexos foram disponibilizados pela Prefeitura para análise e contribuições da sociedade e dos interessados no projeto.

Lote Elétrico terá 175 ônibus, sendo 159 em operação

Um dos principais números apresentados pela modelagem é o tamanho da frota.

O estudo econômico de referência disponibilizado na consulta pública considera uma frota determinada de 175 ônibus elétricos, incluindo veículos operacionais e unidades de reserva.

Desse total, a previsão é de 159 veículos em operação, quando o projeto alcançar sua capacidade integral.

A quilometragem operacional de referência foi calculada em aproximadamente 958.256 quilômetros por mês, mostrando a dimensão que o primeiro lote exclusivamente elétrico deverá assumir dentro da rede municipal.

A Prefeitura prevê uma implantação progressiva, permitindo que a operação seja ampliada em etapas enquanto a infraestrutura e a frota são disponibilizadas.

Contrato está estimado em quase R$ 2 bilhões

A minuta do edital estabelece um valor estimado de R$ 1.944.674.449,27 para o contrato, considerando valores com data-base de agosto de 2026.

Esse montante representa a estimativa da soma do aporte público e das contraprestações que deverão ser pagas à futura concessionária durante o período contratual.

O prazo previsto é de 16 anos a partir da ordem de início, com possibilidade de prorrogação nos termos previstos no contrato.

A concorrência será julgada pelo critério de menor valor da contraprestação paga pelo poder público.

A contraprestação mensal de referência definida pela modelagem é de R$ 9.076.433,97, sobre a qual os concorrentes deverão oferecer desconto em suas propostas.

Investimentos são estimados em R$ 490 milhões

Separadamente do valor global do contrato, o estudo econômico estima aproximadamente R$ 490,4 milhões em investimentos iniciais e estruturais relacionados ao projeto.

A maior parcela está concentrada justamente na aquisição da frota.

Segundo a modelagem apresentada:

  • Frota: R$ 445,0 milhões;
  • Garagem: R$ 42,8 milhões;
  • Equipamentos da garagem: R$ 1,93 milhão;
  • Infraestrutura de ITS: R$ 597,2 mil;
  • Cabines de fiscalização: R$ 40,6 mil.

O total estimado alcança R$ 490.419.382,09, sem considerar eventual valor ainda a ser definido para ressarcimento dos estudos de estruturação.

Prefeitura prevê aporte público de R$ 329 milhões para a frota

A estrutura financeira proposta também contempla um aporte público de R$ 329 milhões.

Segundo o estudo econômico, o recurso será direcionado aos investimentos relacionados à frota, com desembolsos vinculados ao cumprimento de marcos definidos contratualmente.

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O mecanismo foi incluído para reduzir a necessidade de capitalização inicial da concessionária e viabilizar a aquisição de uma frota de ônibus elétricos, cujo investimento inicial é superior ao de veículos convencionais a diesel.

A remuneração da concessionária, portanto, terá dois componentes: o aporte associado ao investimento e a contraprestação pecuniária pela disponibilidade da infraestrutura e prestação do serviço.

Ônibus terão autonomia mínima de 250 quilômetros

A Prefeitura estabeleceu uma série de requisitos técnicos para os futuros veículos.

Todos deverão utilizar tração 100% elétrica a bateria e ser enquadrados nas tipologias Básico ou Padron.

Entre as exigências previstas está uma autonomia operacional mínima de 250 quilômetros por ciclo completo de recarga.

Esse desempenho deverá ser mantido durante oito anos de operação e considerar as condições reais encontradas no Rio de Janeiro, como trânsito, carregamento dos veículos, topografia e aclives.

Além disso, os 250 quilômetros deverão estar disponíveis sem considerar uma reserva técnica de 20% da bateria.

Baterias deverão ter no mínimo 380 kWh

Outro requisito importante está na capacidade do conjunto de baterias.

Cada veículo deverá possuir capacidade mínima de 380 kWh, suficiente para assegurar a autonomia estabelecida no projeto.

O tempo máximo permitido para uma carga completa será de quatro horas.

Ao final do oitavo ano de operação, as baterias ainda deverão apresentar um SOH — State of Health — mínimo de 80%, indicador utilizado para medir a capacidade remanescente do conjunto em relação à condição original.

A especificação também exige BMS (Battery Management System) para gerenciamento eletrônico das células e proteção contra situações de sobretensão, sobrecorrente e temperaturas inadequadas.

Frenagem regenerativa será obrigatória

Os ônibus deverão contar ainda com sistema de frenagem regenerativa.

A tecnologia permite transformar parte da energia cinética produzida durante desacelerações e frenagens novamente em eletricidade, armazenando-a nas baterias.

Esse recurso é fundamental para aumentar a eficiência de um ônibus elétrico em ambiente urbano, onde acelerações e frenagens são frequentes.

O edital também prevê sistemas de segurança no circuito de alta tensão e dispositivos que permitam seu desligamento imediato em situações de emergência.

Ônibus terão capacidade mínima entre 75 e 80 passageiros

A especificação técnica estabelece dois padrões de veículos.

Os ônibus do tipo Básico deverão ter capacidade para pelo menos 75 passageiros entre sentados e em pé.

Já os modelos Padron precisarão transportar pelo menos 80 passageiros.

O comprimento poderá chegar a aproximadamente 14 metros, dependendo da tipologia e configuração.

Os veículos também deverão seguir as normas atuais de acessibilidade e possuir áreas reservadas para passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida.

Todos os ônibus deverão ser novos

O projeto estabelece que os ônibus fornecidos para o lote deverão ser novos e atender às normas técnicas e de segurança aplicáveis ao transporte coletivo.

Outra particularidade é a exigência de que os veículos estejam habilitados no Credenciamento Finame (CFI) do BNDES, com referência ao programa Fundo Clima.

A medida está relacionada à estrutura de financiamento prevista para a eletrificação da frota.

Garagem pública terá estrutura de recarga

A PPP não envolverá apenas os veículos.

O futuro concessionário também terá de implantar uma garagem pública preparada especificamente para a operação elétrica.

O empreendimento incluirá a infraestrutura energética e de recarga necessária para atender aos 175 ônibus, além de estruturas convencionais de manutenção, lavagem e apoio operacional.

O Município fornecerá a área destinada à garagem, escolhida levando em consideração a redução da quilometragem improdutiva, ou seja, os deslocamentos realizados sem passageiros entre a garagem e os pontos de início e término das linhas.

Ao fim da concessão, a modelagem prevê a reversão dos bens definidos contratualmente ao poder público.

Operação será implantada em três etapas

A modelagem econômica estabelece uma implantação dividida em fases.

O cronograma de referência prevê nove meses de obras após a ordem de início.

A primeira etapa operacional deverá começar no 10º mês, seguida por uma segunda fase no 13º mês e pela terceira no 19º mês.

Quando todas as etapas estiverem concluídas, a concessionária deverá disponibilizar integralmente a frota determinada e a oferta prevista na modelagem.

Projeto faz parte do novo Sistema Rio

O Lote Elétrico LE1 está integrado ao projeto da Rede Integrada de Ônibus, denominada Sistema Rio.

Segundo a documentação disponibilizada pela SMTR, a nova rede foi concebida para corrigir distorções do modelo atual, melhorar conexões em terminais, reduzir sobreposições de linhas e redistribuir de forma mais eficiente a oferta de transporte.

Nesta etapa, será disponibilizado apenas um lote, o LE1, dedicado à operação elétrica.

O objeto da concessão envolve uma quantidade determinada de quilômetros mensais e não apenas a simples disponibilização dos ônibus. A futura concessionária terá responsabilidade direta pela operação e pela manutenção das condições estabelecidas no contrato. A página oficial da consulta confirma que a concessão abrange garagem, infraestrutura elétrica, fornecimento e operação dos ônibus elétricos a bateria.

Desempenho poderá afetar remuneração da concessionária

Outro aspecto da modelagem é a utilização de mecanismos de avaliação da qualidade do serviço.

Entre os anexos colocados em consulta está o Índice de Desempenho de Transporte (IDT), que deverá servir para acompanhar o nível de cumprimento das obrigações operacionais.

Esse modelo liga parte da lógica contratual não apenas à quantidade de quilômetros produzida, mas também ao desempenho entregue pela concessionária.

O conjunto de documentos inclui ainda matriz de riscos, regras de contraprestação, mecanismo de pagamento, quadro de infrações, especificações de sistemas inteligentes de transporte e requisitos para a garagem.

Licitação busca contribuir para meta de 20% da frota com emissão zero

A eletrificação está ligada às metas ambientais da cidade.

Entre os objetivos expressos na minuta está contribuir para o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, que prevê alcançar 20% da frota de ônibus utilizando veículos de emissão zero.

A implementação do LE1 será, portanto, uma das primeiras etapas estruturantes para ampliar de forma significativa a presença de ônibus elétricos no sistema municipal.

Diferentemente de projetos-piloto com pequenas quantidades de veículos, a modelagem apresentada pela Prefeitura cria uma operação específica com 175 ônibus elétricos e infraestrutura própria.

Consulta pública fica aberta até 28 de outubro

A documentação ainda está em consulta pública, etapa que antecede a publicação da versão definitiva do edital.

Isso significa que números, regras e especificações apresentados na atual modelagem ainda poderão sofrer alterações após a análise das contribuições recebidas.

A consulta começou em 28 de setembro e será encerrada em 28 de outubro de 2026.

Empresas, fabricantes, entidades do setor, especialistas e cidadãos podem consultar o edital e todos os anexos disponibilizados pela SMTR e encaminhar manifestações.

Acesse a página oficial da consulta pública do Lote Elétrico LE1

Consulte o edital e os anexos do Lote Elétrico

Envie uma contribuição à consulta pública

Principais números do Lote Elétrico LE1

ItemPrevisão da modelagem
Frota determinada175 ônibus elétricos
Frota operante159 ônibus
Quilometragem mensal958.256 km
Investimentos estimadosR$ 490,4 milhões
Investimento estimado em frotaR$ 445 milhões
Aporte público previstoR$ 329 milhões
Valor estimado do contratoR$ 1,944 bilhão
Contraprestação mensal de referênciaR$ 9,076 milhões
Prazo do contrato16 anos
Autonomia mínima dos ônibus250 km
Capacidade mínima das baterias380 kWh
Tempo máximo de recarga4 horas

Os valores constam da modelagem submetida à consulta pública e não devem ser interpretados como resultado definitivo da futura licitação. O critério previsto para o certame é o menor valor da contraprestação, e a documentação poderá ser ajustada antes da publicação do edital final.

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