A indústria brasileira de ônibus apresentou desempenho misto em junho de 2026. Dados divulgados pela ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que a produção de ônibus voltou a crescer no acumulado do ano, enquanto as exportações registraram forte retração e os emplacamentos mantiveram trajetória positiva na comparação anual.
O balanço demonstra que o segmento continua sustentado pela renovação de frotas e pelas entregas ao mercado interno, embora enfrente um cenário mais desafiador nas vendas ao exterior.
Produção de ônibus avança no acumulado do ano
Segundo a ANFAVEA, as fabricantes produziram 2.356 ônibus em junho, volume 20,8% inferior ao registrado em maio. Apesar da queda mensal, o resultado representa crescimento de 3,2% em relação a junho de 2025.
No acumulado entre janeiro e junho, foram produzidas 16.241 unidades, frente às 15.742 fabricadas no mesmo período do ano passado, consolidando uma expansão de 3,2% no primeiro semestre.
Os números indicam que a indústria mantém ritmo superior ao observado em 2025, impulsionada principalmente pela demanda doméstica por renovação de frotas urbanas, rodoviárias e de fretamento.
Emplacamentos apresentam crescimento de quase 14%
O mercado interno também segue aquecido. Em junho foram licenciados 2.191 ônibus, número 36,7% superior ao de maio, embora 11,6% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.
No acumulado do primeiro semestre, os emplacamentos alcançaram 10.288 unidades, crescimento de 13,9% em comparação com as 9.032 registradas no mesmo intervalo de 2025.

O desempenho reforça a continuidade dos investimentos de operadores públicos e privados na modernização das frotas, especialmente com veículos mais eficientes e alinhados às normas ambientais mais recentes.
Exportações registram forte retração
O principal ponto de atenção do levantamento ficou por conta do mercado externo.
As exportações de ônibus totalizaram 458 unidades em junho, retração de 27,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 31,3% na comparação com maio deste ano.
Entre janeiro e junho, foram embarcadas 2.241 unidades, contra 3.262 veículos no primeiro semestre do ano passado, representando uma redução acumulada de 31,3%.
O desempenho demonstra um ambiente internacional menos favorável para as fabricantes brasileiras, reflexo de fatores econômicos e da redução das encomendas em alguns mercados tradicionais de exportação.
Mercado interno sustenta desempenho do setor
Mesmo com a desaceleração das exportações, os resultados do primeiro semestre mostram que o mercado brasileiro de ônibus continua sendo o principal sustentáculo da indústria nacional.
A combinação entre renovação de frotas, investimentos em mobilidade urbana, aquisição de veículos rodoviários e programas de modernização tem garantido demanda suficiente para manter o nível de produção acima do observado em 2025.

A expectativa do setor é que a continuidade das entregas de veículos com tecnologia Euro 6 (Proconve P8) e novos investimentos em transporte coletivo contribuam para manter o ritmo da produção ao longo do segundo semestre.
Veja os números por montadoras
| Fabricante de chassi | Junho/2026 | Maio/2026 | Jan-Jun/2026 | Junho/2025 | Jan-Jun/2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Agrale | 249 | 145 | 1.141 | 264 | 1.641 |
| Iveco | 335 | 201 | 1.238 | 187 | 1.175 |
| Mercedes-Benz | 766 | 604 | 4.053 | 841 | 5.020 |
| Scania | 58 | 19 | 215 | 108 | 381 |
| Volkswagen Caminhões e Ônibus | 569 | 393 | 2.749 | 446 | 2.936 |
| Volvo | 18 | 28 | 188 | 62 | 292 |
| Outras empresas | 196 | 213 | 704 | 55 | 190 |
| Total | 2.191 | 1.603 | 10.288 | 1.963 | 11.635 |
Em junho, a liderança ficou com a Mercedes-Benz, com 766 ônibus emplacados, seguida por Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 569 unidades, e Iveco, com 335 unidades.
ANFAVEA acompanha desempenho do segmento
Os indicadores divulgados pela ANFAVEA fazem parte do tradicional relatório mensal da entidade, que reúne informações sobre produção, emplacamentos e exportações da indústria automobilística brasileira.
Para o segmento de ônibus, o levantamento confirma um cenário de crescimento moderado na fabricação e nas vendas internas, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios enfrentados pelas exportações brasileiras em 2026.
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