Após quase oito décadas de operação, a tradicional empresa Santa Cecília encerrou oficialmente suas atividades no transporte coletivo urbano de Fortaleza. Fundada em 1946 e marcada pela gestão familiar da família Azevedo, a viação — que também chegou a atuar sob o nome Timbira — não resistiu ao agravamento da crise financeira nos últimos anos. O fim das operações foi confirmado nesta sexta-feira (8) pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus).
A empresa entrou em recuperação judicial em 2021, numa tentativa de reverter os prejuízos acumulados. Entre os principais fatores para a deterioração financeira estão a paralisação do serviço durante a pandemia, o aumento expressivo no preço do diesel em 2022 e a ausência de subsídios municipais na época. Sem recursos para renovar a frota, a Santa Cecília passou a operar com veículos seminovos ou usados, que posteriormente foram restringidos pelas novas regras de idade de cadastro da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor).
O cenário piorou com atrasos nos repasses do subsídio municipal, dificultando o fluxo de caixa. Nos últimos meses, a situação tornou-se insustentável: o Banco Volvo retomou dezenas de ônibus financiados, reduzindo drasticamente a capacidade operacional. Com dívidas trabalhistas e sem capital de giro, a empresa passou a atrasar salários e benefícios, levando à paralisação total após intervenção do sindicato da categoria.
— Chegou o momento em que os funcionários também não aguentaram mais esperar pelos seus benefícios e proventos — relatou um representante sindical.
Para reduzir o impacto à população, a Etufor informou que está monitorando as 31 linhas que eram atendidas pela Santa Cecília. Em parceria com o Sindiônibus e outras empresas, foram disponibilizados dez veículos de reserva para manter o atendimento e evitar prejuízos aos passageiros. Até o encerramento, a Santa Cecília operava cerca de 45 ônibus.
Mesmo com a saída de uma das operadoras mais antigas da capital, o sistema de transporte coletivo de Fortaleza segue funcionando. O Sindiônibus afirmou que seguirá adotando medidas para assegurar o serviço e atualizar a população sobre o andamento da operação.
Imagens: Fernando de Oliveira
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