Histórico e composição societária da Caio – Parte 1

Fonte: Mobilidade em foco
Matéria / Texto: Carlos
Alberto Ribeiro
Fotos: Acervo Paraíba Bus
Team


A Caio, Companhia Americana Industrial de Ônibus, foi fundada em 19 de dezembro
de 1945, com início da atividade fabril em 12 de janeiro de 1946. Seu capital
social, no ato da fundação, era de quatro mil cruzeiros. A iniciativa para a
fundação partiu de José Massa, ex-colaborador da Grassi, renomada fabricante de
carrocerias de ônibus na época. Com a experiência adquirida na Grassi, José
Massa, juntamente com Luis Massa, Cláudio Regina, Ruggero Cardarelli e José
Roberto Massa, deram o pontapé inicial para o parque fabril que com o passar
dos anos se transformou na maior fabricante de carrocerias da América Latina. 

A proposta inovadora encontrou respaldo do mercado
desde o início. Já em 1948, apenas três anos depois da fundação, a companhia já
estava adquirindo terreno para ampliação da fábrica, situada no Bairro da
Penha, em São Paulo. Neste mesmo ano, diversificaram suas atividades, ao
incorporar uma empresa carioca, a Companhia Auto Carroceria Cermava. Em 1960 a
Caio apresentou a primeira carroceria de estrutura tubular, batizada de Bossa
Nova. Também neste ano começou a exportar suas carrocerias para a Argentina e o
Uruguai. Capitalizados, parte devido a boa gestão administrativa, parte oriunda
do balanço financeiro superavitário, em julho de 1960 o Grupo Caio adquiriu a
Viação Santos – São Vicente Litoral S/A. Empresa que estava em dificuldades
financeiras, sob nova direção, começou a crescer e multiplicou-se em seis:
Viação Santos – São Vicente Litoral; Viação Santos – Cubatão; Viação Guarujá;
Viação Santista; Viação Praia Grande e Viação Bertioga.

Em apenas cinco anos, 1960 a 1965, o Grupo Caio já
tinha nas empresas coligadas a holding uma frota de 500 ônibus. Nem é preciso
ressaltar o mercado cativo que essa frota das seis empresas de ônibus abria
para a fabricante de carrocerias Caio, tanto para a renovação de frota quanto
para a ampliação da mesma. Não descuidando da atividade que originou o grupo,
em 1962 a Caio lançou a carroceria Jaraguá. Dois anos depois, em 1964, lança
uma nova carroceria de ônibus, batizada com o nome de Caio-Bela Vista.

Ousados, vitaminados pelas sobras do planejamento
orçamentário que comportava novos investimentos, em 1965 a Caio deu um dos seus
passos mais ousados ao incorporar ao grupo a empresa Única Auto Ônibus S/A, que
explorava a linha rodoviária regular Rio x São Paulo. Simplesmente a linha mais
cobiçada e de maior número de passageiros transportados do Brasil naquela época
e até os dias de hoje. O Grupo Caio adquiriu do antigo dono, Naja Kouri, não
somente o direito de explorar a concessão (linha), mas também os nove ônibus da
companhia de viação, que faziam seis horários diários. Investimentos se fizeram
necessários ao longo dos anos e já em 1975, dez anos depois de incorporada, a
Única tinha 54 novos ônibus na frota.

A Caio, por excelência de gestão, visão de mercado,
continuou ditando tendência, não seguia a reboque de ninguém. Exemplo: em 1966,
no Salão do Automóvel, lançou a carroceria rodoviária Gaivota. Entre as
novidades, toalete a bordo (WC), cuja regulamentação tornando item obrigatório
em ônibus nas viagens acima de 75 quilômetros só passou a vigorar no ano de
1975, nove anos depois. Outras comodidades estavam disponíveis e eram inéditas
no mercado, como bar, iluminação individual para leitura, carpete no corredor
do salão de passageiros, poltronas reclináveis e até cinto de segurança. Este
último, item que se tornou comum nos ônibus somente a partir do ano 2000, 34
anos depois.

Ainda em 1966 houve nova decisão de investimentos. Foi
fundada a Caio Norte, tendo como diretor presidente José Roberto Massa, filho
de José Massa. Com planta industrial na cidade de Jaboatão, a nova fábrica teve
como mote a necessidade de diminuir o custo logístico de transporte. Motivo: a
Caio tinha vencido uma licitação para o fornecimento de trólebus para a cidade.
O seu modelo apresentado na proposta vencedora foi o Caio Bossa Nova. As
primeiras unidades produzidas foram fabricadas em São Paulo. Aí se apresentou
um problema não previsto na proposta inicial da Caio, que era o custo do
transporte rodoviário das novas carrocerias até a distante cidade de Recife,
capital do Pernambuco.

A direção da Caio fez-se valer de um artifício legal,
que era o de exigir um aditivo ao contrato firmado, alterando os valores para
cima para compensar o custo extra não previsto inicialmente com o transporte
rodoviário das carrocerias. Miguel Arraes, então prefeito de Recife, conseguiu
convencer a direção da Caio que a saída mais viável e de impacto financeiro
menor era a instalação de uma fábrica no Pernambuco, valendo-se dos subsídios
da SUDENE. Assim nasceu a Caio Norte, gerando novos empregos, renda e
impostos/tributos ao erário. Da sua fundação, em 1966 até o ano de 1992 lá
naquela unidade industrial foram fabricados mais de 10 mil ônibus. Dando
continuidade a política de investimentos, em 1969 a Caio lançou a carroceria
para micro-ônibus Verona e o modelo urbano Bela Vista. Dois anos depois, em
1971, foi lançado mais uma carroceria destinada ao mercado de linhas
rodoviárias, o modelo Jubileu.

Poucos meses depois, em 1972, a Scania procurou a Caio
para lançar o primeiro chassi com motor traseiro da marca, o BR-115,
encarroçado sobre o modelo Gaivota. E o cliente era doméstico, uma empresa
coligada a holding, a Única. Sua inauguração foi na linha Rio x São Paulo. Dois
anos depois, 1974, nasce a carroceria Gabriela, com para brisa panorâmico e o
micro-ônibus Carolina I. A boa gestão, marca registrada da empresa desde a
fundação, permitiu novos passos. Com eles, a incorporação da Carrocerias
Metropolitana S/A no mês de janeiro de 1976. Junto, veio o domínio completo da
tecnologia do emprego do duralumínio. Neste mesmo ano foi lançado o modelo
Gabriela II e em 1977 a carroceria rodoviária Corcovado, o primeiro da Caio com
estrutura toda de alumínio.

Novos passos foram dados em 1980, com o lançamento do
modelo batizado de Amélia e da carroceria rodoviária Aritana, ambos fabricados
na nova unidade industrial da cidade de Botucatu, São Paulo. Em 1985 a Caio foi
ousada mais uma vez e lançou o ônibus rodoviário Squalo, palavra oriunda da
língua italiana e que signifca “tubarão”. Com linhas arrojadas, design inovador
e carroceria montada com chapas de alumínio, era o ônibus mais moderno
fabricado no Brasil naquele período. Pena que não decolou em vendas. Com
vocação predestinada desde a fundação para os modelos urbanos, em 1988 foi
lançada a carroceria Vitória. Sucesso desde o lançamento, dela foram fabricadas
280 unidades/mês. O primeiro “face-lifting” da Vitória veio já em 1993, com a
introdução da porta de folha dupla, novo para brisa e novo para choque.

Na III Expobus, em setembro de 1994, na cidade de São
Paulo, a Caio lançou um monobloco. Batizado de Beta, foram fabricados três
protótipos para testes. Eram equipados com motores MWM G10T e Cummins 6 BTA.
Ambos na traseira, com potências de 197 e 230 cv, respectivamente. Em 1995,
sete anos depois de lançada, a carroceria urbana Vitória, após 28 mil unidades
produzidas, deu lugar a uma nova versão, a Alpha. Esta nova versão não teve
êxito de mercado. Sua estrutura foi considerada frágil, se comparada ao
Vitória. Mesmo tendo sido feitas três alterações no projeto, o mesmo não
emplacou. A primeira foi o Alpha I (1996), tendo na frente a tampa separada do
protetor dos faróis dianteiros como característica marcante.

Caio Beta

Em 1997 foi lançado o Alpha II, com a tampa do motor
dianteiro incorporando o protetor dos faróis e setas dianteiras fumê. No final
de 1998, virada para 1999, veio a versão Alpha III, com frisos laterais brancos
ou na cor da carroceria e lanterna traseira branca como características
marcantes. A Caio somente voltou a emplacar um sucesso de vendas novamente com
o lançamento do modelo urbano Apache, na primeira metade dos anos 2000.
Inicialmente com o Apache S21, com preço, na época, de R$ 70 mil. Depois novas
versões surgiram, como o Apache STD (standard), embora este último fosse menor
em altura e comprimento, se comparado com o S21. Mais leve e mais barato, o plano
da Caio com o Apache STD era o de ter um veículo para concorrer com a
carroceria fabricada pela Neobus, modelo Spectrum e, principalmente, com o
grande sucesso de mercado da Ciferal, o Citmax.

Projeto bem resolvido, o Apache continuou se
desdobrando em novas versões. Veio o Apache Vip, versão própria para chassis
com motor traseiro, plataformas de maior comprimento e capacidade de transporte
de passageiros.
(Obs.: continua na próxima edição).

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