A Volvo do Brasil fechou um novo contrato internacional para a exportação de 1.200 transmissões automatizadas I-Shift, produzidas em sua unidade industrial de Curitiba, no Paraná, com destino à fábrica de caminhões do Grupo Volvo em Pithampur, na Índia. As entregas estão previstas para ocorrer entre 2026 e 2027, reforçando a participação da operação brasileira na cadeia global de produção da fabricante sueca.
O acordo representa mais um avanço na estratégia de internacionalização da produção brasileira da Volvo, que, além de fabricar caminhões e chassis de ônibus, também fornece componentes de elevado conteúdo tecnológico para outras unidades industriais do grupo.
Entre os produtos exportados pela fábrica paranaense estão blocos de motores, cabines de caminhões e transmissões, demonstrando a capacidade da unidade brasileira de atender aos padrões internacionais de qualidade, produtividade e precisão exigidos pela fabricante.
O novo contrato também está alinhado ao ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões anunciado pela Volvo para suas operações brasileiras entre 2026 e 2028, que contempla iniciativas voltadas ao fortalecimento da estrutura industrial e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Segundo a companhia, a produção das transmissões destinadas à Índia permitirá ampliar o aproveitamento da capacidade instalada em Curitiba, contribuindo para elevar a produtividade e a eficiência da operação.
Fábrica da Volvo em Curitiba amplia participação na cadeia industrial global
A exportação das 1.200 caixas de câmbio I-Shift para a Índia reforça a posição estratégica da fábrica brasileira dentro do sistema internacional de manufatura do Grupo Volvo.
A unidade de Curitiba (PR) integra uma rede de produção capaz de fornecer veículos e componentes para diferentes mercados, ajustando sua capacidade produtiva conforme as necessidades das operações globais da companhia.
Com o novo contrato, as transmissões fabricadas no Brasil serão destinadas à planta de caminhões localizada em Pithampur, um dos polos industriais da Volvo no mercado indiano.

Para Cleison Barro, head de Powertrain Industrial da Volvo, área global responsável pela manufatura de motores e transmissões, o fornecimento internacional evidencia o nível tecnológico alcançado pela operação brasileira.
“A caixa I-Shift é um componente de altíssima tecnologia. Temos orgulho de fabricá-la no Brasil e agora exportá-la para fábricas da Volvo em outro continente”, afirma o executivo.
A operação também demonstra a capacidade da indústria brasileira de produzir componentes sofisticados que integram veículos comerciais utilizados em diferentes regiões do mundo.
Transmissão I-Shift equipa caminhões e ônibus pesados da Volvo
A I-Shift é uma transmissão automatizada desenvolvida pela Volvo para aplicação em caminhões e ônibus pesados, combinando recursos eletrônicos avançados com sistemas de gerenciamento inteligente das trocas de marcha.
Diferentemente de uma transmissão manual convencional, a I-Shift realiza as mudanças de marcha automaticamente, considerando as condições de operação do veículo.
O sistema utiliza informações relacionadas à carga transportada, velocidade, topografia e geolocalização para selecionar as marchas mais adequadas a cada situação.
A tecnologia busca proporcionar melhor aproveitamento do desempenho do conjunto motriz, contribuindo para a eficiência energética, o conforto na condução e a segurança operacional.
Nos ônibus rodoviários e caminhões pesados da fabricante, a transmissão desempenha papel importante na integração entre motor, sistema eletrônico e condições de utilização do veículo.
Essa combinação permite adequar as trocas de marcha às características da operação, especialmente em percursos com variações de relevo, diferentes condições de tráfego e mudanças frequentes de velocidade.
Tecnologia I-See permite antecipar trocas de marcha conforme a topografia
Um dos recursos tecnológicos associados à transmissão I-Shift é o I-See, sistema desenvolvido pela Volvo para otimizar o desempenho dos veículos de acordo com as características do percurso.
Integrada à eletrônica embarcada, a tecnologia utiliza informações sobre a estrada à frente para antecipar as condições de condução e selecionar estratégias mais eficientes de troca de marchas.
Na prática, o sistema pode considerar a aproximação de subidas e descidas para adequar o funcionamento da transmissão, buscando aproveitar melhor o desempenho do motor e reduzir o consumo de combustível.

A integração entre I-Shift e I-See permite que o gerenciamento eletrônico da transmissão leve em consideração não apenas as condições instantâneas do veículo, mas também as características do trajeto.
O objetivo é proporcionar maior eficiência durante a operação, mantendo o desempenho e a segurança em diferentes situações.
Esses recursos fazem parte da estratégia tecnológica da Volvo para aprimorar a produtividade dos veículos comerciais e reduzir os custos operacionais de transportadores e operadores de ônibus.
Volvo já produziu mais de 250 mil transmissões I-Shift no Brasil desde 2011
A fabricação nacional da transmissão I-Shift teve início em 2011, quando a Volvo passou a produzir o componente em sua unidade de Curitiba.
Desde então, mais de 250 mil caixas de câmbio foram fabricadas na planta brasileira, consolidando a operação como uma das referências mundiais da companhia na produção desse equipamento.
Atualmente, a I-Shift é produzida em três países:
- Brasil, na fábrica de Curitiba, no Paraná;
- Suécia, país de origem da Volvo;
- Estados Unidos, onde o grupo também mantém operações industriais.
A presença da fabricação brasileira nessa estrutura internacional permite que a unidade paranaense atenda tanto às necessidades do mercado local quanto às demandas de outras fábricas do grupo.
A produção de transmissões no Brasil também representa um avanço na nacionalização de componentes de elevado valor agregado, ampliando a participação da indústria brasileira na cadeia tecnológica de veículos comerciais.
Estratégia Geoflex permite à Volvo distribuir produção entre diferentes países
A integração entre as unidades industriais da Volvo é realizada por meio de uma estratégia denominada Geoflex, que permite distribuir a fabricação de componentes conforme a capacidade e a demanda de cada região.
Nesse modelo, uma fábrica pode complementar a produção de outra unidade quando há necessidade de ampliar o fornecimento de determinados produtos.
A estratégia busca garantir maior flexibilidade industrial, aproveitamento da capacidade instalada e eficiência no atendimento aos mercados internacionais.
No caso das transmissões I-Shift, a unidade brasileira pode ser acionada para fornecer componentes quando outras fábricas precisam complementar seus volumes de produção.
Segundo Cleison Barro, a integração da planta brasileira à rede mundial de manufatura demonstra a competitividade alcançada pela operação de Curitiba.
“Estamos totalmente integrados ao sistema global de produção do Grupo Volvo e podemos atender aos pedidos dos mercados mais exigentes do mundo em termos de qualidade, volume e precisão de entrega. A fábrica da Volvo no Brasil tem tecnologia e processos de classe mundial”, assegura o executivo.
A exportação para a Índia é mais um exemplo da aplicação dessa estratégia, permitindo que a capacidade produtiva brasileira contribua diretamente para o abastecimento de uma operação localizada em outro continente.
Investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam modernização da Volvo no Brasil
O novo contrato de exportação integra o contexto dos R$ 2,5 bilhões em investimentos previstos pela Volvo para o período de 2026 a 2028 em suas operações brasileiras.
A fabricante mantém um programa contínuo de modernização de sua estrutura industrial, com foco em produtividade, qualidade e incorporação de novas tecnologias.
A planta de Curitiba é considerada pela companhia uma de suas unidades industriais mais modernas, contando com processos associados à Indústria 4.0, que envolvem automação, digitalização e integração de sistemas produtivos.
A fábrica também possui tradição na adoção de métodos de gestão voltados à eficiência industrial, sendo pioneira dentro do Grupo Volvo na utilização do conceito de produção enxuta, conhecido como lean manufacturing.

Essa metodologia busca eliminar desperdícios, otimizar processos e ampliar a qualidade dos produtos fabricados.
A combinação de investimentos, modernização tecnológica e integração internacional permite que a unidade brasileira mantenha competitividade na fabricação de veículos e componentes destinados a diferentes mercados.
Brasil também exporta blocos de motores e cabines de caminhões para outros mercados
A participação da fábrica de Curitiba na estrutura internacional de produção da Volvo começou a ganhar força ainda na década de 1990, quando a operação brasileira passou a integrar uma plataforma mundial de fabricação de caminhões e ônibus.
A partir desse processo, a subsidiária brasileira ampliou sua capacidade de fornecer componentes para outras unidades industriais do grupo.
Ao longo dos anos, a Volvo realizou exportações de cabines de caminhões produzidas no Brasil para a Suécia e a Austrália, além de fornecer blocos de motores para mercados internacionais.
A fábrica paranaense também atende, conforme a demanda, operações da companhia nos Estados Unidos e na Europa.
Somente em 2026, a previsão é de que mais de 4.100 blocos de motores sejam exportados de Curitiba para a matriz da Volvo, na Suécia.
O fornecimento desses componentes demonstra que a atuação internacional da unidade brasileira vai além da exportação de veículos completos, abrangendo produtos essenciais para a montagem de caminhões e ônibus em outras regiões.
Exportação para a Índia fortalece posição da indústria brasileira de veículos comerciais
O contrato para o envio de 1.200 transmissões I-Shift à Índia representa uma nova etapa na participação da Volvo do Brasil na produção internacional de componentes de alta tecnologia.
A operação combina a utilização da capacidade industrial de Curitiba com a estratégia global de manufatura do grupo, ampliando a integração entre fábricas localizadas em diferentes continentes.
Para o setor brasileiro de veículos comerciais, o fornecimento internacional de transmissões, motores e outros componentes evidencia a importância da produção nacional na cadeia global de caminhões e ônibus.
Com mais de 250 mil transmissões I-Shift fabricadas desde 2011, a planta paranaense consolida sua experiência na produção de sistemas avançados de transmissão, enquanto os investimentos previstos até 2028 reforçam a continuidade do desenvolvimento industrial.
A nova exportação para a fábrica de Pithampur, na Índia, também demonstra a relevância da operação brasileira na estratégia da Volvo de combinar tecnologia, produtividade e flexibilidade industrial para atender à demanda internacional por veículos comerciais.
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